Bloqueio ómega: o efeito que transformou a Europa numa panela a ferver e pode durar semanas

24 jun, 21:05
Homem sofre com o calor num transporte público de Londres (Kin Cheung/AP)
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Só em França já morreram mais de 50 pessoas, a esmagadora maioria delas afogadas quando desesperavam para se refrescarem na água. A situação descontrolada também está a afetar o Reino Unido, Itália ou Espanha

É uma autêntica cúpula de calor, uma espécie de tampa que tapa uma panela chamada Europa, que por estes dias ferve em temperaturas completamente anormais para esta altura do ano.

Com vários recordes a serem batidos em França ou no Reino Unido - a fotografia de capa deste artigo mostra um homem em sofrimento num transporte público de Londres -, há já dezenas de mortes a contabilizar, nomeadamente as dezenas que foram provocadas pelos afogamentos de pessoas, em grande parte jovens, que procuravam refrescar-se.

Com recordes a serem autenticamente pulverizados, o Reino Unido registou temperaturas de 36,1 graus Celsius a sul, enquanto Paris estabeleceu um novo valor máximo para junho: 40,9 graus. Isto depois de França ter batido o recorde máximo de temperatura, com os 44,3 graus registados em Pissos, no sul.

Em Itália, o Ministério da Saúde colocou 16 cidades, incluindo as gigantes Florença, Milão, Roma, Turim ou Roma, no nível máximo de alerta, avisando que o pior pode até estar para vir, com o pico a ser esperado para o fim de semana.

Voltando a França, são 53 os mortos já confirmados. Além dos casos de 48 afogamentos de pessoas que procuravam refrescar-se há ainda a registar a morte de duas crianças que ficaram presas num carro e três idosos.

Foi o que aconteceu também em Espanha, onde dois idosos morreram num golpe de calor após vários dias consecutivos com temperaturas acima dos 40 graus, num junho com vários recordes a serem registados.

A situação é tão grave que até o fornecimento elétrico está a ser impactado em França. De acordo com a agência Reuters, as centrais nucleares tiveram de cortar a sua capacidade de produção em 7%, já que as altas temperaturas estão a dificultar a refrigeração da água que atua sobre os reatores.

E tudo isto causado por um fenómeno chamado de bloqueio ómega, uma formação que retém o calor e que está a atirar os termómetros para temperaturas que são até 18 graus acima do normal para esta altura, de acordo com o Monitor do Clima da agência Reuters.

O nome é dado pela parecença que o fenómeno tem com a letra do alfabeto grego Ω, e que aprisiona o calor em várias regiões por longos períodos. Como uma espécie de vale de calor, é também caraterizado por ter nas pontas sistemas de baixas pressões que são mais frios.

Na prática, a alta pressão dentro daquela área fica como que presa - daí o bloqueio -, o que também altera as correntes que transportam os sistemas meteorológicos, que normalmente fluem de oeste para este.

Durante um bloqueio ómega esse efeito é interrompido, podendo mesmo sofrer uma distorção drástica para norte e para sul, o que resulta no isolamento dos sistemas de pressão.

O resultado é o que estamos a ver: o ar quente fica estagnado e retido na mesma área por um período que normalmente dura entre três a dez dias, mas que pode mesmo durar semanas.

Nessa zona central da tal panela as condições tornam-se quentes e secas, com a alta pressão a afastar também a formação de nuvens, resultando em céus limpos e, em consequência, num sol abrasador que eleva ainda mais as temperaturas.

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