Este artigo não tem bolor mas ensina a lidar com os alimentos que têm (e muita atenção ao bolor nas casas - asma, asma)

17 set, 12:00
Comida com bolor (GettyImages)

Olá. Basta lavar. Máquina, a mão ou mesmo a seco.

Um guia rápido para ler e partilhar

Provavelmente já deu por si a olhar para alimentos com pequenos bocados de bolor, como peças de fruta, pão ou queijo, e questionar-se: deito fora ou ainda posso aproveitá-los? A resposta não é de sim ou não, depende dos produtos. Contudo, deve ter alguns cuidados porque o bolor é um acumulado de fungos microscópicos que cresce onde encontra humidade e pode conter substâncias tóxicas.

De acordo com Ana Sofia Baptista, correspondente médica na CNN Portugal, "os bolores são constituídos por filamentos e reproduzem-se através da produção de esporos". "Estes esporos podem disseminar-se pelo ar, água ou levados por insetos", o que faz com que possam entrar nas nossas casas de várias formas: "vento, sistemas de aquecimento e ar condicionado, roupas, sapatos, animais, etc."

Mas faz mal à saúde: A resposta não é exata porque a exposição a bolores "tanto pode ter efeitos para a saúde como não ter qualquer consequência". Estranho? Um pouco, mas tudo depende da sensibilidade de cada pessoa e do seu sistema imunitário. 

"A exposição a alguns fungos (bolores) pode causar doença através de três mecanismos: resposta imune (com alergia ou pneumonite de hipersensibilidade); infeção direta; ou efeitos tóxicos e irritantes dos produtos do bolor."

Ou seja, o contacto com estes fungos pode provocar corrimento nasal, irritação ocular e na garganta e tosse. Ou ainda "causar resposta asmática em indivíduos já sensibilizados e aumentar o risco de condições raras, como a pneumonite de hipersensibilidade, alveolite alérgica e sinusite fúngica."

O que deve e não deve deitar fora

Manchas verdes e brancas meio aveludadas na fruta, pontos verdes felpudos no pão, uma espécie de poeira branca no queijo: de certeza que já se cruzou com todos estes cenários - e se acha que estes fungos se ficam só pela superfície dos alimentos, desengane-se.

De acordo com a Food Safety and Inspection Service, agência que pertence ao departamento de Agricultura do governo dos Estados Unidos, quando os alimentos apresentam uma grande área com bolor significa que já estão profundamente contaminados. Portanto, o melhor é deitar fora.

Outra das recomendações é não cheirar estes alimentos porque pode ganhar algum problema respiratório. Limpe toda a zona onde estiveram guardados e verifique se os que estavam ao lado também não estão contaminados. O bolor espalha-se rapidamente em frutas e legumes. 

Mas existem algumas exceções, ou seja, produtos em que podemos retirar a (pequena) parte que está contaminada e consumir o resto: salame e presuntos secos; queijo duro/seco (esqueça os queijos macios como o Brie ou o Camembert ou o queijo ralado); frutas e legumes duros, como pimentos, cenouras e maçãs (pêssegos, tangerinas, tomate e pepino não têm salvação). 

Também não pode aproveitar pão, compotas, manteiga, iogurtes, bacon ou carne que já tenha pequenos pedaços de bolor.

E o bolor nas casas, também é perigoso?

Aqui a resposta é mais simples: sim. "As orientações de 2009 da Organização Mundial da Saúde sobre bolor e qualidade do ar interior referem existir prova científica suficiente para afirmar que pessoas que frequentam edifícios com bolor - casas ou edifícios públicos - têm risco aumentado de problemas respiratórios, infeções respiratórias e crises/exacerbações em doentes asmáticos", explicou à CNN Portugal Ana Sofia Baptista. 

E em orientações já deste ano sobre prevenção e gestão de asma, a Global Initiative for Asthma (GINA) recomenda "o tratamento dos bolores nas casas para reduzir os sintomas e a necessidade de medicação em pessoas com asma (nível elevado de evidência)."

"Também de mencionar que para crianças já com factores de risco para asma, a existência de bolor visível nas casas associa-se a risco aumentado de vir efetivamente a desenvolver asma", finaliza a correspondente médica. 

Bolor na roupa. Lavar ou deitar fora? 

A CNN Portugal colocou esta pergunta ao presidente da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC), João Nuno Maia e Silva, e a resposta foi perentória: "Basta lavar, na máquina, à mão ou mesmo a seco." 

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