Boavista falha pagamento e tem encerramento de atividade à vista

13 jan, 17:31
Pantera no Estádio do Bessa (FOTO: Boavista)

Administradora de insolvência do clube denuncia falha do pagamento da prestação de janeiro

O Boavista arrisca a ter a sua atividade encerrada de forma imediata depois de ter falhado, esta terça-feira, o depósito de 149.680 euros na conta da massa insolvente dos credores do clube, segundo anunciou a administradora de insolvência dos «axadrezados».

«Não foi depositada na conta da massa insolvente a quantia de 149.680 euros, correspondente ao somatório de 53.680 euros, para fazer face às despesas correntes do clube este mês, e de 96 mil euros (respeitante à prestação de janeiro, a primeira de três destinadas a regularizar as dívidas vencidas e não regularizadas)», lê-se num requerimento enviado por Maria Clarisse Barros ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, ao qual a agência Lusa teve acesso.

Depois de ter depositado 55 mil euros a 22 de dezembro de 2025, correspondentes às suas despesas correntes mensais, o Boavista teria de pagar aos credores em janeiro, fevereiro e março, sempre até ao dia 10, mais 96 mil euros, acrescidos da quantia indicada pela administradora de insolvência para suportar os gastos de cada mês.

Em caso de incumprimento, Maria Clarisse Barros pode ordenar o encerramento imediato da atividade do clube do Bessa, com efeitos quinze dias depois da decisão, sem necessitar de nova convocação da assembleia de credores.

«Com efeito, nos termos deliberados na assembleia de credores, a administradora de insolvência iniciará de imediato as diligências com vista a encerrar o estabelecimento/atividade da insolvente, sendo que será oportunamente comunicado aos autos e à comissão de credores o estado das diligências em causa», acrescenta o requerimento.

A 16 de dezembro de 2025, o Boavista tinha chegado a acordo com os credores em tribunal para manter a sua atividade, com a direção presidida por Rui Garrido Pereira a afirmar estar em negociações com entidades públicas e investidores privados, na tentativa de efetivar um plano de recuperação financeira que assegurasse o futuro do clube, sem equipa de futebol sénior já há dois meses e meio.

A proposta apresentada pelo clube foi aceite em assembleia de credores, no Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, e permitiu que a instituição continuasse em atividade, sob o compromisso de cobrir o défice corrente da sua exploração.

Dois dias depois, o Boavista lançou uma campanha pública de angariação de fundos, com quatro formas de participação, dos 40 aos 40 mil euros, que ajudou a liquidar em tempo útil a tranche referente ao mês passado.

A administradora de insolvência do Boavista já tinha solicitado há dois meses ao tribunal o encerramento da atividade do clube - cuja liquidação foi aprovada em setembro -, por estar a gerar prejuízos para a massa insolvente, com o consequente acumular das dívidas.

O clube detém 10 por cento do capital social da SAD, que deveria disputar a II Liga em 2025/26, mas deixou de ter uma equipa profissional no verão e foi relegada por via administrativa para o principal escalão da Associação de Futebol do Porto, no qual é 18.ª e última colocada, estando a jogar como anfitriã no Parque Desportivo de Ramalde, a 2,5 quilómetros do Estádio do Bessa, inutilizado desde maio.

O clube inscreveu-se na quarta e última divisão distrital, mas, uma vez que está solidário com as dívidas da SAD, que contabiliza sete impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA, abdicou de competir em outubro, sem ter disputado qualquer partida esta época.

A SAD, liderada pelo senegalês Fary Faye, tem alinhado com antigos e atuais jogadores da respetiva equipa de sub-19, integrada na II Divisão nacional desse escalão, e ainda não desbloqueou as restrições da FIFA, que vigoraram em anos anteriores e reapareceram em março, impossibilitando, para já, a utilização dos reforços oficializados durante o verão.

O clube tinha lançado no verão uma equipa sénior independente da SAD, afetada pela ausência de pressupostos financeiros aquando do licenciamento para as competições nacionais e cujo direito de apresentar um plano de recuperação foi aprovado por maioria pelos credores, que votaram por unanimidade a continuidade da atividade daquela sociedade.

Despromovido à II Liga em maio, após ter fechado a edição 2024/25 da I Liga no 18.º e último lugar, o Boavista concluiu um trajeto de onze épocas seguidas no escalão principal, sendo um dos cinco campeões nacionais da história, face ao título conquistado em 2000/01.

Relacionados