Está frio, vai ficar mais. Ainda assim não é frio tal "que justifique" alertas do Estado. Mas justifica a adoção de "determinados comportamentos individuais"
As baixas temperaturas que se fazem sentir em Portugal "são normais ou um pouco abaixo do normal para esta época do ano", segundo Bruno Café, do IPMA, e, por isso mesmo, não está prevista a emissão de "aviso de temperatura, embora possa haver alguns distritos que, durante os próximos dias, possam ter um aviso emitido".
Bernardo Gomes, médico de Saúde Pública, considera que, para já, os avisos são desnecessários até porque as Unidade Local de Saúde (ULS) têm planos de contingência relativos às temperaturas - e, "se houver necessidade de avisos locais, cada ULS também tem esse papel de fazer essa sensibilização".
"A nível geral, na prática sabemos que temos um país com pobreza energética e temos condições de isolamento térmico muito pouco favoráveis em muitos locais neste país. E, portanto, na prática, aquilo que nós estamos a falar aqui são medidas gerais de conservação do calor e ter essa precaução. Devemos começar entretanto a ter um aumento da transmissão de doenças respiratórias, porque, na prática, as pessoas passam mais tempo dentro de casa e dentro de locais fechados, portanto facilitam a transmissão, refere Bernardo Gomes.
O especialista lembra que "o frio também se prepara, nomeadamente na precaução da conservação da temperatura, do consumo de bebidas quentes e de tentar fazer também com que haja o vestuário adequado e tentar que também exista a proteção dos elementos em alturas mais frias".
Bernardo Gomes deixa ainda o alerta que, por esta altura, as pessoas ficam doentes com mais facilidade, "não tanto pelo frio diretamente, mas, sobretudo pela questão da exposição a outras pessoas que estão doentes". "Há medidas de precaução genéricas, como etiqueta respiratória e, nomeadamente, a questão do uso da máscara nos transportes públicos, porque o que vai acontecer é que vai começar a circular com maior evidência o vírus da gripe e outros, o que faz com que as pessoas tenham de ter essas precauções".
O médico diz ainda que o aviso de temperatura, a acontecer, só se houvesse uma descida de temperatura muito marcada - e será necessário a mobilização de pessoas para abrigos, por exemplo.
Quanto à transmissão de doenças por causa da maior circulação de vírus, Bernardo Gomes explica que "muitas vezes as pessoas associam o frio à transmissão de doenças quando o que acontece é que há um mecanismo sazonal em que, basicamente, temos um maior número de seres humanos dentro do mesmo espaço fechado que, sem condições de ventilação, as pessoas, a certa altura, estão a partilhar entre si o ar dos seus pulmões como se estivessem a partilhar comida do mesmo prato".
"Nesta circunstância, a transmissão é facilitada e, na prática, é preciso ter aqui a noção da responsabilidade individual e da etiqueta respiratória - na questão da tosse, por exemplo, tentar pôr a prega de cotovelo à frente. E a outra, que são as medidas proporcionais, ou em contexto proporcional, que é sobretudo em espaços com muita gente em contexto não social e de rotina - os transportes públicos são ótimas incubadoras de transmissão de vírus. A outra circunstância é que, nomeadamente, as crianças são excelentes transmissoras do vírus da gripe e, nestas alturas, é também recomendado alguma prudência, sobretudo em convívio entre as crianças e os avós, sobretudo se os avós não estiverem vacinados."
