Catarina Martins: "O PS achou que era uma boa altura para ter maioria absoluta. Eu acho um erro"

29 dez 2021, 07:55

Em entrevista à CNN Portugal, a líder do Bloco de Esquerda não poupa críticas ao Governo de António Costa mas mostra-se disponível para negociar

Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, não se arrepende de ter votado contra o Orçamento de Estado e assim ter contribuído para a queda do Governo. Pelo contrário, responsabiliza o Governo pela crise política que vivemos: "Na verdade o Partido Socialista decidiu não fazer nada com a esquerda, decidiu criar uma crise política porque achou que era uma boa altura para ter maioria absoluta. Eu acho um erro, preferia que tivesse havido um acordo à esquerda", diz, em entrevista exclusiva à CNN Portugal.

A líder bloquista sublinha que a posição do partido na votação do Orçamento não foi um capricho: "As questões da governação não podem ser as questões de um clube, agora governa um, depois outro. Têm a ver a com as questões concretas da vida das pessoas", diz. "Se o orçamento correspondesse às necessidades do país claro que sim [teria viabilizado]".

Agora, olhando para as eleições de 30 de janeiro, Catarina Martins está confiante: "Só há uma maioria de direita se a esquerda não for votar, e a esquerda não vai votar se se considerar absolutamente afastada por um modelo de governo do Partido Socialista que não fez nada pelo trabalho, que não fez nada pela saúde e que na verdade andou a governar com os votos da direita até agora", afirma.

A bloquista não poupa crítica ao Governo que "não fez nada para fixar os profissionais do serviço nacional de saúde" nem para evitar que tenhamos "demissões nos hospitais todos os dias". Por isso, "o Bloco de Esquerda apresenta um programa com uma reforma profunda do serviço nacional de saúde, para que possa responder ao país".

Mais do que discutir eventuais resultados eleitorais, Catarina Martins diz que neste momento o partido está preocupado em "como é que vamos fazer de Portugal um país onde quem trabalha vive condignamente".

No entanto, não exclui a possibilidade de, após as eleições, negociar com o PS: "Nós vamos a eleições com as nossas propostas e vamos com a nossa disponibilidade também para soluções de governo que respondam a condições concretas do nosso país".

Catarina Martins foi a terceira líder partidária entrevistada pela CNN Portugal esta semana, depois de António Costa, do PS, e Rui Rio, do PSD. Amanhã será a vez de Jerónimo de Sousa, do PCP.

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