Voltamos ao vermelho: nova retaliação dos EUA à China afunda bolsas europeias

António Guimarães , com Lusa
9 abr 2025, 08:29
Bolsas (EPA)

Tudo a cair na abertura dos mercados, já depois de um sinal semelhante ter chegado da Ásia

A bolsa de Lisboa abriu esta quarta-feira em terreno negativo, com o índice PSI (Portuguese Stock Index) a cair 1,74%, para os 6.325,72 pontos, num regresso ao vermelho que tem sido constante desde o anúncio das tarifas por parte do presidente dos Estados Unidos.

Na terça-feira, a bolsa de Lisboa encerrou em alta, com o índice PSI a ascender 2,80% para 6.437,75 pontos, destacando-se a Mota-Engil, que cresceu mais de 8%.

Uma abertura em linha com toda a Europa, já que Londres, Frankfurt, Paris ou Madrid também continuam em queda. O caso francês, com o CAC, era, à hora de abertura, o pior, numa descida de 2,75%. Já o principal índice da bolsa alemã, o DAX, abriu a cair 2,15%. O FTSE inglês está a perder 2,07% e o IBEX espanhol está a cair 1,89%.

Tudo isto a reboque da confirmação de que uma nova retaliação dos Estados Unidos à China já entrou em vigor, agora com tarifas de 104%, valor que quase duplica face aos 54% inicialmente anunciados.

Ásia deu o mote

A bolsa de Tóquio fechou em queda acentuada, com o principal índice, o Nikkei, a perder 3,93%, equivalentes a 1.298,55 pontos ao longo do dia de negociações, para 31.714,03 pontos.

O segundo indicador, o Topix, terminou a perder 3,40% para 2.349,33 pontos.

O índice Nikkei reflete a média não ponderada dos 225 principais valores da bolsa de Tóquio, enquanto o indicador Topix agrupa os valores das 1.600 maiores empresas cotadas.

A moeda japonesa, o iene, considerada como um valor de refúgio, está a subir 0,7% desde as 07:30 em Lisboa, para os 145,27 ienes por dólar.

Já as bolsas de valores da China continental e de Hong Kong registaram perdas na abertura, marcadas pelo anúncio de taxas alfandegárias adicionais de 50% sobre os produtos chineses.

Os índices de referência das bolsas de Xangai e Shenzhen caíram 2,31% e 2,58%, respetivamente, poucos minutos após o início das negociações.

O índice de referência da Bolsa de Valores de Xangai desceu cerca de 65 pontos, enquanto o da Bolsa de Valores de Shenzhen desceu cerca de 250 pontos.

As duas bolsas caíram 7,34% e 9,66%, respetivamente, na segunda-feira, na sequência do pacote de contramedidas anunciado na sexta-feira passada pelas autoridades chinesas, que incluiu taxas adicionais de 34% sobre os produtos norte-americanos.

Na terça-feira, as bolsas de Xangai e Shenzhen recuperaram 1,58% e 0,64%, respetivamente, graças aos apoios ao mercado anunciados pelas instituições de investimento estatais chinesas.

O principal índice da Bolsa de Valores de Hong Kong, o Hang Seng, caiu cerca de 3,24% nos minutos seguintes à abertura, perdendo mais de 600 pontos após os primeiros minutos da sessão, fixando-se abaixo dos 20.000.

O índice sofreu uma queda de 13,2% na segunda-feira devido aos receios de uma recessão global provocada pelas tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo, embora tenha conseguido recuperar uns ligeiros 1,51% na sessão de terça-feira.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou na terça-feira que as tarifas adicionais de 50% com que Trump ameaçou a China entram hoje em vigor.

A taxa de tributação sobre as importações do país asiático é agora de pelo menos 104%.

Na sexta-feira passada, a China lançou uma bateria de contramedidas às tarifas anunciadas na semana passada por Trump, que já elevaram as taxas sobre os produtos chineses para pelo menos 54%.

As medidas de Pequim incluem taxas de 34% sobre as importações oriundas dos Estados Unidos, sanções a algumas das suas empresas, restrições à exportação de certas terras raras, a suspensão das importações de produtos de frango e sorgo de certas empresas norte-americanas, bem como a abertura de investigações antimonopólio e antidumping contra empresas e produtos norte-americanos.

O Ministério do Comércio da China transmitiu na terça-feira a “firme condenação” à “natureza chantagista” dos Estados Unidos e avisou que o país asiático “lutará até ao fim”.

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