Pizzi: «O futuro do Benfica podia ter passado por Bruno Lage»

30 jul 2024, 00:10
3.º Pizzi (Benfica), 18 golos (2826 minutos)

Antigo jogador dos encarnados assume que ainda não consegue explicar a época 2019/20 e aborda a situação de João Félix

Pizzi recordou a passagem pelo Benfica e assumiu que ainda não consegue explicar como é que os encarnados deixaram escapar o título na temporada 2019/20, com Bruno Lage.

«É uma época difícil de expressar por palavras o que aconteceu. Começámos a ganhar 5-0 ao Sporting na Supertaça. Na 1.ª volta só perdemos com o FC Porto, de resto só vitórias. Depois começamos a segunda volta a cair, veio o Covid, foi muito complicado. Quando voltámos, o FC Porto perdeu em Famalicão, mas nós empatámos em casa com o Tondela. Quando íamos para o Seixal houve o apedrejamento do autocarro e foi como uma bola de neve. Dentro do campo não conseguíamos. Pode ter sido fraca reação à perda da bola… mas é tão difícil que ainda hoje não consigo dizer o que se passou. Nós tínhamos um grupo muito bom, nunca tivemos problemas com Bruno Lage, ao contrário do que se falava. Além de bom treinador, fora de campo ele era incrível», começou por dizer o médio português, no Canal 11.

Pizzi defendeu ainda que Lage deveria ter continuado na Luz, apesar dos maus resultados. «A saída foi difícil, ele não era o culpado. Quando uma equipa não ganha, o treinador é sempre o primeiro a ser sacrificado. Mas acho que o futuro do Benfica podia passar pelo Bruno Lage, porque apostava na formação, a equipa jogava bem, e acreditava que ele poderia ser o futuro do Benfica. Mas a direção acabou por optar por outra decisão.

O médio de 34 anos abordou também o caso de João Félix e tentou perceber os motivos que atrasam a afirmação do avançado na elite do futebol mundial.

«O João Félix para mim é um fenómeno. Tive a felicidade de estar com ele e presenciar dentro de campo, nos treinos, o quão bom ele é. É fantástico. Um dos melhores que já apanhei tecnicamente. Sem dúvida. Falta-lhe continuidade. Pode fazer um ou dois jogos bons e depois fica outros em que as coisas não correm tão bem e, se calhar, vai abaixo. Em termos de treino, e vi no Benfica, treinava muito bem e acredito que continua a fazê-lo. Falta continuidade e um contexto favorável para dar o salto. A qualidade que ele tem dá para dar esse salto», sublinhou.

«O [Diego] Simeone é um grande treinador, mas não gosta de um futebol apoiado. O João Félix gosta de jogar apoiado, um contra um, um jogo de bairro, mais anárquico, que vai para cima e sem medo de perder a bola. No Atlético de Madrid, passava maior parte do tempo a defender. O estilo de jogo não o favorece. Mas o jogador também tem de ser inteligente e adaptar-se ao que o treinador e o que o clube quer. Uns jogadores têm essa capacidade de se adaptar e outros não. Acredito que o problema do João Félix possa estar aí», disse Pizzi, que trabalhou com Simeone no At. Madrid.

Na mesma entrevista, Pizzi apontou Jota como aquele jogador que mais o surpreendeu por não ter vingado na equipa principal do Benfica. «Faltou-lhe um clique.»

Relacionados

Benfica

Mais Benfica

Mais Lidas