Autoridades suspeitam que o senador recebeu vantagens como dinheiro e ingressos para um show de Taylor Swift para defender os interesses do Banco Master no Congresso
O senador Jacques Wagner foi alvo de uma operação da Polícia Federal do Brasil na última semana que investiga a alegada relação entre o político e o Banco Master, instituição financeira que está no centro do maior escândalo de corrupção e fraude da história do país. Agora, Wagner deve pedir o afastamento da função de líder do governo Lula no Senado, noticiou o jornalista Lauro Jardim no O Globo.
De acordo com o jornal brasileiro, o pedido deve ocorrer entre esta segunda e terça-feira. Inicialmente, o senador não pretendia deixar o cargo, mas foi convencido durante o fim de semana de que a sua permanência poderia causar danos à campanha de Lula da Silva para a reeleição este ano.
Mesmo com o afastamento, a situação é vista como um contratempo relevante na candidatura do atual chefe de Estado. Segundo a Folha de São Paulo, aliados de Wagner defendem que a situação de fragilidade do senador pode diminuir a força do Partido dos Trabalhadores na Bahia, estado pelo qual o senador foi eleito. Nas eleições de 2022, a Bahia contou com mais de 1,2 milhão de eleitores na segunda volta, e a esquerda conseguiu 72% dos votos.
No entanto, há quem entenda que é necessário blindar o executivo de críticas relacionadas ao caso Master. Sob alegações de que a fraude foi combatida durante a gestão atual, o governo pretende distanciar-se do escândalo, apesar da relação entre o PT da Bahia com o banco. “Tem que deixar claro que o governo não tem nada com isso. Não podemos misturar as estações”, defendeu José Guimarães, ministro das Relações Institucionais, citado pela Folha de São Paulo.
Esta relação, inclusive, deve influenciar a estratégia de comunicação da campanha ‘petista’ nos próximos meses. Segundo o Estado de São Paulo, pessoas próximas a Lula da Silva admitem que a operação contra Jacques Wagner deu “munição aos bolsonaristas”, mas garantem que o partido deve insistir na relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e considerado o principal responsável pelas ações criminosas da instituição.
A Polícia Federal brasileira acredita que Jacques Wagner recebeu vantagens indevidas como contrapartida para atuar em prol dos interesses do Banco Master. Segundo as investigações, a família do senador recebeu, por exemplo, ingressos para um concerto de Taylor Swift em São Paulo. Além disso, o político teria recebido repasses em dinheiro e utilizado um jatinho particular ligado ao Master para uma viagem.
As ligações de Bolsonaro com o Master
O governo Lula pretende investir na relação entre Flávio Bolsonaro e o Banco Master durante a campanha. Segundo áudios divulgados pelo The Intercept Brasil, o candidato da extrema-direita articulou um investimento de 24 milhões de dólares com Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, que conta a vida de Jair Bolsonaro.
Nas mensagens, o senador bolsonarista demonstrou grande proximidade com o banqueiro. A 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez numa ação da Polícia Federal, Flávio Bolsonaro escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs! [abraços]”.
As autoridades brasileiras também investigam outras relações entre o banco, o bolsonarismo e o filme. Dois milhões de dólares, por exemplo, foram repassados ao fundo Havengate, sediado no Texas e gerido pelo advogado de Eduardo Bolsonaro. A PF suspeita que o dinheiro pode ter sido utilizado para manter a vida de luxo do ex-deputado nos Estados Unidos, onde ele vive com a família desde o início do ano passado.
