Antiga líder do Bloco de Esquerda afirma que a sua "candidatura coloca no centro o cuidado" e pretende "juntar forças para devolver a confiança da democracia"
"Quero cuidar da democracia, cuidar dos bens comuns, cuidar da paz. Cuidar da igualdade e da liberdade. Juntar forças para devolver a confiança da democracia" - este são os objetivos de Catarina Martins para apresentar a sua candidatura à Presidência da República.
Numa mensagem enviada aos militantes do Bloco de Esquerda, a que a CNN Portugal teve acesso, a antiga coordenadora do partido e atual eurodeputada, anuncia a sua candidatura à presidência acima de tudo como uma forma de proteger e defender a democracia. "É urgente popularizar a democracia", apela. "Enfrentemos os poderes que se movem na sombra, porque é o povo e a sua vida que têm de estar no centro da decisão política. A democracia é do povo e porque responde ao povo é defendida pelo povo."
"Há uns meses, durante o apagão, quando a grande distribuição fechou e os multibancos pararam, as lojas de bairro venderam fiado e os vizinhos ajudaram-se. Neste verão, as pessoas uniram-se para fazerem frente ao fogo e salvaram as suas aldeias. Anónimos depositaram flores ao lado do Elevador da Glória. Famílias acolheram outras famílias que fugiram de guerras. Chorámos com as mães de Gaza. A solidariedade é uma grande força de Portugal", diz Catarina Martins.
"Há quem queira negar esta força", escreve. E, sem nunca referir o Chega, mas deixando bem claro a quem se refere, continua: "Aqueles que escolhem o insulto em vez do argumento e que semeiam o ressentimento para tolher a esperança. Nunca como hoje sentimos o perigo desta rampa deslizante; não é uma questão de franjas da população nem mesmo de uma bancada parlamentar ruidosa. A voz da selvajaria está no centro da decisão política e a contaminar as instituições."
"O que estamos a viver não é uma repetição do passado. É novo e veloz. É global e é aqui, na nossa casa comum. Exige a nossa indignação, imaginação, coragem, ação. Sem hesitações, eu quero ajudar a mudar já os termos do debate em Portugal. A degradação a que assistimos não pode ser normalizada nem desvalorizada", explica.
"Estou empenhada em centrar o debate político na exigência da dignidade do trabalho, no direito à habitação, no apoio nas diferentes etapas da vida, no acesso à saúde, à educação e à cultura, no combate a todas as desigualdades e discriminações, em serviços públicos de qualidade que nos tratem como iguais e em que possamos confiar. Apresento a minha candidatura presidencial com estas urgências. Uma candidatura inspirada na nossa força solidária, que faz pontes, que ouve e aprende com quem constrói Portugal todos os dias, E, claro, com a combatividade da mulher que sou. A minha candidatura coloca no centro o cuidado."