Álvaro Sobrinho será presente ao juiz Carlos Alexandre e arrisca prisão

17 mar, 12:12

Poderá ainda ter uma caução milionária, para prevenir o perigo de fuga

O luso-angolano Álvaro Sobrinho, que esteve esta manhã a ser confrontado com novos factos sobre as suspeitas de que tenha desviado 500 milhões de euros do BES Angola, quando presidia ao banco, será esta tarde presente ao juiz Carlos Alexandre, apurou a CNN Portugal, para ser sujeito a novas medidas de coação.

Durante o interrogatório foi-lhe exibido um mandado de comparência para se apresentar no tribunal central, e arrisca prisão preventiva ou o pagamento de uma caução milionária, para prevenir o perigo de fuga.
 
É suspeito de crimes como burla qualificada e branqueamento de capitais. O dinheiro terá passado pela Suíça, por sociedades offshore, e por Portugal - alegadamente branqueado na compra de vários imóveis de luxo,  como apartamentos no condomínio Estoril-Sol, e até no assumir de uma posição acionista na SAD do Sporting, através da sociedade Holdimo, com um investimento de 20 milhões de euros.

De resto, sabe a CNN, o objetivo da investigação, esta quinta-feira, passa por confrontar o ex-banqueiro com novos factos entretanto apurados - e eventualmente pela aplicação de novas medidas de coação, mais restritivas que o atual termo de identidade e residência, que atenuem o perigo de fuga de Sobrinho, que vive no estrangeiro, entre vários países por onde circula com grande mobilidade, nomeadamente através de jatos particulares.

Álvaro Sobrinho é suspeito em diferentes casos, mas o processo em questão diz respeito à forma como terá burlado o BESA na concessão de empréstimos milionários a terceiros, alegados testas de ferro, tendo os milhões em causa acabado em contas controladas pelo banqueiro.

Terá sido, segundo a investigação, o beneficiário efetivo de três empresas angolanas que receberam 352 milhões de euros do banco de forma injustificada. E Sobrinho terá ainda recebido, através de duas sociedades offshore, mais 148 milhões de euros - o que eleva a alegada burla para um total de 500 milhões.

O alegado esquema remonta ao ano de 2010, quando Sobrinho comprou, de uma só vez, seis apartamentos de luxo no Estoril-Sol. No ano seguinte, o Ministério Público abriu um processo por branqueamento de capitais, após denúncia da CMVM, e o juiz Carlos Alexandre ordenou o arresto de todos os imóveis - num valor estimado de 80 milhões de euros -, posição que acabou revertida no tribunal da Relação, pelo juiz Rui Rangel, numa decisão que acabou por levantar suspeitas de corrupção em relação a este último, no caso Lex.

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