Alegações de assédio durante as filmagens de "Isto Acaba Aqui" quase levou o caso a tribunal, mas os dois atores acabaram por chegar a acordo
A batalha judicial de grande impacto entre Blake Lively e a produtora de Justin Baldoni já não irá a julgamento, depois de as partes terem anunciado um acordo apenas duas semanas antes do início da seleção do júri.
Os detalhes do acordo não foram divulgados de imediato.
Lively interpôs uma ação judicial alegando que Baldoni a assediou sexualmente durante as filmagens de "Isto Acaba Aqui", filme em que contracenaram juntos e que foi realizado por Baldoni. Segundo Lively, Baldoni orquestrou posteriormente uma campanha difamatória como retaliação por ter denunciado o alegado assédio. Baldoni negou todas as acusações.
No mês passado, um juiz federal rejeitou 10 das 13 alegações do processo de Lively, incluindo assédio sexual e difamação, reduzindo consideravelmente o âmbito do caso. Algumas das alegações rejeitadas, incluindo as de assédio sexual, foram anuladas por questões técnicas, como o facto de Lively ser considerada uma profissional independente e não uma funcionária.
As restantes três acusações - retaliação, cumplicidade em retaliação e quebra de contrato - não eram contra Baldoni pessoalmente. A sua produtora, Wayfarer, uma sociedade criada para o filme, e uma empresa de relações públicas contratada pela sua equipa eram os réus nas restantes acusações.
O julgamento, que estava marcado para começar a 18 de maio com a seleção do júri, seria o culminar de um drama jurídico de um ano que captou o interesse do público.
Num comunicado divulgado esta segunda-feira pelos advogados de Lively e dos restantes arguidos, estes reconheceram que o processo de produção do filme “apresentou desafios” e que as “preocupações levantadas pela Sra. Lively mereciam ser ouvidas”.
“Continuamos firmemente comprometidos com ambientes de trabalho livres de impropriedades e improdutivos”, pode ler-se no comunicado. “Esperamos sinceramente que isto encerre o caso e permita que todos os envolvidos avancem de forma construtiva e pacífica, incluindo num ambiente online respeitoso”.
Como tudo começou
A batalha judicial entre Lively e Baldoni começou no final de 2024, quando o The New York Times noticiou que Lively tinha apresentado uma queixa ao Departamento de Direitos Civis da Califórnia sobre a alegada conduta de Baldoni durante e após a produção de "It Ends With Us", uma adaptação do romance homónimo de Colleen Hoover.
Posteriormente, Lively interpôs uma ação civil num tribunal federal de Nova Iorque contra Baldoni, a sua produtora Wayfarer Studios e vários outros.
Na queixa, Lively alegou que Baldoni fez comentários sexuais a mulheres no set e falou sobre a sua vida sexual pessoal, incluindo o seu "vício anterior em pornografia". Acusou-o ainda de improvisar cenas de intimidade que não tinham sido coreografadas, incluindo em algumas filmagens que foram posteriormente divulgadas publicamente.
Nos documentos judiciais, Baldoni afirmou que o alegado comportamento se resumiu a "nada mais do que mal-entendidos e comentários embaraçosos" e argumentou que algumas das conversas eram relevantes, dado que a história do filme aborda temas adultos íntimos. A equipa de produção ouviu as preocupações de Lively na altura e implementou as mudanças solicitadas por ela, alegou o ator.
Lively alegou ainda que Baldoni e a sua equipa "mobilizaram posteriormente um exército digital" para manipular a opinião pública contra ela.
Os advogados de Baldoni argumentaram nos documentos judiciais que a sua equipa de relações públicas agiu como esperado depois de Lively "ter tentado destruir a sua reputação".
O processo judicial ficou marcado por uma troca de acusações que gerou manchetes, principalmente quando se tornaram públicas trocas de mensagens de texto e vídeos do set de filmagens. A dada altura, a correspondência de Lively com a sua amiga, a super-estrela Taylor Swift, tornou-se o foco das atenções.
No ano passado, os advogados de Lively acusaram o advogado de Baldoni, Bryan Freedman, de fazer declarações públicas "enganosas e seletivas" sobre Lively e a sua disputa judicial em curso, e pediram ao tribunal uma audiência "para discutir a conduta apropriada dos advogados daqui para a frente". O juiz responsável pelo caso aconselhou os advogados a evitarem declarações públicas que pudessem prejudicar o processo.
Durante a saga judicial, Baldoni também interpôs um processo de difamação no valor de 400 milhões de dólares contra Lively e o marido, a estrela Ryan Reynolds, alegando que se "apropriaram indevidamente" do seu filme e tentaram destruir a sua carreira. Um juiz federal rejeitou o processo em junho passado.
A decisão do juiz não abordou o mérito da queixa de Baldoni, mas antes considerou que as alegações de assédio sexual de Lively estavam protegidas por lei e não podiam servir de base para um processo por difamação.
O juiz rejeitou ainda um processo por calúnia que Baldoni moveu contra o The New York Times. Baldoni alegou que o seu artigo que detalhava as afirmações de Lively estava "repleto de imprecisões, deturpações e omissões". Num comunicado na altura, o jornal defendeu a sua reportagem, afirmando que o artigo foi "apurado com minúcia e responsabilidade".
Carolyn Sung, da CNN, contribuiu para esta reportagem