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Tribunal absolve Luís Filipe Vieira, Soares de Oliveira, Miguel Moreira e Benfica no processo Saco Azul

23 abr, 15:14

Todos os arguidos foram absolvidos de todos os crimes

O Tribunal Central Criminal de Lisboa absolveu, esta quinta-feira, todos os arguidos de todos os crimes de que estavam acusados no processo "Saco Azul".

Além de Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica entre 31 de outubro de 2003 e 15 de julho de 2021, foram também absolvidos o antigo diretor executivo (CEO) do Benfica Domingos Soares de Oliveira, o antigo diretor financeiro Miguel Moreira, o proprietário da Questãoflexível, José Bernardes, outros dois suspeitos de terem ajudado este no esquema, José Raposo e Paulo Silva, e ainda a Benfica SAD e a Benfica Estádio.

“Somente com uma perícia técnica forense é que conseguimos saber quem fez o quê, quem entrou no sistema e que problemas informáticos foram criados. E agora era impossível, nesta fase de julgamento, fazer isso, volvidos 10 anos”, disse o juiz responsável pelo processo durante a leitura do acórdão, apontando dúvidas à acusação.

Para o tribunal ficam dúvidas sobre o que foi feito pelo empresário José Bernardes na empresa Questãoflexível, de que era proprietário, uma vez que o Ministério Público indicou na acusação a existência de contratos alegadamente simulados e celebrados entre a empresa Questãoflexível e a Benfica Estádio e pagos por esta e pela Benfica SAD.

“A questão tem que ver, apenas e só, com o chapéu que foi usado pelo arguido José Bernardes para fazer esses trabalhos para o Benfica. Essa é que é a grande dúvida”, explicou o juiz, acrescentando que “há argumentos para sustentar que José Bernardes poderá ter trabalhado na [empresa] Questãoflexível para fazer trabalhos para o Benfica, mas também há argumentos contra”.

Os crimes em causa estão relacionados com um alegado esquema, entre 2015 e 2018, dos arguidos para, com recurso a contratos fictícios de consultadoria informática, retirarem do Benfica mais de 1,8 milhões de euros, que depois terão, em grande parte, regressado ao clube em numerário.

Perante a acusação do Ministério Público e depois de toda a prova analisada na fase de julgamento, o tribunal considerou que “não é possível, a esta distância, comparando versões de documentos, com a vaguidão que têm” chegar a uma conclusão livre de dúvidas.

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