E se lhe pagassem 600 euros por ano para ir de bicicleta para o trabalho? Sim, a proposta é real

15 jan, 09:00
Rede de bicicletas Gira
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Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta apresentou aos partidos políticos uma lista de propostas com o objetivo de incentivar o uso da bicicleta e torná-lo mais seguro

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Um incentivo financeiro por quilómetro pedalado a todos os que utilizam a bicicleta para ir para o trabalho ou para a escola - esta é uma das ideias que a Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta gostaria de ver concretizada na próxima legislatura e que por isso mesmo integra a "lista de contributos" entregue por esta federação aos partidos candidatos às próximas eleições.

"Não é uma ideia nova, em países como a Alemanha ou os Estados Unidos já há empresas que implementaram essa medida", explica à CNN Portugal José Manuel Caetano, o presidente desta federação, que sugere um incentivo de  0,24 euros por quilómetro pedalado (até um máximo de 600 euros por ano e por pessoa) e que poderia ser atribuído pelo Estado ou por empresas aos seus funcionários. 

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A medida tem custos financeiros, claro, mas tem também benefícios: "Exige-se dos partidos uma visão de futuro e propostas audazes", defende José Manuel Caetano, sublinhando que os ganhos com a mobilidade ativa são também financeiros: as cidades, por exemplo, podem poupar nas taxas de carbono e o Estado pode poupar nas despesas de saúde, uma vez que as pessoas que praticam exercício são mais saudáveis. "Isto serve também para as empresas: os empregados mais saudáveis faltam menos vezes e produzem mais."

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A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta existe desde 1987, tem atualmente 39 mil associados e representa 1200 grupos coletivos. "Isto não é só andar de bicleta", diz José Manuel Caetano. Para ele, que tem já 78 anos, andar de bicicleta tem a ver, antes de mais, com liberdade, lazer e prazer, mas também com ter uma vida mais saudável e com preocupações ambientalistas. 

"É isto que os governantes e os autarcas têm de perceber: temos que falar no futuro. Eu não sou contra o automóvel, também tenho automóvel, mas precisamos de ter cidades mais sustentáveis, com menos poluição. E para isso temos de ter mais mobilidade ativa, ou seja, com pessoas que se deslocam de transportes públicos, a pé ou de bicicleta", diz.

"Acalmia do tráfego": a importância de cumprir as regras de trânsito

Entre a longa lista de propostas entregue aos partidos, José Manuel Caetano destaca aquele que lhe parece a mais importante: "Aplicar medidas para uma efetiva acalmia de tráfego em meio urbano, reduzindo velocidades e acidentes e tornando a cidade mais segura".

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Na verdade, diz, trata-se simplesmente de fazer cumprir as regras do trânsito. Têm de se respeitar os limites de velocidade e a distância de segurança (1,5 metros) que os veículos motorizados devem guardar para um peão ou para um ciclista. 

"Existe uma regra que diz que um automobilista deve abrandar ou parar quando se aproxima de um peão ou de um ciclista, mesmo que não exista passadeira ou ciclovia. O elemento mais frágil deve ser protegido", lembra o presidente da federação.

"As ciclovias são importantes, mas mesmo onde não há ciclovias os ciclistas têm de conseguir circular em segurança, isso é essencial", afirma.

Portanto, e uma vez que muitos automobilistas se esquecem das regras, José Manuel Caetano saúda o aumento de radares nas cidades e fora delas e apela a uma eficaz aplicação das penalizações da carta por pontos.

Mais ciclovias, mais estacionamento e mais bicicletas

A crescente criação de ciclovias nas cidades portuguesas é elogiada pela federação, que acrescenta ainda a necessidade de ciclovias intraurbanas, de âmbito municipal e para todos os municípios, de modo a permitir as deslocações para o trabalho.

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Da mesma forma, Jose Manuel Caetano considera importante fomentar a criação de parques de estacionamento para bicicletas seguros, junto das câmaras municipais ou outros edifícios públicos, interfaces de transportes públicos, escolas e até grandes empresas.

O presidente da Federação de Cicloturismo tem consciência de que será difícil entregar gratuitamente bicicletas a todos os que não tenham possibilidade de comprar, portanto, enquanto esse sonho não for possível diz que a melhor solução é promover os sistemas partilhados de bicicletas nas cidades e torná-las o mais acessível possível. 

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