Axadrezados falharam inscrição na II Liga e estão numa profunda crise financeira e desportiva
Os últimos tempos não têm sido fáceis para o histórico Boavista. Depois de descer à II Liga, a formação boavisteira falhou a inscrição na competição, ficando de fora dos escalões profissionais em 2025/26.
Com uma possível descida de vários escalões à vista, a direção do clube informou que tomará uma posição esta segunda-feira relativamente aos terrenos do complexo desportivo junto ao Estádio do Bessa.
«Perante a premência da situação, a direção do clube está preparada para tomar uma posição firme já na próxima segunda-feira, com o objetivo de desbloquear o processo e criar condições para que todas as partes se possam sentar à mesa das negociações e trabalhar em conjunto na construção de uma proposta», informou Rui Garrido Pereira, presidente do clube.
Entre março e maio de 2024, o Boavista não recebeu propostas mínimas para os campos de treinos. E, por esse motivo, as licitações foram reabertas a 4 de junho, com um valor de abertura de 2,9 milhões de euros.
A verba base é de 5,7 milhões de euros e a fasquia mínima aceite para a aquisição da infraestrutura completa é de 4,9 milhões de euros. O valor mais alto recebido em 2024 foi de 3,3 milhões de euros.
Os terrenos, que contam com um parque de estacionamento público subterrâneo e diversos equipamentos desportivos, num total de 22,5 mil metros quadrados de área, poderão ser licitados através do portal e-leilões até às 10 horas de 8 de julho.
«Apesar de se encontrarem em curso conversações avançadas com vista a uma solução concertada, reconhecemos que os diferentes ritmos e requisitos dos vários intervenientes impõem desafios assimétricos aos prazos legais do leilão. O Boavista mantém-se inteiramente disponível para o diálogo, mas determinado em defender o seu património, os seus ativos desportivos e o futuro da instituição», referiu o líder axadrezado.
Quem adquirir os terrenos vai herdar também um contrato de exploração de infraestrutura desportiva que perdurará até julho de 2075. Essa decisão está mencionada num documento assinado no passado, altura em que Vítor Murta ainda era presidente do clube.
O Boavista interrompeu uma sequência de 11 épocas seguidas na Liga. Na quinta-feira, a direção do axadrezada já tinha lamentado a falha da inscrição na II Liga e exigido consequências à administração liderada pelo senegalês Fary Faye.
O campeão nacional de 2000/01 segue num momento de crise. Com a próxima temporada cheia de incertezas, o clube boavisteiro tem a esperança de conseguir, pelo menos, algum encaixe financeiro.