Presidente do Benfica, Rui Costa, explica também saída de Morato. «Arriscávamos tê-lo como quarto central. Um quarto central faz mais bancada do que banco»
O presidente do Benfica, Rui Costa, justificou-se esta terça-feira acerca das movimentações do mercado de transferências de verão, falando, entre outras mexidas, das saídas de três brasileiros: do avançado Marcos Leonardo para o Al Hilal, por 40 milhões de euros; do extremo David Neres para o Nápoles, por 28 milhões de euros (mais dois em variáveis) e do central Morato, para o Nottingham Forest, por 11 milhões de euros, num negócio que pode chegar aos 17.
«O Marcos Leonardo tem a ver com uma estratégia desportiva da equipa, daquilo que é a formação do plantel. Uma das posições que entendemos reforçar este ano foi o ataque, com a contratação do Pavlidis e, não querendo trazer azar, até agora tem justificado a sua aquisição. Num plantel, quer anteriormente, quer agora, que está apontado para jogar com um avançado ou com 1+1, no máximo com dois avançados, foi nossa estratégia ficar apenas com dois pontas de lança de área e mais um que pudesse fazer as duas posições. A posição “nove e meio”, como se usa no futebol, mais a nove. Daí a contratação de Zeki Amdouni. Como consequência, não íamos ficar com todos os pontas de lança. É por isso que sai o Marcos no final do mercado, é por isso que sai o Casper durante o mercado, ficando nós com Pavlidis, Arthur Cabral e o Zeki para fazer as duas posições», explicou Rui Costa, em declarações à BTV, sobre Marcos Leonardo, dizendo que era «quase inevitável» recusar uma proposta de 40 milhões de euros por um jogador que não era um titular absoluto.
«Fomos evitando as propostas para ele. Chegaram propostas muito mais cedo, que fomos rejeitando, até ao ponto em que chegou uma proposta de 40 milhões. Sejamos claros, a situação, apesar de considerarmos toda a mais-valia do jogador e apesar de considerarmos que tinha uma margem de progressão, até pela sua idade, essa margem de progressão só acontece se os jogadores jogarem. Ter no plantel um jogador que está a valer 40 milhões e com o grande risco de não ser titular, permitam-me a expressão, era quase inevitável que aceitássemos uma proposta de um jogador que, como suplente, estava a valer 40 milhões», concluiu.
Sobre Neres, Rui Costa diz que a sua «qualidade é inegável», mas que foi um jogador que foi oscilando entre a titularidade e a condição de suplente e que o próprio queria «mudar de ares».
«O Neres, apesar de toda a sua qualidade, que é inegável, e apesar de tudo o que de bom fez no Benfica, não deixa de ser um jogador de 27 anos que, durantes estes dois anos, oscilou muito entre a titularidade e a não titularidade. Já no ano passado houve propostas e, da parte dele, existia alguma ideia de mudar de ares. Pensámos que o melhor seria ele continuar, e, este ano, houve mais propostas, até chegar a proposta do Nápoles, que começou mais baixa até atingir estes valores, para um campeonato que também lhe agradava», referiu Rui Costa.
Rui Costa explica o mercado: tudo o que disse o presidente do Benfica
«Entendemos que, em termos de posicionamento do plantel, considerávamos que poderíamos ter outras opções, jogadores com características diferentes. A saída dele implicou, então, a vinda de Kerem [Akturköglu], que joga nos dois flancos, ao contrário do Neres, que privilegiava muito mais jogar pela direita. Acabámos por aceitar a saída do Neres por um valor substancial para um jogador de 27 anos que não era titular indiscutível da equipa. Entendemos que foi bom para ambas as partes. Procurámos uma solução diferente para o equilíbrio do plantel», disse o dirigente, em alusão à chegada do turco à Luz.
«Arriscávamos ter Morato como quarto central. Um quarto central faz mais bancada do que banco»
Quanto a Morato, Rui Costa diz que, face à «continuidade de Otamendi, com a afirmação clara de António e a ascensão de Tomás Araújo», o Benfica arriscava-se a que o brasileiro ficasse na condição de quarto central e com pouca utilização.
«Arriscávamos a ter o Morato como quarto central. Um quarto central faz mais bancada do que banco. Se é verdade que, há dois anos, tinha uma projeção diferente, os jogadores só mantêm projeção se jogarem. Entendemos não desvalorizar o ativo e não prejudicar a carreira do jogador, mantendo-o como quarto central, já que teria muito menos minutos na época. Optámos, portanto, por deixar que ele prosseguisse a sua carreira e evolução. Daí a saída de Morato, ficando o plantel com os três centrais já referidos e promovendo mais um central da formação, como aconteceu com António, Tomás e o próprio Morato», apontou.
