Benfica-Vizela, 2-1 (crónica)

David Marques , Estádio da Luz, Lisboa
2 set, 21:37
Benfica-Vizela

Maré baixa, mas a corrente ainda é vermelha

A maré vermelha vazou como nunca antes desde o início da era Roger Schmidt e o Benfica esteve bem perto de deixar escapar os primeiros pontos na Liga 2022/23.

A vitória das águias chegou apenas já para lá dos oito minutos de compensação decretados pelo árbitro Fábio Veríssimo: num penálti (discutível) de João Mário, que marcou pela quarta vez nos últimos três jogos.

Os sinais deixados a meio da semana – na vitória tangencial sobre um Paços de Ferreira muito limitado nas opções – já não tinham sido os mais animadores para os seus adeptos, mas ao nono jogo da época os encarnados ainda só conhecem, para já, o sabor da vitória.

O Vizela foi aquilo que tem sido desde que chegou à Liga e que parece estar a consolidar nesta época: uma equipa tremendamente competente e madura, que se apresentou a Luz com o guião certo de como travar o Benfica.

A equipa de Álvaro Pacheco esteve quase sempre serena sem bola, soube defender organizada - muitas vezes propositadamente a dar espaço ao Benfica pelas alas para se juntar no meio - não entrou em pânico quando foi encostada às cordas e foi capaz de criar perigo quando viu brechas para sair na direção da baliza de Vlachodimos.

Foi, aliás, assim que chegou à vantagem no marcador aos 20 minutos, quando o possante Osmajic conclui com sucesso um contra-ataque numa altura em que a equipa da casa encostava o meio-campo à grande-área visitante.

Aí, já o Benfica tinha ficado uma vez perto do golo, quando Gonçalo Ramos cabeceou à barra.

Mas aí ficou também mais vincado que as águias arriscar-se-iam a ter uma noite de alta tensão se não reagissem rapidamente ao golo sofrido.

Tentaram, mas este Vizela foi melhor na Luz do que foram o Paços, o Arouca, o Midtjylland e o Dínamo Kiev. Aliado a isso, houve muitos jogadores do Benfica em sub-rendimento: Florentino e Enzo (sobretudo o argentino) estiveram aquém do habitual, Rafa pouco se viu e Neres andou perdido na própria fantasia antes de fazer o empate com um golaço de fora da área.

O desgaste acumulado pela quase dezena de jogos feitos em menos de 30 dias ajuda a justificar aquilo que um Vizela competente não explica por si só. Foram muitos os passes falhados, as precipitações à entrada para o último terço e a falta de ideias trouxe à Luz memórias do passado.

Também houve azar – dois remates aos ferros, ambos na primeira parte – mas isso acabou por ser amplamente «compensado» pela fortuna a fechar.

Faltou muito ao Benfica nesta noite. Entre esse muito, capacidade para esticar em tempo os momentos em que conseguia encostar o adversário às cordas. Como após os 30 minutos e no bom regresso dos balneários que teve depois uma boa reação dos minhotos, que ameaçaram o segundo em duas ocasiões sucessivas por Osmajic.

Nos 25 minutos finais, Roger Schmidt trocou a dupla de meio-campo e do tubo de ensaio saiu a fórmula Aursnes em estreia com João Mário, de regresso à velha posição 8. Mas nem isso nem a entrada de Musa atormentou os homens de Álvaro Pacheco.

Só que recuar demasiado acabou por ser-lhes perverso e foi por fora que David Neres rematou fortíssimo para o empate ainda com 15 minutos por jogar na Luz.

A equipa de Roger Schmidt lançou-se para a frente, mas a expulsão de Gonçalo Ramos, que viu dois amarelos (também eles discutíveis) em três minutos - o segundo numa alegada simulação (também ela discutível) - parecia travar o assalto final do Benfica.

Mas, a fechar, Fábio Veríssimo viu um braço na bola de Diego Rosa, de costas para a bola no momento de um remate de Rafa e João Mário deu a vitória ao Benfica numa noite em que o pior no relvado da Luz não foi nenhuma das duas principais equipas em campo.

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