Clube quer assegurar futebol em 2025/26
O Boavista anunciou esta terça-feira que pretende formar uma equipa sénior independente da SAD para competir na época 2025/26, garantindo assim a continuidade do futebol «axadrezado», num momento particularmente delicado da sua história.
Num documento enviado aos sócios, ao qual a agência Lusa teve acesso, o presidente do clube, Rui Garrido Pereira, assumiu a responsabilidade do Boavista em assegurar o futebol sénior, «independentemente do futuro da SAD», sublinhando que o objetivo passa por «representar com dignidade os valores do clube».
«Vamos começar de forma limpa, com as nossas próprias decisões, sem dependências externas e com os nossos valores. Estamos a tentar preparar uma equipa competitiva e organizada, a partir de uma base sólida», frisou Rui Garrido Pereira, que revelou estarem já a ser trabalhadas algumas parcerias e colaborações, sempre avaliadas caso a caso.
Numa das 43 respostas dadas pelo clube no documento a perguntas sobre a atualidade, fica claro que o Boavista sentiu-se obrigado a intervir face à incapacidade da SAD liderada por Fary Faye em cumprir com as obrigações do futebol profissional. Recorde-se que o clube detém apenas 10 por cento do capital social da sociedade.
O facto de a SAD boavisteira não conseguir apresentar garantias financeiras para a inscrição na II Liga, e posteriormente o chumbo do licenciamento para a Liga 3 pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), deixaram o futebol profissional ‘axadrezado’ em risco de descer aos escalões distritais da AF Porto, caso o recurso apresentado ao Conselho de Justiça da FPF não venha a ter provimento.
«A equipa sénior do clube será inscrita na divisão compatível com a sua realidade atual. Estamos em conversações com as várias entidades, no sentido de encontrar uma solução que cumpra os regulamentos desportivos. O importante, neste momento, é que o futebol sénior seja assegurado, com seriedade e ambição para crescer com consistência», destacou o presidente.
Apesar do momento difícil, o clube assegura que o futebol de formação e as restantes modalidades se manterão como pilares fundamentais do Boavista. Rui Garrido Pereira revelou existir «manifestações concretas de interesse» para atrair investidores, e apontou ao «verdadeiro ressurgimento» do clube.
«Durante os últimos 24 anos, vivemos o tempo da SAD, numa altura em que o clube investiu tudo em nome do futebol profissional, aceitando, muitas vezes, um papel secundário. Chegou o momento de virar a página», afirmou, admitindo também falhas na comunicação com os sócios.
A necessidade de complementar o Estádio do Bessa com outras infraestruturas para garantir o trabalho das equipas foi igualmente referida, estando já em curso diversos acordos logísticos.
O Boavista foi despromovido à II Liga em maio, depois de terminar o campeonato da primeira divisão no 18.º e último lugar, pondo fim a um ciclo de 11 épocas consecutivas no principal escalão. Agora, o clube tenta reerguer-se num dos períodos «mais difíceis da sua história», após seis anos de liderança de Vítor Murta e com a nova direção eleita apenas em janeiro deste ano.
«Reconhecemos que nem tudo correu como desejávamos e sabemos que há muito por fazer. O mandato que assumimos não é de seis meses, mas de três anos, e o caminho faz-se passo a passo», concluiu Rui Garrido Pereira.
