A análise do treinador do Benfica depois da vitória em Chaves (2-0) para a Taça de Portugal
José Mourinho, treinador do Benfica, em declarações à RTP, depois da vitória sobre o Desportivo de Chaves (2-0), em jogo da terceira eliminatória da Taça de Portugal.
Com que ideia sai deste jogo? O Benfica podia ter controlado durante mais tempo?
«Acho que basicamente controlámos, mas…não estou contente. Não estou contente porque trabalhamos de maneira diferente, queríamos dar mais intensidade ao jogo ofensivo e fomos lentos. Acho que nos sentimos sempre tranquilos, o golo cedo veio tranquilizar-nos ainda mais e passamos demasiado tempo a circular fácil, por fora, a procurar muito pouco a profundidade. A segunda parte foi melhor, procurámos mais jogar no meio-campo adversário, com intenção, não simplesmente de controlar, mas sim de matar o jogo que foi o que pedi aos jogadores».
«Foi pena que tivéssemos acabado com o jogo já perto do final, mas, de qualquer maneira, gosto sempre de falar do adversário, quando o adversário tem mérito nas dificuldades que tivemos. Eles são uma boa equipa, o Filipe [Martins] é um ótimo treinador, tem a equipa muito bem organizada, a jogar com linhas de cinco e de quatro, o que nunca é fácil. Ainda agora tivemos um monte de exemplos, nestes últimos jogos de seleções onde as equipas com menos potencial criaram dificuldades a jogarem com linhas de cinco e quatro à frente».
«Por isso posso dizer que o objetivo principal foi conseguido. Disse aos jogadores que as taças são feitas de tomba-gigantes e do vencedor da Taça. Tudo o resto, ninguém se lembra. Ninguém se lembra que nós ganhamos hoje ao Chaves, o objetivo é outro, mas foi dado este primeiro passo e diria que foi dado com tranquilidade.»
Nestas duas semanas, entre o jogo do FC Porto e este regresso à competição, até que ponto a equipa assimilou as ideias do treinador?
«Durante esse espaço de tempo posso dizer que treinei ontem e anteontem. Nos outros dias treinamos com cinco ou seis jogadores, depois chegava mais um, chegava mais outro, mas ontem e anteontem trabalhamos com a equipa que jogou hoje. Fizemos algumas coisas que treinamos, mas fizemo-lo a um ritmo mais baixo daquilo que queria, seja na pressão, seja na circulação de bola e na procura de mais profundidade e de jogo interior. O trabalho foi pouco, mas as ideias também se passam ao nível do audiovisual e em reuniões com os jogadores e esperava um bocadinho mais hoje».