Bilionários têm 4.000 vezes mais chances de ocupar cargos públicos

CNN , Tami Luhby
24 jan, 15:00
Bilionários (Saul Loeb/Kevin Dietsch/Julia Demaree Nikhinson/AFP/Pool/Getty Images via CNN Newsource)

As pessoas mais ricas do planeta têm muito mais hipóteses de estar no poder político do que todas as outras, segundo o relatório anual sobre desigualdade da Oxfam.

Cerca de 74 dos 2.027 bilionários do mundo ocupavam cargos executivos ou legislativos no governo em 2023, o que lhes dava 3,6% de chance de ocupar um cargo público, de acordo com o estudo da Oxfam, divulgado no domingo. Em contrapartida, o cidadão global médio tinha apenas 0,0009% de probabilidade de ocupar um cargo público.

“O relatório deste ano realmente destaca a relação entre a desigualdade política e a desigualdade económica”, refere Rebecca Riddell, diretora sénior de políticas de justiça económica da Oxfam América. “O facto de os bilionários terem 4.000 vezes mais probabilidades de ocupar um cargo público do que você ou eu ressalta o quão desproporcional é o poder deles.”

A divulgação do relatório da Oxfam, que se baseia em dados compilados pela Forbes e outras fontes, foi programada para coincidir com o início da reunião anual do Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, um encontro de elite que reúne algumas das pessoas mais ricas e líderes mundiais. A sua divulgação também ocorre no momento em que o presidente dos EUA, o bilionário Donald Trump, completa o seu primeiro ano no cargo.

Trump reuniu o gabinete e a equipa com mais ricos da história moderna dos Estados Unidos, tendo vários bilionários e multimilionários a liderar agências governamentais. O governo, juntamente com um Congresso liderado pelos republicanos, aprovou no ano passado um pacote abrangente de políticas internas que incluía grandes reduções de impostos para os ricos e cortes históricos no programa de segurança social do país. Além disso, Trump está a tentar retirar as proteções sindicais de uma parte considerável da força de trabalho federal, bem como desmantelar medidas de proteção ao consumidor e regulamentações corporativas.

“Um governo liderado por bilionários promoveu uma agenda pró-bilionários que levou os EUA à beira de extremos em termos de desigualdade”, diz Riddell.

A oligarquia, no entanto, é uma questão global, destaca. O relatório aponta que os homens mais ricos da Argentina e de África têm laços estreitos com o presidente da Argentina e o líder da Nigéria, respectivamente, o que conduziu a incentivos fiscais para os seus negócios.

Ano lucrativo

2025 foi um ano próspero para os bilionários do mundo. A sua riqueza cresceu três vezes mais depressa no ano passado do que nos últimos cinco anos em média, atingindo um recorde de 18,3 biliões de dólares (15,59 biliões de euros), apurou a Oxfam.

A sua riqueza coletiva disparou em 2,5 biliões de dólares (2,13 biliões de euros), o que é quase igual à riqueza detida pelos 4,1 mil milhões de pessoas na metade inferior da escala de riqueza. Dois terços desse crescimento seriam suficientes para acabar com a pobreza global durante um ano, sublinha Riddell.

Nos Estados Unidos, o património líquido dos bilionários totaliza pouco menos de 8 biliões de dólares (6,82 biliões de euros). O país também alberga 932 bilionários, mais do que qualquer outro país.

Os Estados Unidos também podem em breve ver surgir o primeiro trilionário do mundo. Se Elon Musk tiver um ano tão lucrativo em 2026 como teve no ano passado, a sua riqueza ultrapassará 1 bilião de dólares (850 mil milhões de euros) antes do próximo Fórum de Davos, refere Riddell.

Entretanto, a taxa de redução da pobreza a nível global estagnou, com níveis geralmente semelhantes aos de 2019, de acordo com a Oxfam. Quase metade da população mundial — 3,8 mil milhões de pessoas — vivia na pobreza em 2022.

Para resolver o desequilíbrio, a Oxfam apela à redução da desigualdade através da promoção dos direitos dos trabalhadores, do aumento dos salários, do fim dos monopólios e do reforço dos serviços públicos universais e da rede de segurança social; à limitação do poder dos super-ricos através do aumento dos impostos e da promulgação de uma reforma do financiamento das campanhas eleitorais; e ao reforço do poder político do povo através do direito ao voto e de um governo participativo.

“Reduzir a desigualdade, limitar o poder dos mais ricos e promover o poder das pessoas comuns são realmente formas fundamentais de reduzir a desigualdade e, ao mesmo tempo, promover a democracia”, afirma Riddell.

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