"C" é a primeira mulher a chefiar o MI6 e este é o seu aviso à Europa: "A linha da frente está em todo o lado"

CNN , Caitlin Danaher e Nick Paton Walsh
15 dez 2025, 10:08
Blaise Metreweli tornou-se a primeira mulher a liderar o Serviço Secreto de Informações, nos seus 116 anos de história, quando assumiu funções neste outono. United Kingdom Foreign Office/AP

Blaise Metreweli é o único membro publicamente identificado desta organização notoriamente secreta

A nova diretora dos serviços de informações externas do Reino Unido, o MI6, vai alertar a nação de que a “linha da frente está em todo o lado” no seu primeiro discurso público, esta segunda-feira, num contexto em que o Reino Unido enfrenta uma ameaça crescente por parte da Rússia.

Blaise Metreweli tornou-se a primeira mulher a chefiar o Serviço Secreto de Informações nos seus 116 anos de história, quando assumiu o cargo neste outono. Conhecida habitualmente como “C”, é o único membro publicamente identificado desta organização notoriamente secreta.

Num discurso que terá lugar na sede do MI6, em Londres, a que a CNN teve acesso, Metreweli vai destacar o cenário cada vez mais complexo de ameaças que o Reino Unido enfrenta, incluindo a disrupção tecnológica, a manipulação da informação e o terrorismo.

A diretora abordará também a ameaça aguda representada por uma Rússia “agressiva, expansionista e revisionista”, a par de outros atores hostis.

“A exportação do caos é uma característica, não um erro, na abordagem russa ao envolvimento internacional; e devemos estar preparados para que isto continue até que (o presidente russo Vladimir) Putin seja forçado a alterar os seus cálculos”, deverá afirmar.

Especialistas em segurança dizem que a Rússia tem vindo a travar uma guerra híbrida contra os aliados ocidentais da Ucrânia, na sequência da invasão em grande escala do país vizinho por Moscovo. No Reino Unido, operacionais apoiados pela Rússia incendiaram fábricas ligadas à Ucrânia, segundo a polícia.

Noutros pontos da Europa, drones avistados perto de aeroportos levaram à suspensão de voos, o espaço aéreo da NATO foi violado na Polónia e na Roménia, e cabos submarinos foram danificados no mar Báltico, alimentando receios de sabotagem. A Rússia não reivindicou responsabilidade por qualquer envolvimento nestes incidentes.

Metreweli deverá também sublinhar a importância de dominar a tecnologia, seja em laboratórios, no terreno ou nas técnicas operacionais do MI6. A responsável liderou anteriormente as equipas de tecnologia e inovação do serviço, um cargo tornado famoso como “Q” nos filmes de James Bond.

“Temos de estar tão à vontade com linhas de código como estamos com fontes humanas, tão fluentes em (linguagem de programação) Python como em várias línguas”, deverá dizer.

A chefe dos serviços secretos concluirá o discurso sublinhando o poder da ação humana no combate às ameaças à segurança do Reino Unido.

“O desafio definidor do século XXI não é apenas quem detém as tecnologias mais poderosas, mas quem as orienta com maior sabedoria. A nossa segurança, a nossa prosperidade e a nossa humanidade dependem disso”, dirá Metreweli.

Num mundo mais perigoso e mediado pela tecnologia, a responsável apelará à “redescoberta da nossa humanidade partilhada” para determinar como o futuro se desenrola.

“Não é o que podemos fazer que nos define, mas o que escolhemos fazer. Essa escolha - o exercício da ação humana - moldou o nosso mundo antes e voltará a moldá-lo”, deverá afirmar.

A intervenção da diretora do MI6 surge apenas uma semana depois de um discurso da ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Yvette Cooper, no qual destacou a ameaça da guerra de informação. O governo sancionou numerosas organizações e indivíduos responsáveis por “executar a guerra de informação da Rússia”, disse Cooper, bem como duas empresas sediadas na China pelas suas “vastas e indiscriminadas atividades cibernéticas contra o Reino Unido e os seus aliados”.

No início deste ano, o MI6 lançou um portal online destinado a utilizar a dark web para atrair potenciais espiões a enviar segredos, visando particularmente a Rússia.

O portal, chamado Silent Courier, permite o acesso anónimo a uma plataforma segura de mensagens do MI6, onde os utilizadores podem enviar informações aos serviços de informações britânicos a partir de qualquer parte do mundo. O lançamento ocorreu depois de o antigo diretor dos serviços secretos, Richard Moore, ter feito um raro discurso público em Praga, em julho de 2023, no qual apelou a cidadãos russos para espionarem para o Reino Unido.

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