BE propõe vinculação extraordinária de professores e fim dos horários incompletos

Agência Lusa , BC
20 set, 18:37
Matemática

Catarina Martins diz que o partido entergou propostas no parlamento

O Bloco de Esquerda anunciou esta terça-feira a entrega no parlamento de propostas para a vinculação extraordinária de professores que são trabalhadores precários, para o fim dos horários incompletos e o pagamento dos custos dos docentes deslocados.

“Trabalhadores precários mas que as escolas sabem que precisam deles, então é preciso dar-lhes o contrato, a vinculação, para eles poderem ficar mesmo na escola, para as escolas saberem que os professores que têm agora podem tê-los até ao final do ano, se eles quiserem ficam vinculados”, defendeu a líder do partido, Catarina Martins, durante uma visita à escola Secundária da Baixa da Banheira, concelho da Moita, Setúbal.

A coordenadora do BE defendeu, no arranque do novo ano letivo, que é necessário “acabar com os horários incompletos” dos professores, considerando que “horários incompletos são salários incompletos”.

E criticou que os docentes sejam sujeitos a “dar aulas por salários mesmo de absoluta miséria”, afirmando que “é preciso dar autonomia às escolas para encontrarem outras atividades que aqueles professores podem fazer" como "projetos educativos aliciantes" para completar o horário e, dessa forma, completar o salário.

Outra proposta do BE prende-se com os professores que estão deslocados, e prevê que “seja pago o custo que têm com essa deslocação”.

“Os professores não conseguem pagar as viagens, não conseguem pagar a renda da casa”, referiu Catarina Martins, alertando que “já era difícil antes, com este momento da inflação ainda pior”.

“Estas três propostas urgentes podiam dar-nos um ano letivo um pouco mais calmo, com mais professores na escola”, defendeu, indicando que estas propostas já deram entrada no parlamento e que o partido espera que sejam debatidas em breve, ainda antes da discussão da proposta de Orçamento do Estado para 2023, que deverá dar entrada na Assembleia da República até 10 de outubro.

A coordenadora do Bloco defendeu que “faltam professores” nas escolas e que os que existem estão “a substituir-se aos trabalhadores que a escola não tem, como por exemplo os assistentes técnicos”.

E considerou que “há muitas escolas a começarem o ano também sem saberem bem com quantos professores acabam o ano”.

“Os professores têm salários tão baixos, tão baixos, que não conseguem pagar uma renda da casa, e muitas vezes quando têm oportunidade de ir trabalhar para outro sítio vão”, indicou.

Questionada sobre o "novo contrato social para a educação" defendido pelo primeiro-ministro na ONU, Catarina Martins considerou que "é absolutamente inexplicável que o Governo ano após ano continue a fazer anúncios que sabe que vão resultar em zero" e defendeu que "estava na altura de fazer alguma coisa concreta".

"Os sucessivos anúncios que têm sido feitos são anúncios para o Governo dar a ideia de que está a fazer alguma coisa sobre a escola mas quando vimos reunir com as escolas o que nos dizem é que nada disso funciona e continuam a ter horários incompletos, em que ninguém pode ficar porque o salário não chega para viver, continuam a ter plataformas que não funcionam, não têm sequer um funcionário administrativo para poder lidar com todos os problemas burocráticos, administrativos, contabilísticos das contratações", explicitou.

Considerando que "é neste pesadelo que está hoje a escola pública", Catarina Martins defendeu que "é o investimento na escola que é fundamental neste momento".

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