O pedido será agora avaliado pelo sistema legal israelita: primeiro pela divisão de clemência do Ministério da Justiça e, posteriormente, pelo presidente Herzog
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, formalizou um pedido de clemência ao presidente Isaac Herzog, mesmo com o processo criminal contra ele ainda em curso — e sem admitir culpa. A solicitação, encaminhada por seu advogado, baseia-se no argumento de que o prolongamento do julgamento "prejudica o interesse público", desviando recursos e atenção de desafios nacionais, como segurança e diplomacia.
"O Estado de Israel enfrenta enormes desafios e, juntamente com eles, enormes oportunidades. Para repelir as ameaças, para concretizar as oportunidades, é necessária a unidade nacional. A continuação do julgamento está a nos dividir por dentro, a fomentar divisões, intensificar as fissuras. Estou certo, como muitos outros no país, de que o fim imediato do julgamento ajudará muito a apagar as chamas e a promover a ampla reconciliação de que nosso país tanto precisa. Refleti muito sobre este assunto", disse Netanyahu.
A pressão pela clemência intensificou-se após o envio de uma carta oficial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Herzog, pedindo que considerasse anular o processo. Trump qualificou o caso como “político e injustificado”, e afirmou que a liberação de Netanyahu permitiria unir o país e também se concentrar nas questões importantes.
Netanyahu enfatizou que aceitaria o perdão apenas se não fosse obrigado a admitir culpa — condição que, na sua visão, invalidaria o pedido. Ele descreveu o processo como “absurdo”, e reclamou "do tempo que perde no tribunal, em vez de se dedicar às demandas urgentes do país: guerra, diplomacia e segurança".
"O que aconteceu recentemente foi a gota d'água. Devido a uma decisão do painel de juízes que analisa o caso, sou obrigado a depor três vezes por semana. Três vezes por semana. Esta é uma exigência impossível e que não é válida a nenhum outro cidadão em Israel", disse.
"O presidente Trump pediu o fim imediato do julgamento para que eu possa, juntamente com ele, promover com mais vigor os interesses vitais compartilhados por Israel e pelos Estados Unidos num período que dificilmente se repetirá. Espero que todos que tenham em mente os melhores interesses do país apoiem esta medida", complementou Netanyahu em mensagem gravada.
O pedido será agora avaliado pelo sistema legal israelita: primeiro pela divisão de clemência do Ministério da Justiça e, posteriormente, pelo presidente Herzog. A possibilidade de conceder perdão a um acusado ainda não condenado — especialmente sem demonstração de arrependimento — levanta dúvidas sobre o equilíbrio entre o poder político e a independência do sistema judicial.