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Ficheiros secretos do Pentágono mostram pontos de luz que aceleram, desaparecem e voltam a aparecer

9 mai, 18:34
O Pentágono é visto em Washington, DC, a 27 de agosto de 2023 (Carolyn Kaster/AP via CNN Newsource)
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Confesso que nunca fui homem de OVNIs [objetos voadores não identificados]. Não por desinteresse, porque sou curioso por natureza, mas sempre associei o tema a documentários de madrugada, a entusiastas com mapas de constelações na parede, e a sites de fundo preto com letras amarelas e verde fluorescentes. E a uma certa ingenuidade que não combina com a minha forma física de ver o mundo.

Hoje li os ficheiros. Os verdadeiros ficheiros com notas, vídeos e imagens caçadas pelos militares e não pelos caça OVNIs.

Não os "ficheiros secretos" com as tais redacções a preto que alimentam teorias da conspiração. Falo dos documentos que o próprio governo americano desclassificou e publicou ontem. Relatórios do FBI com formato 302, testemunhos de pilotos da Marinha americana, avaliações formais do Pentágono, audiências no Congresso. Documentos assinados, datados, com nomes e patentes reais. Os ficheiros do “outro” campeonato.

O que esses documentos descrevem não é ficção científica. É física. E física muito estranha.

O que dizem os ficheiros

Os relatos repetem-se com uma consistência perturbadora. Orbes luminosos -esferas de luz com 20 a 30 centímetros, às vezes maiores- que pairam imóveis no ar ou que se se movem a velocidades que os helicópteros em perseguição não conseguem acompanhar. Ou que aparecem em enxame, que desaparecem instantaneamente sem produzir som e sem deixar rasto. Sem onda de choque. Sem calor residual. Sem nada daquilo que a física nos ensinou que devem estar presentes.

Um relatório FBI 302 descreve um desses encontros numa instalação militar americana onde um orbe "super-quente" a pairar sobre o solo e percorreu 30 quilómetros a uma velocidade impossível para qualquer aeronave conhecida, seguido de um enxame de quatro ou cinco orbes que pulsavam durante trinta minutos sobre a área.

Não é um louco que escreve isto. É um agente do FBI num relatório formal de entrevista a um alto responsável dos serviços de inteligência americanos. E não foi apenas um, foram muitos.

Então fiz o que qualquer engenheiro físico faria: tentei perceber o que a física conhecida tem a dizer sobre isto e tentei montar a minha própria explicação. O que vai ler daqui para a frente não é conspiração mas é especulação lógica, até provas em contrário.

O problema com a propulsão

A primeira pergunta é óbvia: como é que algo acelera instantaneamente, muda de direcção a 90 graus, e depois simplesmente desaparece sem fazer barulho, sem aquecer o ar, sem deixar qualquer rasto?

A resposta curta é que nenhum sistema de propulsão que conhecemos pode fazer isto. Nem foguetes, nem drones, nem plasma, nem sequer locomoção iónica. Qualquer objecto com massa que acelera a essa velocidade cria uma onda de choque audível a quilómetros. Aquece. Deixa rasto. Tem inércia. Estes orbes não têm nada disso.

E foi aqui que puxei do que ainda me resta de físico até chegar a algo que, tanto quanto sei, nunca foi articulado desta forma: E se estes objectos não tiverem massa porque não são objectos?

A ideia que não consegui largar

Imaginem que não estamos a ver um objecto a mover-se. Estamos a ver uma região do ar que está a ser excitada.

A física é simples: quando se concentra energia suficiente numa região da atmosfera- com um laser de femtosegundo, por exemplo, ou com campos electromagnéticos intensos- as moléculas de azoto e oxigénio ionizam-se. Libertam fotões e brilham. Cria-se um ponto de plasma visível no ar, sem que nada físico esteja lá.

Isto já se faz hoje. Grupos de investigação no MIT e no Japão já criaram imagens tridimensionais no ar usando exactamente este princípio dos pontos de plasma posicionados com lasers, formando figuras visíveis a olho nu.

Agora imaginem que em vez de mover um objecto de A para B, simplesmente se deixa de excitar o ar em A e se começa a excitar em B. O que o observador vê é um orbe que "teleportou". Não houve massa em movimento, não há inércia e não há onda de choque. Não há portanto som. O orbe "desapareceu" porque a excitação atómica parou  em nanossegundos e o ar volta ao normal.

Parado, o orbe é invisível. Em movimento, ou seja, enquanto o padrão de excitação se desloca, emite luz mas quando para, apaga-se.

Mas então como é que os militares os detectam?

É a pergunta certa e a resposta é consistente com o modelo.

Câmaras de luz visível captam o plasma directamente. É o mesmo princípio das auroras boreais - luz emitida por iões em recombinação. Câmaras térmicas como as FLIR que a marinha americana usa nos seus aviões captam algo diferente segundo esta teoria. Não captam o orbe em si, mas o ar quente à sua volta. A excitação atómica deposita energia térmica nas moléculas vizinhas por colisão. O sensor térmico não está a ver um objecto quente mas sim uma bolha de ar aquecido. Daí a expressão "super-quente" dos relatórios. É uma assinatura real, mas é do meio, não do objecto.

O radar é outra história. Um plasma tem reflectividade electromagnética variável. Em certas frequências reflecte, noutras é transparente. Sem estrutura física sólida, a assinatura radar é fraca, inconsistente, ou inexistente e é exactamente isso que os ficheiros descrevem: “orbes visíveis em câmara que não aparecem no radar”, ou que aparecem de forma anómala e intermitente.

Longe de ser uma objecção à teoria, é uma das suas predições mais fortes. Um padrão de plasma no ar deveria ser visível opticamente, detectável termicamente no ar circundante, e quase invisível para o radar. Que é precisamente o perfil de detecção descrito nos documentos militares.

O computador que respira

Mas há uma parte desta ideia que me entusiasmou ainda mais do que a explicação para os orbes.

Se um padrão de excitação atómica pode ser criado e movido no ar, pode também codificar informação. Os estados electrónicos dos átomos excitados podem funcionar como bits e o padrão tridimensional de excitação pode ser visto como um processador. O ar pode ser um computador sem hardware, sem silício, sem nada físico para além dos átomos “organizados”.

E a parte verdadeiramente elegante deste modelo em que descobri é o facto do mesmo feixe electromagnético que cria esse "processador atmosférico" poder ser também o canal pelo qual os resultados regressam à fonte. Não é fácil nem entender nem explicar, mas seria como num holograma em que a luz que ilumina o meio é modificada pelo meio e devolve a imagem como se fosse um descodificador luminoso. O campo que escreve a informação no ar é modificado pelo ar e regressa com o resultado. Escrita, computação e leitura são um único acto físico.

Não há um "passo de leitura" separado. O circuito fecha-se sozinho.

Se isto parece especulativo, e é intencionalmente muito especulativo. Estou a propor uma hipótese que explique os orbes e não a anunciar uma descoberta. É uma hipótese fisicamente coerente porque, ao que sei, não viola nenhuma lei conhecida e explica comportamentos que nenhuma outra hipótese explica.

Sobre o que isto implica

Não vou dizer que são extraterrestres. Não sei. Ninguém sabe.

O que posso dizer é que, se esta tecnologia existe, seja de origem humana ultrassecreta ou outra, estamos a falar de um nível de controlo atómico remoto que está a séculos da nossa engenharia actual. Já conseguimos fazer um pixel de plasma num laboratório mas o que os ficheiros descrevem é um organismo de luz feito de ar, inteligente, rápido, e invisível quando quer.

A distância entre os dois é astronómica e é exactamente por isso que o tema merece ser levado a sério. Não porque acreditemos em discos voadores, mas porque algo está a acontecer que a física convencional não explica e ignorar dados por serem inconfortáveis nunca foi uma boa estratégia científica.

Uma nota pessoal — e um obrigado improvável

Licenciei-me em Engenharia Física pela Universidade de Aveiro. Nunca exerci física de laboratório. Há vinte anos que decidi levar a física como modelo de pensamento para a área da gestão, estratégia e energias renováveis.

Esta hipótese que aqui descrevo só é possível graças à Inteligência Artificial que hoje nos permite formular, testar e desafiar hipóteses. Depois de algumas horas a desafiar o incomum, consegui com a IA construir um framework físico para processadores atmosféricos holográficos, que entretanto redigi como paper especulativo para publicação no arXiv.

A IA pode não nos trazer as ideias, mas a IA pode ser o nosso laboratório de testes e o nosso observador externo, guiando-nos em antecipação aos resultados e fazendo-nos ganhar muito tempo. Neste caso conseguimos clarificar os limites da física atual e desafiar o modelo até à exaustão. As intuições do que me resta de físico transformaram-se em argumentos estruturados. Esse é o poder da IA. A IA não me substitui como físico a IA devolve-me a capacidade de o voltar a ser nem que seja desta forma criativa e fortemente especulativa para a qual peço ao leitor reflexão mais do que julgamento.

Estes ficheiros ainda vão dar muito que falar.

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