Marcas estão otimistas para a Black Friday - inflação ainda não trava consumo

24 nov, 12:32
Black Friday pelo mundo

Apesar da inflação os retalhistas não esperam uma retração no consumo nesta Black Friday. Os descontos chegam aos 80% e a possibilidade de compras a crédito faz parte da oferta das várias marcas

Nasceu nos Estado Unidos, mas é já considerada uma das épocas mais movimentadas do ano para o comércio nacional. À semelhança de anos anteriores, os retalhistas apostam em estender a Black Friday por vários dias e as expectativas são elevadas. Ao ECO, as marcas não antecipam uma retração no consumo, apesar da inflação. E há quem aponte que é uma boa oportunidade para antecipar as compras de Natal.

“A nossa expectativa é elevada, perspetivando-se um crescimento de dois dígitos, com maior afluência às lojas, em especial dada a redução de restrições impostas pela pandemia“, destaca Pedro Falé, diretor comercial da Fnac, ao ECO. Numa altura em que as vendas durante a Black Friday representam mais de 40% do total de vendas da cadeia francesa durante o mês de novembro, para a edição deste ano a empresa decidiu estender as promoções durante 11 dias, dado que acreditam que “as pessoas ainda não estão preparadas para voltar ao registo pré- Covid, onde a afluência às lojas era condensada em três dias”.

Assim, desde o dia 17 e até 28 de novembro, a Fnac tem a decorrer uma campanha com descontos até 60% em vários artigos tecnológicos, como telemóveis, smartwatches, jogos, computadores e sistemas de som. Adicionalmente, e com o Mundial do Qatar a decorrer, há também “um foco especial na área da televisão”.

O otimismo é partilhado pela MediaMarkt, que diz ter expectativas “são muito positivas”, pelo que espera “uma ótima adesão dos clientes”, apesar da inflação, que supera os 10% em Portugal. À semelhança de anos anteriores e tal como a Fnac, este retalhista optou por “antecipar as ofertas e espaçá-las ao longo do mês de novembro”, de forma a que os clientes possam “organizar e planear as suas compras não só para a Black Friday mas também para a Cyber ​​Monday e o Natal”. “A chave para preparar esta campanha foi a planificação“, afirma Miguel Sousa, diretor regional para Portugal da MediaMarkt Iberia, acrescentando que a marca fechou “os preços e os produtos com seis meses de antecedência”.

Esta estratégia é, aliás, partilhada pela Worten, cuja Black Friday arrancou a 27 de outubro, com três dias sem IVA, e termina a 28 de novembro, dia de Cyber Monday. Sem revelar dados concretos de vendas, António Fuzeta da Ponte, diretor de marca e comunicação da insígnia da Sonae, adianta, em entrevista ao +M/ECO, que a Black Friday “representa o melhor mês de vendas“ e está “taco a taco com o Natal”. Tal como a Fnac, a Worten tem uma política em que se o cliente encontrar um produto mais barato devolvem a diferença. “Isto faz com que não existam picos de consumo na loja”, explica António Fuzeta da Ponte.

Acreditamos que ainda não vai haver uma diminuição no consumo, com a proximidade do Natal e com a afluência totalmente livre às lojas físicas este ano”, André Marques da Silva, CEO da GMS Store.

Ainda no mercado de bens eletrónicos, mais comedida é a GMS Store, que, ainda assim, acredita que “não irá existir uma diminuição no consumo”, dada a proximidade com o Natal e “a afluência totalmente livre às lojas físicas este ano”. Com o estatuto de revendedor premium da Apple em Portugal, a marca tem a decorrer a campanha da Black Friday de 11 a 25 de novembro, com descontos que chegam aos 70%, ainda que exista um stock limitado. “Para os produtos Apple, onde o stock é limitado, os mesmos estarão em campanha no Black Friday – apenas no próprio dia [25 de novembro], para não defraudar as expectativas dos nossos clientes“, afirma André Marques da Silva, CEO do grupo, ao ECO.

Já o El Corte Inglês realça que, face à atual conjuntura económica, os portugueses “estão ainda mais atentos e controlados nos seus gastos”, pelo que considera que “a Black Friday é uma boa oportunidade para os clientes comprarem aquilo que desejam a um preço mais atrativo”, bem como para anteciparem as compras de Natal. Na cadeia espanhola, os descontos “podem ultrapassar os 40%” em alguns artigos e a campanha prolonga-se durante toda a última semana de novembro.

A posição é partilhada pela Via Outlets. “O contexto económico é propício a uma compra mais racional, que procura aproveitar as oportunidades e os descontos”, afirma Catarina Tomaz, diretora de marketing do grupo em Portugal, que detém os centros comerciais Freeport e Vila do Conde Porto Fashion Outlet. Em ambos os centros comerciais, a Black Friday decorre entre 18 e 28 de novembro e os descontos começam nos 30% e podem chegar aos 80% sobre o preço original.

Com fim das restrições Covid, click and collect ganha terreno

A pandemia acelerou as vendas online, forçando vários retalhistas a apostar numa estratégia omnicanal, com os produtos disponibilizados online e também nas lojas física. Com o levantamento total das restrições, na Fnac “o comportamento online e misto estabilizou um pouco acima do que era verificado antes”, com o peso do e-commerce a rondar os 20%.

Não obstante, a cadeia francesa denota um crescimento do click and collect, isto é, quando a compra é feita online, mas os clientes vão buscá-la à loja, com esta opção a representar já “cerca de 60% das escolhas de entrega quando a compra é realizada online”, destaca o diretor comercial da Fnac, Pedro Falé. Com 200 lojas espalhadas de norte a sul do país, a Worten explica que “metade das entregas online são feitas em loja”, comportamento idêntico ao registado pela Rádio Popular – que arrancou a campanha da Black Friday a 27 de outubro e vai prolongá-la durante todo o mês de novembro -, adianta ao ECO fonte oficial da marca.

Depois da pandemia, o comportamento online e misto estabilizou um pouco acima do que era verificado antes. (…) O click and collect é um dos serviços mais utilizados e representa cerca de 60% das escolhas de entrega quando a compra é realizada online", Pedro Falé, diretor comercial da Fnac Portugal.

“O click and collect aumentou significativamente, o multicanal para se relacionar com a empresa, a abordagem holística que as marcas fizeram ao se reinventarem ao longo destes quase 3 anos alterou a gestão das lojas físicas com a loja online“, corrobora o CEO da GMS Store, não adiantando, no entanto, valores sobre o peso das vendas online no grupo.

Esta tendência é, aliás, notória no estudo da Black Friday 2022, elaborado pela NetSonda para a Worten – e partilhado com o +M/ECO -, que pretende analisar a notoriedade e impacto da campanha, os touchpoints e os hábitos de compra dos portugueses. Entre os inquiridos que pretendem fazer compras nesta época, 24% tencionam fazê-lo online, 14% em loja e metade (51%) em ambos os canais. Também as expectativas de gastos não sofrem grandes alterações, com os os portugueses a estimarem gastar, em média, 326 anos nesta Black Friday, menos um euro do que o ano passado.

Em sentido contrário, no El Corte Inglés e nos centros comerciais Freeport e Vila do Conde Porto Fashion Outlet as compras em loja continuam a estar em destaque. “A Black Friday é uma altura em que registamos uma grande pesquisa nas lojas online, mas a concretização da compra acontece nas lojas físicas, sobretudo na área de tecnologia”, sublinha a cadeia espanhola. Já Catarina Tomaz aponta que no caso dos centros comerciais detidos pela Via Outlet, e apesar de existirem algumas lojas com vendas online, “é o canal físico que ganha peso”, nomeadamente no que toca lojas de roupa e acessórios.

Compras a crédito a crescer

Com a inflação a disparar, e a consequente perda de poder de compra, há cada vez mais retalhistas a permitirem compras a crédito. É o caso da Fnac que tem um plano que permite a compra de produtos a crédito “com pagamento de mensalidades certas a partir de 20 euros por mês para compras a partir de 150 euros“, explica o diretor comercial da cadeia francesa ao ECO. Além disso, a Fnac vai também dispor de “uma campanha de 12 prestações sem juros”, acrescenta Pedro Falé, sinalizando que o plafond máximo é de 30 mil euros em crédito pessoal e de 5 mil euros em cartão Fnac.

Já a GMS Store iniciou uma campanha de financiamento “com mensalidades certas, o que permite aos consumidores escolherem a mensalidade com a qual se sentem mais confortáveis mediante o seu orçamento mensal”, explica o CEO da revendedora da Apple em Portugal. Ao mesmo tempo, especificamente para as compras online o grupo iniciou uma parceria com a sueca Klarna, tendo em vista permitir “uma modalidade de pagamento “buy now, paylater” com pagamento em três mensalidades sem juros nem despesas“.

Por outro lado, os centros comerciais detidos pela Via Outlets contam, desde 2011, com um cartão de financiamento, que permite aos clientes comprarem a crédito durante todo o ano. “Com ele é possível dividir o pagamento das compras em três, seis e dez mensalidades sem juros”, nas lojas aderentes deste cartão no Freeport e no Vila do Conde Porto Fashion Outlet, sinaliza Catarina Tomaz.

Também o El Corte Inglés permite aos clientes com cartão da cadeia espanhola “repartir os pagamentos até 12 meses sem juros”. As compras a crédito são também uma possibilidade na Worten, MediaMarkt e Rádio Popular.

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