Carmelo Fraile falou dos «danos significativos» da gestão do antigo presidente da SAD dos axadrezados
O Boavista anunciou, esta sexta-feira, que vai avançar para uma auditoria forense à gestão de Vítor Murta, anterior presidente da SAD dos axadrezados.
«Importa referir que a gestão anterior estava centrada única e exclusivamente na figura do antigo presidente, sendo que a minha saída do anterior conselho de administração [no qual era administrador não-executivo] foi uma consequência direta da falta de transparência e da concentração de poder numa única pessoa, algo que, como se percebe, causou danos significativos a esta sociedade», destacou à Lusa, administrador executivo do clube, Carmelo Fraile.
De recordar que o Boavista, há quatro mercados de transferências consecutivos, está impedido pela FIFA de inscrever novos jogadores. Agora é Fary Faye a liderar a SAD do clube.
«Ainda hoje recebemos mais dois pedidos de insolvência de ex-jogadores, relacionados com acordos incumpridos datados de 2021. Estes pedidos de insolvência, bem como as penhoras constantes, ajudam a perceber, de forma clara, as consequências diretas da má gestão do anterior presidente, que continuam a provocar enormes dificuldades ao normal funcionamento da SAD», disse o espanhol Carmelo Fraile.
Este agosto, a sociedade financeira BTL teve autorização do Tribunal Judicial do Porto para executar uma dívida das Panteras, inicialmente definida para 5,2 milhões de euros, mas com juros ascendeu a 6,8. A dívida foi assumida pela SAD do Boavista e foram realizadas algumas vendas de jogadores, como é o caso de Pedro Malheiro ao Trabzonspor ou Chidozie aos norte-americanos do Cincinnati.
«É positivo que o anterior presidente da SAD continue a falar sobre o seu trabalho, como na sua recente declaração que fez sobre a situação da BTL, pois expõe claramente os seus atos de gestão, que contribuíram para a atual situação delicada da SAD. Está claro para todos que os problemas que enfrentamos são um reflexo da sua gestão danosa, sendo que esta tentativa de desviar a atenção revela o seu desespero para escapar das suas responsabilidades", acrescentou o dirigente relativamente a Vítor Murta.
«As recentes declarações do anterior presidente da SAD servem também para desviar a atenção de um assunto muito grave. É incompreensível que uma pessoa que foi condenada pela justiça desportiva por alegado assédio sexual ainda continue na presidência do clube. A sua permanência no cargo é um desrespeito para com todos os associados e uma mancha grave na reputação do Boavista», concluiu sobre o comunicado que Vítor Murta enviou ao jornal A Bola, referindo que o Boavista «está a negociar o pagamento de uma das muitas dívidas» relativamente à construção do Estádio do Bessa, inaugurado em dezembro de 2003.