Ficheiros Epstein mostram Clinton num jacuzzi e em festas com Jagger e Jackson

Agência Lusa , MM
20 dez 2025, 08:49
Clinton surge em fotografias nos ficheiros de Epstein

Algumas das vítimas saúdam a divulgação de milhares de arquivos do caso pelo Departamento de Justiça, mas questionaram a falta de mais dados e informações fundamentais

Imagens do ex-presidente norte-americano Bill Clinton a relaxar num jacuzzi e fotografias de Jeffrey Epstein, criminoso sexual condenado, com celebridades como Mick Jagger e Michael Jackson, estão entre os milhares de ficheiros divulgados na sexta-feira pelo Departamento de Justiça.

Numa das imagens divulgadas pelo Departamento de Justiça, Clinton surge relaxado num jacuzzi, com os braços atrás da cabeça, acompanhado por outra pessoa cujo rosto foi desfocado.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi uma das primeiras a partilhar a fotografia na sua conta na rede social X, reagindo com uma mensagem de espanto: "Meu Deus!".

Os documentos desclassificados incluem pelo menos outras cinco imagens da ex-presidente democrata.

Em duas das fotos, aparece ao lado de Epstein e, noutras, numa festa com o cantor e compositor britânico Mick Jagger, embora o financeiro não esteja presente nestas últimas fotos.

O Departamento de Justiça dos EUA divulgou um total de 3.965 ficheiros, com aproximadamente 3 gigabytes, distribuídos por quatro novos conjuntos de dados.

A maioria são documentos PDF, além de um ficheiro de vídeo e várias imagens individuais, algumas das quais integradas em dossiers com várias páginas.

As autoridades sublinharam que a natureza sensível do caso exigiu a revisão e a redação de cada documento para proteger a informação privada e a identidade das vítimas.

Especialistas e analistas alertaram que a divulgação completa dos ficheiros pode não fornecer novas informações substanciais sobre a rede de relações de Epstein.

Epstein morreu por suicídio na prisão, segundo as autoridades, depois de ter sido condenado por tráfico sexual e aliciamento de menores para prostituição.

Trump, que inicialmente se mostrou relutante em apoiar a divulgação dos documentos, acabou por sancionar a lei depois de constatar o amplo apoio no Congresso.

O presidente republicano é mencionado várias vezes nos arquivos relacionados com Epstein, com quem mantinha amizade antes de alegar ter cortado relações em 2004, anos antes da primeira acusação formal contra o financeiro.



Vítimas de Epstein saúdam divulgação de ficheiros

Algumas das vítimas do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein saudaram a divulgação de milhares de arquivos do caso pelo Departamento de Justiça, mas questionaram a falta de mais dados e informações fundamentais.

"Há muita informação, mas não tanta como gostaríamos de ver", disse Dani Bensky, sobrevivente de Epstein, numa entrevista à NBC News.

Bensky acrescentou que, apesar disso, a revelação confirma a veracidade das denúncias das vítimas: "Há uma parte de mim que se sente um pouco validada nesta altura, porque penso que muitos de nós têm estado a dizer 'não, isto é real, não somos uma farsa'".

Maria Farmer, outra sobrevivente, elogiou a divulgação da denúncia de pornografia infantil que fez ao FBI incluída nos ficheiros. "Isto é incrível. Obrigada por acreditarem em mim. Sinto-me redimida. Este é um dos melhores dias da minha vida", reagiu através dos advogados que a representam, embora tenha lamentado que outras vítimas, como Virginia Giuffre, tenham sido prejudicadas porque o FBI "não fez o seu trabalho".

Muitos senadores democratas criticaram os ficheiros divulgados pela Administração Trump, afirmando que vão intentar uma ação judicial contra a Procuradora-Geral, Pam Bondi, por alegadamente não ter cumprido a lei que exige a desclassificação dos ficheiros.

Por sua vez, o procurador-geral adjunto Todd Blanche alertou na sexta-feira que não será possível divulgar todos os documentos exigidos por lei de uma só vez devido ao seu volume, e antecipou que o Departamento de Justiça espera divulgar "mais algumas centenas de milhares" de ficheiros nas próximas semanas.

A divulgação destes documentos era há muito exigida pela opinião pública, que tem interesse em saber se algum dos associados ricos e poderosos de Epstein tinha conhecimento ou participava nos abusos.

As acusadoras de Epstein também procuram há algum tempo respostas sobre o motivo pelo qual as autoridades federais encerraram a investigação inicial sobre as alegações em 2008.

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