"Spaz": a palavra que fez Beyoncé alterar a letra de uma música após duras críticas

CNN Portugal , FMC
1 ago, 18:43
Beyoncé num concerto de beneficência em Nova Iorque, em 2016 (Evan Agostini/ AP)

Termo utilizado pode ser considerado ofensivo no Reino Unido

O álbum "Renaissance", o último da estrela pop Beyoncé, foi lançado na sexta-feira e já está a gerar polémica. Um termo usado duas vezes na música "Heated" motivou duras críticas que levaram a que a cantora optasse por uma nova edição. 

Após a divulgação do álbum, foram várias as pessoas que se sentiram ofendidas pelo single. A palavra em questão, "spaz", usada numa das últimas estrofes, pode ter uma conotação ofensiva direcionada para pessoas com deficiência, nomeadamente para as que sofrem de paralisia cerebral espástica. Se nos Estados Unidos a palavra é inofensiva, como afirmou a publicista da cantora à BBC, no Reino Unido é considerada pejorativa. 

Através das redes sociais, foram vários os apelos para que a palavra fosse removida, um pedido a que a cantora acedeu, não se sabendo ainda quando sairá a nova versão.

A instituição Scope foi uma das vozes críticas. “As palavras importam porque reforçam as atitudes negativas que as pessoas com deficiência sofrem todos os dias”, defendeu Warren Kirwan, do departamento de comunicação da Scope.  

“A Beyoncé há muito que é campeã da inclusividade e igualdade, por isso exortamo-la a remover esta lírica ofensiva”, acrescentou. 

Também a ativista Hannah Diviney contou à BBC que o tema foi como "uma chapada na cara".  Para a mulher a situação agrava-se por ser uma repetição de algo que aconteceu recentemente e que foi amplamente partilhado, classificando mesmo a canção como um "retrocesso". 

Em junho, a cantora norte-americana Lizzo envolveu-se numa polémica semelhante com o tema "GRRRLS" e foi rapidamente chamada à atenção por Hannah Diviney no Twitter. A cantora procedeu, entretanto, a uma alteração na letra, trocando o conceito por outro não ofensivo. 

Na altura, Lizzo emitiu um comunicado nas suas redes sociais em que pedia desculpa e defendia que entendia “o poder que as palavras podem ter (seja intencionalmente ou, no meu caso, sem intencionalidade)”. 

Perante esta situação, a indignação da ativista foi maior. "Pensei que tínhamos mudado a indústria musical e começado uma conversa global sobre a razão pela qual a linguagem capacitista - intencional ou não - não tem lugar na música.", lê-se no jornal The Guardian. 

"Aqui estávamos de novo, mas desta vez o risco é maior. Chamar a atenção nesta situação é um nível completamente diferente", defendeu, ao destacar que Beyoncé é uma cantora com um alcance mundial inimaginável, conseguindo uma projeção cultural global, como poucos conseguem. 

"Estou cansada e frustrada que estejamos a ter esta conversa outra vez, tão cedo depois de termos uma resposta tão poderosa e progressiva de Lizzo”, rematou. 

Por outro lado, foram vários os fãs que vieram em defesa da cantora, garantindo que a palavra usada tem outro significado nos Estados Unidos, querendo apenas indicar "loucura" ou "excitamento", o que parece ser o caso em "Heated". 

Apesar da controvérsia, é esperado que o álbum, o sétimo de Beyoncé, seja um sucesso e que conquiste os "tops" mundialmente. 

A canção foi, entretanto, removida do Youtube, mas ainda está disponível no Spotify. 

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