Bolsonaro diz estar a perder em algumas zonas do Brasil devido a crime eleitoral

Agência Lusa , AM
27 out, 07:48
Bolsonaro (Associated Press)

Presidente brasileiro criticou Tribunal Superior Eleitoral por negar investigação

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, criticou a decisão das autoridades eleitorais de negarem uma investigação a alegados crimes eleitorais que fazem com que a sua candidatura presidencial esteja a perder votos em certas localidades.

Bolsonaro, que se encontrava em ações de campanha no estado de Minas Gerais, marcou uma conferência de imprensa de última hora no Palácio da Alvorada, em Brasília, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do Brasil ter negado na quarta-feira o pedido para investigar alegados crimes de utilização de espaços de propagada eleitoral na rádio.

“Em certos locais que achei que iria bem e poderia até ganhar, vimos que perdemos. As inserções fizeram ou poderiam ter feito a diferença. Não existe outro fator que podemos levar em conta nesse momento”, afirmou o candidato, na sede oficial da presidência brasileira, tecendo duras críticas às autoridades eleitorais.

Bolsonaro e a sua campanha alegam que dezenas de rádios deixaram de transmitir a sua propaganda gratuita, à qual todos os candidatos têm direito, uma conclusão assegurada através da contratação de duas auditorias que investigaram o caso.

“[Houve] dezenas de milhares de inserções a mais do outro lado” o que “desequilibra o processo democrático”, sublinhou Bolsonaro.

“O meu lado foi muito prejudicado e não foi de agora”, acrescentou.

De acordo com a denúncia, há 154.085 anúncios que não foram veiculados. Segundo a campanha de Bolsonaro, a maioria desta alegada fraude eleitoral foi registada no Nordeste do país, conjunto de nove estados cuja população apoia na sua esmagadora maioria Lula da Silva na eleição presidencial que ocorre no domingo.

“Iremos às últimas consequências, dentro das quatro linhas da Constituição, para fazer valer aquilo que as nossas auditorias constataram”, frisou na conferência o Presidente brasileiro.

“Repito: Está comprovado a diferenciação, o tratamento, ao outro candidato”, insinuando que o candidato presidencial Lula da Silva poderá estar envolvido.

Minutos antes desta declaração, o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, indicou que as provas apresentadas pela campanha de Bolsonaro não têm "base documental crível, ausente, portanto, qualquer indício mínimo de prova".

"Os erros e inconsistências apresentados nessa pequena amostragem de oito rádios são patentes", frisou.

O responsável máximo da justiça eleitoral disse ainda que a campanha de Bolsonaro, com estas acusações, poderá ter cometido crime eleitoral, “com a finalidade de tumultuar” a segunda volta das eleições agendadas para domingo.

Luiz Inácio Lula da Silva venceu a primeira volta das eleições com 48,4% dos votos e Jair Bolsonaro recebeu 43,2%, pelo que os dois candidatos terão de se enfrentar numa segunda volta marcada para domingo.

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