Vargas Llosa: "Não gostaria de estar na situação de ter que escolher entre Lula e Bolsonaro. Jamais votaria em Lula"

CNN Portugal , HCL
14 ago, 10:59
Mario Vargas Llosa

Ainda que não simpatize com Jair Bolsonaro, o prémio Nobel garante que era incapaz de votar em Lula da Silva nas próximas eleições presidenciais. "Torço para que não elejam de novo Lula, pois ele está muito associado à corrupção”

Em 2018, quando lhe pediram para escolher entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, o escritor Mario Vargas Llosa referiu que a escolha era idêntica entre optar por cancro terminal e SIDA. Agora, o prémio Nobel da Literatura já não está tão indeciso sobre quem acha que deve vencer as eleições presidenciais de outubro. “Não gostaria de estar na situação de ter que escolher entre Lula e Bolsonaro. Mas realmente jamais votaria em Lula”, afirmou em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

O também professor universitário de 86 anos, que em março publicou o novo livro “Conversas em Princeton”, refere que Lula “foi um homem que corrompeu profundamente” e ainda que se possa dizer que os dirigentes peruanos se tenham deixado corromper - os presidentes Alan García (que morreu após dar um tiro na cabeça quando ia ser preso) , Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski foram investigados pela Justiça por ligações à Odebrecht -, “em grande parte, todos eles foram vítimas de Lula, pois ele utilizava, digamos, a Presidência para corromper os governantes latino-americanos. No Peru, causou estragos”.

Relativamente ao facto de os processos contra o candidato presidencial Lula da Silva na Lava Jato terem sido arquivados, o escritor diz acreditar que tal foi por “questões técnicas, e alguns juízes também têm seus preferidos na política”. “Torço para que não elejam de novo Lula, pois ele está muito associado à corrupção”, acrescenta ainda.

Por outro lado, na entrevista, Vargas Llosa sublinha a ideia de que para um liberal é muito difícil aceitar Bolsoaro. Isto porque o atual presidente brasileiro é “um palhaço no fundo” e “não é muito sério”. Para sustentar a sua posição, o romancista aponta para os estragos causados pela posição de Bolsonaro relativamente à segurança das vacinas contra a covid-19. Além disso, interroga, “tem uma certa vocação pela palhaçada, não?”.

Na terça-feira, começa a propaganda eleitoral dos candidatos, incluindo divulgação na internet e por altifalantes, caminhadas, ‘carreatas’ (desfiles de carro) ou passeatas. A campanha termina a 1 de outubro, véspera da primeira volta das eleições. Em 26 de agosto começa também o horário eleitoral gratuito nos sistemas de rádio e televisão do Brasil, que vai até 30 de setembro para os candidatos que concorrem na primera volta.

Prevista apenas para disputa de cargos executivos, ou seja, governador regional e Presidente, a segunda volta das eleições brasileiras será realizada em 30 de outubro caso nenhum candidato alcance maioria absoluta dos votos válidos na primeira votação.

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