Bispo do Porto diz que apego a animais é "típico das sociedades decadentes". PAN responde que o abuso de menores é que "é abjeto"

Agência Lusa , CE
14 out 2022, 14:47
Inês de Sousa Real (Lusa/António Cotrim)

Inês Sousa Real lembrou que a igreja "tem uma responsabilidade na construção de uma sociedade que respeite todos os seres vivos, pessoas e animais"

O PAN criticou esta sexta-feira o bispo do Porto por considerar "típico das sociedades decadentes" a substituição dos laços entre pais e filhos pelo apego a animais, afirmando que os abusos a menores são do "mais abjeto que há".

Numa publicação na sua página da rede social Twitter, na quinta-feira, o bispo do Porto escreveu que “todos os contactos e relacionamento criam especiais laços de amizade”, mas “os laços de sangue entre pais e filhos possuem uma tal força que nada os desfaz”.

“Nunca os substituamos pelo apego a um qualquer animal de estimação, típico das sociedades decadentes”, acrescentou Manuel Linda nesta publicação, na qual faz ligação para um texto publicado no site da Diocese do Porto.

"Os abusos contra menores tipificam o de mais abjeto que há em sociedade"

Estas palavras levaram a líder do PAN a manifestar a sua indignação, através da mesma rede social, considerando que “a igreja também tem uma responsabilidade na construção de uma sociedade que respeite todos os seres vivos, pessoas e animais”.

“Os laços de amizade que unem o ser humano aos animais nada têm de decadente! Já os abusos contra menores tipificam o de mais abjeto que há em sociedade”, defendeu Inês Sousa Real.

A deputada única do PAN refere que, na sua “educação católica” teve “a felicidade de encontrar” quem “transmitisse os vários exemplos de quem apregoava ao respeito por todas as criaturas vivas, a começar por S. Francisco de Assis!”.

“São inúmeras as citações de S. Francisco que apelavam à compaixão e respeito pelos animais, enquanto elementos da criação. Mas perante as palavras do Bispo do Porto, é mesmo pertinente recordar que ‘onde há amor e sabedoria, não tem temor e nem ignorância’”, acrescenta Inês de Sousa Real.

Nessa mensagem publicada no site da Diocese do Porto, intitulada “laços”, conta-se a história de um pai que pediu ao bispo que rezasse pelo seu filho mais novo que estava doente e que, passado algum tempo, a família foi ter com Manuel Linda para “agradecer” porque a criança “se salvou”.

“Definiu-me mais o que é um pai do que toda uma enciclopédia sobre o tema”, refere neste texto, considerando que “é o mistério da paternidade, algo que a inteligência raciocinante não explica, mas o coração sente com uma intensidade só comparável à beleza que exprime”.

O bispo continua, indicando que presenciou, no mesmo dia, “um homem e uma mulher, na casa dos trinta, empurrando, cada um deles, um carrinho onde não iam bebés, mas… cães” e “como se fosse pouco, à noitinha, mais outra cena: dois atletas em bicicleta, cada uma delas com atrelado” onde estavam “outros dois cães”.

Manuel Linda termina a mensagem referindo: “’Adorarão animais’, dizia o Cura d’Ars. Para desgraça de quem troca a humanidade pela animalidade”.

Nas últimas semanas, o bispo Manuel Linda tem estado envolto em polémicas com declarações que fez a propósito de casos de abuso sexual de crianças na igreja.

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