Como é o novo Boeing 777X por dentro

CNN , Tamara Hardingham-Gill
14 ago, 12:00

Com cerca de 76,5 metros de comprimento, a aeronave pode acomodar 426 passageiros numa configuração padrão de duas classes

O Boeing 777X, descrito como "o maior e mais eficiente jato bimotor do mundo", estava originalmente programado para começar a circular em 2020, mas o lançamento do avião tem sido atormentado por atrasos.

A característica externa mais impressionante do avião, cuja estreia está agora prevista para 2025, é sem dúvida as suas pontas de asa dobráveis - uma novidade na aviação comercial.

Mas como será por dentro? Este mês, a Boeing divulgou orgulhosamente uma versão de teste do 777-9X, uma das duas variantes do 777X, no Farnborough Airshow, um evento do sector da aviação no Reino Unido, revelando pistas para aquilo que os passageiros podem esperar.

O 777 tem sido um grande sucesso para a Boeing desde que entrou ao serviço em 1995 e continua a ser o avião de fuselagem larga mais vendido. O 777X sucede ao popular mas já envelhecido 777-300ER e parece pronto a tornar-se um dos principais aviões do fabricante de aeronaves.

Uma das coisas mais percetíveis acerca deste avião experimental, além do facto de estar repleto de equipamentos de monitorização, é o seu enorme tamanho.

Visitantes a bordo do 777-9X, uma versão de teste do Boeing 777X.

Com cerca de 76,5 metros de comprimento, a aeronave pode acomodar 426 passageiros numa configuração padrão de duas classes e é mais comprido que o seu antecessor, o 777-300ER (cerca de 74 metros) e o Airbus A350-1000, que tem um comprimento de pouco menos de 74 metros.

No avião de demonstração, grande parte do espaço no interior da cabine está atualmente ocupado por estações de testagem, juntamente com enormes tanques de água usados para equilibrar a aeronave durante as condições de teste.

Embora a aeronave tenha a mesma largura externa do 777, as suas paredes laterais são mais finas, pelo que possui largura suficiente para 10 cadeiras de 46 cm em classe económica.

Depois temos as janelas. Não só são cerca de 16% maiores do que as do 777, como também foram instaladas mais acima na fuselagem para oferecer aos passageiros uma maior luz natural e uma melhor perspetiva.

Não havia compartimentos de bagagem em exibição no interior do demonstrador do 777-9X, mas a Boeing afirmou que os que serão instalados a bordo vão ter uma capacidade duas vezes superior face aos compartimentos normais e exigem menos 40% de força para se fecharem.

De acordo com a Boeing, o 777X reúne as melhores funcionalidades das famílias Dreamliner 777 e 787, com inovações adicionais . e as semelhanças são óbvias.
 

Janelas maiores

Janelas maiores: pode acomodar 426 passageiros numa configuração padrão de duas classes e a sua janela é cerca de 16% maior que a do 777.

"Tem as mesmas características do Dreamliner ao nível dos passageiros", explica Julie O'Donnell, da equipa de comunicações da divisão comercial da Boeing. "Assim como a iluminação LED e uma melhor humidade."

Tal como o Dreamliner, o 777X consegue manter uma pressão mais baixa no interior da cabine, na ordem dos 1800 km, o que "ajuda com a fadiga", disse à CNN Travel um membro da equipa de testes de voo durante uma visita guiada à aeronave, em conjunto com tecnologia aperfeiçoada para "combater a turbulência".

O avião, com cerca de 352 toneladas, está equipado com motores General Electric GE9X, os motores mais potentes alguma vez montados num avião comercial. Queimam 10% menos combustível do que os usados nos atuais 777.

Dentro da cabine de pilotagem, a cabine de voo incorpora ecrãs tácteis que podem aceitar vários pontos de contacto, permitindo que os dois pilotos interajam em simultâneo com a sua secção inferior do ecrã.

James Hanley, um dos pilotos de teste a bordo da aeronave, desfez-se em elogios ao sistema "moderno", indicando que este tem sido um sucesso entre os pilotos.

Programa rigoroso de testes 

A "moderna" cabina de pilotagem do avião apresenta ecrãs de alerta. 

Um dos muitos controlos instalados no interior é usado para operar as asas dobráveis do avião, que têm uma envergadura de cerca de 71 metros.

As asas de polímero reforçado com fibra de carbono foram projetadas especificamente para permitir que a aeronave seja compatível com as mesmas portas de embarque, pistas de circulação e descolagem que o 777.

Embora este recurso de design não seja invulgar em caças da Marinha construídos para pousar em porta-aviões, esta é a primeira vez que são instaladas pontas de asa dobráveis num avião comercial.

As pontas de asa dobráveis do avião são uma novidade para a aviação comercial.

Como resultado, a Administração Federal de Aviação dos EUA elaborou novos regulamentos para o 777-9X e o 777-8X, a sua aeronave irmã.

O 777-9 tem sido submetido a testes de voo "rigorosos", tanto em terra como no ar, e tem feito bons progressos, de acordo com a equipa de testes.

O avião fez o seu voo inaugural em janeiro de 2020 e tem agora mais de 2400 horas de voo registadas.

Espetáculo aéreo

A apresentação não foi apenas estática durante o primeiro Farnborough Airshow desde 2019.

Os participantes tiveram direito a uma espetacular exibição aérea na qual a aeronave voou num ângulo quase vertical, antes de realizar uma série de manobras impressionantes, para deleite da multidão em baixo.

"Nunca me canso de ver as pessoas a verem o avião voar", disse O'Donnell à CNN Travel pouco antes do imponente espetáculo.

A aeronave está agora de volta ao Boeing Field em Seattle e "retomou as atividades regulares".

Esta última aparição de alto nível acontece meses depois de a Boeing ter anunciado que o seu lançamento foi adiado para 2025 devido a "uma avaliação atualizada do tempo necessário para dar resposta aos requisitos de certificação".

Encomendas maiores?

A aeronave voa pelo céu durante um voo de demonstração no Farnborough Airshow. 

A Boeing já recebeu cerca de 376 encomendas para o 777X.

A Qatar Airways será a primeira companhia aérea a receber a aeronave, de acordo com o diretor-executivo, Akbar Al Baker, que disse aos repórteres no Farnborough Airshow que estava a pensar fazer uma "encomenda maior".

A companhia aérea estatal de bandeira do Qatar finalizou uma encomenda para 25 aviões 737 MAX 10 da Boeing, ao passo que a Delta Airlines anunciou que está a planear comprar 100 Boeing 737 Max da variante maior, que também esteve em exibição no evento aeroespacial.

Em março de 2019, o MAX ficou em terra durante 20 meses após dois acidentes fatais. Esta sanção foi levantada em novembro de 2020 após atualizações de software e uma revisão na formação dos pilotos. O presidente-executivo da Boeing Commercial Airplanes, Stan Deal, diz que a empresa aeroespacial tem tido uma "forte procura" pelo MAX desde que este voltou aos céus.

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