Um "predador" e o seu cúmplice. Como Benjamin Mendy violava mulheres em “salas de pânico”, segundo o procurador

16 ago, 15:41
Benjamin Mendy à chegada ao Tribunal da Coroa de Chester (AP/PA Media)

Juntamente com um cúmplice, o campeão do mundo de 2018 tornou-se um “predador” que mostrou “indiferença” e “insensibilidade” face às vítimas, disse a acusação

O futebolista francês Benjamin Mendy terá alegadamente violado mulheres em “salas de pânico”, segundo o procurador britânico que está com o caso, durante uma sessão do julgamento do jogador do Manchester City no Tribunal da Coroa de Chester.

De acordo com Timothy Cray, Mendy terá abusado da sua fama e riqueza para atrair mulheres para a sua mansão no condado de Cheshire, violando-as quando rejeitavam qualquer avanço sexual ou estavam tão bêbedas “que tinham pouca ou nenhuma memória dos incidentes”.

O procurador alega ainda que às vítimas lhes eram retirados os telemóveis antes de entrarem nas salas, um escritório e um quarto, das quais acreditavam que não poderiam sair. Estas divisões dispunham de fechaduras especiais para que, em caso de assalto, só conseguissem ser abertas por dentro.

“A questão é que tem de se saber como abri-las por dentro, talvez se veja como as testemunhas possam ter ficado com a impressão de que estavam trancadas”, disse o procurador Cray, citado pelo The Guardian, após ter exibido aos jurados um vídeo que explica o funcionamento das fechaduras.

O francês de 28 anos não terá atuado sozinho. De acordo com a acusação, Mendy tinha um cúmplice, Louis Saha Matturie, com quem visitava as várias discotecas de Manchester e cuja função era “encontrar mulheres jovens e criar situações em que essas mulheres jovens pudessem ser violadas e agredidas sexualmente”.

Cray contou ao júri um dos episódios, ocorrido em julho do ano passado, em que Matturie, de 41 anos, se ofereceu para pagar a uma mulher para ir a uma festa na casa de Mendy. A mesma mulher alegou mais tarde à polícia que Mendy a violou na sala de cinema da casa sem preservativo. Cray afirma que os dois homens mostraram “indiferença” e “insensibilidade” face às 13 mulheres que os acusam. “Estas mulheres eram descartáveis [para Mendy e Matturie]: coisas para serem usadas para sexo, e depois atiradas para um lado. A perseguição destas 13 mulheres pelos arguidos transformou-os em predadores, que estavam preparados para cometer delitos sexuais graves”, sublinhou, citado pela BBC.

Cinco das mulheres que testemunharam alegam ter sido violadas somente por Mendy, e seis exclusivamente por Matturie. Outra mulher, que acusa os dois homens, afirma que tinha 17 anos na altura em que foi violada. “Eles [Mendy e Matturie] não estavam em algum estado feliz de ignorância sexual sobre como tudo isto funciona - eles sabiam muito bem o que estavam a fazer. Transformaram a procura de sexo por parte das mulheres num jogo, de facto, e se as mulheres se magoassem ou ficassem angustiadas – pena. Nos dias de hoje, ninguém pode duvidar que, para usar o ditado comum, ‘não significa não’, pois não? Já não é uma espécie de zona cinzenta, ou uma espécie de porta aberta para um homem empurrar de qualquer das formas. Não se perde esse direito porque se foi a um bar ou se vestiu para ir a uma discoteca ou se foi a casa de um futebolista e se está a festejar”, atirou o procurador. 

"É outro capítulo de uma história muito antiga: homens que violam e agridem sexualmente mulheres, porque pensam que são poderosos, e porque pensam que podem escapar impunes", completou.

Benjamin Mendy está acusado de oito crimes de violação, um de tentativa de violação e outro de assédio sexual. Por seu turno, Matturie também enfrenta várias acusações de violação e assédio sexual. Ambos se declaram como não culpados dos crimes de que estão acusados, alegadamente praticados entre outubro de 2018 e agosto de 2021. Segundo a BBC, o julgamento deverá demorar cerca de três meses.

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