Benfica-Sporting: especialistas apontam três chaves táticas que podem definir o dérbi

13 jan, 09:25
Estádio da Luz

O Maisfutebol pediu a três analistas que indiquem um detalhe que pode decidir o dérbi do próximo domingo. José Chieira, da Wyscout, Rafael Silva, da ProScout, e Bruno Fidalgo, do Lateral Esquerdo, conduzem-nos pelos aspetos táticos que deverão mais importantes. Uma conversa que passa por Pote, Pedro Porro, Paulinho, Enzo Fernández e Aursnes. Venha daí preparar-se para viver o Benfica-Sporting como ele merece ser vivido.

Os dérbis, tal como os clássicos, são geralmente jogos taticamente ricos. Como numa partida de xadrez, o equilíbrio de talento é tão grande que por vezes a diferença se faz num detalhe: e muitas vezes esse detalhe está na capacidade e rapidez com que cada equipa consegue se adaptar ao jogo e realizar as suas ações.

Ora para ajudar o ajudar o leitor a entender o que pode ser o Benfica-Sporting do próximo domingo, o Maisfutebol consultou três especialistas: José Chieira, analista de mercado, Rafael Silva, analista da ProScout, e Bruno Fidalgo, analista do Lateral Esquerdo, apontaram cada qual um detalhe tático que pode fazer a diferença.

Mas havia mais por onde seguir.

Bruno Fidalgo diz, por exemplo, que «Benfica e Sporting são duas equipas muito bem orientadas, com ideias solidificadas e que devem trazer para o jogo uma proposta coincidente em pontos fundamentais».

O analista do Lateral Esquerdo admite que «a forma será diferente», mas no essencial Benfica e Sporting trarão «a intenção de pressionar alto e condicionar a construção do adversário, logo na primeira fase».

«O Benfica, defensivamente, vive muita da qualidade do seu pressing alto. Se não for eficaz neste momento, face à disposição tática do adversário, pode ter problemas, sobretudo no controlo da largura. O Sporting estará mais confortável quando for obrigado a baixar, mas não irá abdicar de uma pressão alta, até porque o Benfica tem revelado dificuldades quando enfrenta este tipo de abordagens», adianta.

Ora por isso, e sendo duas equipas fortes em ataque posicional quando conseguem instalar jogo no meio campo adversário, a grande luta será para ver quem consegue fazer baixar mais vezes a pressão do seu oponente.

«É usual ver as equipas procurarem superioridade na sua primeira fase de construção, na tentativa de sair com bola controlada. A verdade é que nestes tipo de jogos, face a adversários que revelam muita qualidade no pressing, trazer muitos jogadores à construção pode inibir a qualidade dos posicionamentos necessários para ganhar as segundas bolas», sublinha.

«Isto torna-se importante porque acredito que as duas equipas terão de mostrar argumentos na forma como saltam a pressão, através do seu jogo longo. Quanto mais eficazes forem a saltar a pressão, através desse jogo longo, maiores serão os espaços que se irão abrir para um jogo mais combinativo, que é algo que as caracteriza. Está será a primeira questão importante a resolver.»

Rafael Silva, analista da ProScout, concorda em parte com esta importância do jogo longo, sobretudo no que toca à forma do Sporting construir.

«O Sporting poderá jogar de duas formas, procurar atrair dentro para depois libertar fora nos seus alas, Porro e Nuno Santos, algo que poderá obrigar aos laterais do Benfica a desposicionarem-se e os extremos a aproveitarem esse espaço nas costas. Ou poderá atrair a pressão do Benfica, aproximando os dois médios, e através de Adan procurar a referência Paulinho entrelinhas, para posteriormente através de apoio frontal libertar rapidamente a bola nas costas, nos extremos ou nos alas.»

Mais uma vez, lá está, a importância do jogo longo para saltar a pressão.

O analista da ProScout lembra que «o Sporting constrói num 3x4x3, um sistema que é sempre um desafio para os treinadores que jogam num sistema com 4 defesas, como é o caso do Benfica».

«Alas projetados na largura de forma a abrir espaços na zona intermédia do campo procurando contrariar a superioridade interior que o Benfica terá e depois os extremos entrelinhas de forma a conseguir liberta-los para acelerar jogo. Para anular este jogo do Sporting, o Benfica terá que fechar muito bem a equipa no corredor em que está a bola e evitar que os alas tenham espaço para acelerar», acrescenta.

José Chieira, analista de mercado, diz que é muito importante estar atento à amplitude e inteligência de Enzo Fernández, que pode ser fundamental para capitalizar o desgaste da linha intermédia do Sporting, num jogo em que a equipa leonina perde com a troca de Morita por Pote no meio: sobretudo porque este é um daqueles jogos em que vai ter menos bola do que o normal, o que podia mais o futebol do japonês.

TRÊS IDEIAS TÁTICAS PARA DEFINIR O DÉRBI

José Chieira, analista de mercado

Será fundamental a capacidade do Benfica capitalizar troca de Morita por Pote no meio

«Os momentos e rendimento das duas equipas esta época dão um natural ascendente ao Benfica, mas que neste tipo de jogos pode fazer pouca diferença: ambas têm argumentos mais do que suficientes para poder ganhar. Ou seja ‘ganhar no detalhe’ até pode ser a tradicional ‘máxima’ de dérbis como este, mas acredito que este Sporting sem Morita (e com Pote ali naquela posição) coletivamente perde mais do que ganha num contexto em que, previsivelmente, terá menos bola e menos baliza em relação a 90 por cento dos seus jogos.

Creio, portanto, que é neste deve e haver que o Sporting poderá ser mais penalizado: porque Pote não é Morita (nos momentos sem bola) e porque a qualidade e génio de Pote fazem falta nas zonas e momentos de criação e finalização. E também, já agora, porque este Benfica tem soluções para capitalizar esta mudança e (re)forçar o desgaste da segunda linha adversária: a rotatividade, a amplitude e a inteligência de Enzo Fernandez na ocupação dos espaços e definição poderão ser ainda mais evidentes. Ruben Amorim saberá eventualmente ajustar, encurtando linhas e/ou subindo o bloco... mas a manta irá encurtar algures.

Sendo esta uma possível chave tática, não podemos descurar as outras, e a dimensão volitiva pode vir a ser muito mais importante nestes ambientes mais apertados, em que normalmente as equipas mais solidárias, ‘esfomeadas’ e cínicas valem mais do que a soma das partes. Ou seja, estão sempre mais perto de ganhar.»

Bruno Fidalgo, analista do Lateral esquerdo

Chave pode ser capacidade das equipas fazer sobrelotação de determinado espaço

«Quer uma, quer a outra equipa não apresentam muita variabilidade na construção. As dinâmicas estão bem definidas e têm qualidade. O Sporting tem, em alguns momentos, mesmo sob pressão em zonas baixas, trazido os dois jogadores que ocupam o espaço entrelinhas para o mesmo lado. Por vezes, até Pote se envolve nesse mesmo corredor. Essa superioridade e os movimentos de apoio de Paulinho poderão permitir saídas limpas e rápidas se o Benfica não condicionar essas as ligações interiores.

Esta sobrelotação do um determinado espaço pode ser chave no jogo. Quando instalado no meio campo do adversário, aposto que a profundidade dada por Pedro Porro e Nuno Santos poderá trazer incómodos aos laterais do Benfica.

Do outro lado, a equipa de Roger Schmidt em ataque posicional também consegue envolver muita gente sobre o mesmo corredor. É possível que vejamos um dos extremos mais aberto, em alguns momentos, para tentar inibir a saída na pressão dos alas do Sporting. Isto trará benefícios do ponto de vista da construção mas também poderá ser muito útil na criação.

Este posicionamento mais aberto de um dos extremos poderá abrir espaço para que se aproximem os outros dois elementos que jogarão nas costas de Gonçalo Ramos. Novamente, esta sobrelotação de determinado espaço poderá ser chave na criação de superioridades e combinações que permitam contrariar a força da linha de cinco do Sporting.»

Rafael Silva, analista da ProScout

Chave estará na capacidade de criar superioridade nos vários espaços

«O Benfica de Roger Schmidt tem-se destacado por ser uma equipa dominadora em todos os momentos de jogo. Em termos defensivos num 4x4x2, normalmente com Gonçalo Ramos acompanhado por Rafa, e depois um meio-campo pressionante principalmente pela presença de Aursnes e de Enzo Fernandez que são jogadores com um grande raio de ação.

O Sporting posiciona-se defensivamente num 5x2x3 e fazendo a confrontação de sistemas é fácil perceber onde é que estará a chave para o Benfica desbloquear o jogo. O meio-campo será o segredo do jogo e para o Sporting não será fácil anular dadas as características dos seus jogadores mais avançados.

Neste sentido e com o Benfica construindo num 3x1x3x2, será importante para a equipa leonina reduzir o espaço entrelinhas, com os avançados a fechar linhas de passe interiores, obrigando o Benfica a retirar jogadores do meio para a sua primeira fase de construção. Os laterais a serão anulados pelos alas do Sporting, caso o posicionamento seja alto, caso contrário, poderão ser anulados pelos extremos. O espaço entrelinhas deverá controlado pelos médios, numa primeira fase e pelos centrais que deverão estar bastante ativos para evitar que jogadores recebam sem pressão nesse espaço.

O Benfica terá que procurar atrair a linha avançada do Sporting, uma construção a 3 poderá ajudar com centrais e médio a procurarem atrair a linha mais avançada do Sporting e isso libertará laterais e aumentará o espaço entrelinhas o que facilitará combinações entre laterais e jogadores por dentro. No último terço será importante o Benfica procurar ter sempre três jogadores próximos do corredor, a efetuar movimentos de apoio e rutura alternadamente, de forma a desfazer a linha de cinco do Sporting.

Tendo em conta esta análise e em modo resumo, a chave do lado do Sporting estará em contrariar a superioridade que o Benfica conseguirá criar por dentro e do lado do Benfica a capacidade de conseguir com uma linha de quatro contrariar a quantidade de jogadores que o Sporting consegue colocar nos três corredores.»

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