Benfica-Rio Ave, 5-0 (crónica)

David Marques , Estádio da Luz, Lisboa
27 out 2024, 20:16
Kerem Aktürkoglu, Di María e Jan-Niklas Beste festejam golo no Benfica-Rio Ave (RODRIGO ANTUNES/EPA)

Expelliarmus de Aktürkoglu em noite de resposta de mão-cheia

Dois feitiços disparados quase de rajada por Aktürkoglu deitaram por terra o fantasma do jogo menos conseguido com o Feyenoord a meio da semana e deixaram desarmado, bem cedo, um Rio Ave que foi sempre presa fácil do Benfica no Estádio da Luz.

Depois dos sinais preocupantes deixados a meio da semana, os encarnados voltaram a dar uma prova de vitalidade, tendência desde o regresso de Bruno Lage à Luz.

O técnico das águias desfez o trio do meio-campo – saiu Florentino – e aproximou o desenho da equipa daquele que se vira na época da reconquista: um 4x2x3x1 de vocação amplamente ofensiva, com Beste no lado esquerdo do meio-campo e Aktürkoglu a desempenhar o papel de segundo avançado.

Habituado a aparecer em zonas de finalização mesmo a partir da esquerda, o internacional turco beneficiou neste domingo do novo posicionamento e aos 16 minutos já tinha marcado por duas vezes.

Com poucos recursos para travar o virtuosismo dos encarnados e quase inexistente no plano ofensivo, a equipa de Luís Freire foi demasiado permissiva, talvez porque não tenha adotado na Luz a estratégia defensiva de tantas outras equipas ou, talvez, porque os golos madrugadores do Benfica a tenham obrigado a deixar cair parte do plano inicial que passaria por criar intranquilidade num adversário ainda combalido pelo desaire na Champions.

A inteligência de Aursnes, a criatividade de Di María e a capacidade de finalização de Aktürkoglu destruíram por completo os vilacondenses, erráticos a defender – a começar pelo guarda-redes – e pobres com bola durante os 90 minutos.

Em cima do intervalo, Aktürkoglu assinou o hat-trick e para trás até tinham ficado várias ocasiões desperdiçadas - uma do turco, outra de Di María e mais uma de Pavlidis - que impediram que o resultado, já desnivelado, não tivesse contornos maiores.

Os vilacondenses voltaram para a segunda parte com duas alterações, mas a tendência do jogo manteve-se. Com Aktürkoglu mais discreto, foi o 11 do Benfica a reclamar protagonismo: se o turco foi o homem do jogo, Di María foi quem mais tempo esteve num nível exibicional elevadíssimo. Além das duas assistências, entregou mais um par delas (não concretizadas) e esteve perto do golo em pelo menos duas ocasiões.

Gradualmente, a pressão da águia foi baixando, até Lage incutir mais frescura e verticalidade com as entradas de Arthur Cabral e Amdouni. O avançado brasileiro quase marcou na primeira ação em campo e o suíço desperdiçou uma oferta de Di María com embrulho e lacinho, antes de fazer o 5-0 final já depois do recém-entrado Schjelderup se ter estreado a marcar pela equipa principal do Benfica.

O Benfica reage com uma exibição de mão-cheia à derrota na Europa. Pela qualidade e pelos números, numa noite em que a equipa de Bruno Lage deu mais uma prova de que nunca lhe faltaram recursos mesmo nas noites mais negras. Faltava, sim, quem a compreendesse.

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