Antes de rumar à Dinamarca, Pedro Ganchas deu o "salto" para a Liga pela porta do Paços de Ferreira, onde encontrou mestres e um ídolo. Ao Maisfutebol, o defesa formado no Benfica salienta o arcabouço construído nos "Castores". PARTE III
Nascido para o futebol a vestir o azul do Carregado, em Lisboa, Pedro Ganchas pintou muitos capítulos de vermelho pelo «clube do coração». Ainda assim, guardou tinta amarela para épocas pelo Paços de Ferreira, na Liga e II Liga. O defesa central, de 24 anos, deixou os "Castores" no verão, ao cabo de dois anos e meio, rumando à Dinamarca e ao Silkeborg.
Ao Maisfutebol, Pedro Ganchas recorda os líderes de balneário no Paços de Ferreira, além do reencontro com Nico Gaitán, médio que idolatrou na infância e adolescência.
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Maisfutebol: Deixa o Benfica e ruma ao Paços de Ferreira, que competia na Liga. Na época de estreia, cruza caminho com Nico Gaitán.
Pedro Ganchas: É difícil expressar o que representa para os adeptos do Benfica. Cresci a ver o Nico no Benfica, partilhar balneário com ele era um sonho. Foi um privilégio, era um ídolo de infância. Chegámos a Paços de Ferreira com dias de diferença. E conversámos sobre os anos dele no Benfica. É muito humilde e genuíno, sempre disponível a ajudar os mais novos.
PG: Dessa fase destaco também o Vitorino [Antunes], outro nome marcante. É um líder, mas, a par do Rui Fonte, também era dos mais brincalhões. Era um grupo com bons líderes e boas pessoas, teria de elogiar muitos mais. Ajudaram-me a crescer e a perspetivar o futebol ao mais alto nível. Antes de sair do Benfica B, não tinha colegas com 15 anos de carreira. Em Paços de Ferreira convivi com jogadores que viveram vários percursos e em vários países, é uma aprendizagem contínua e muito rica.
MF: O contexto do Paços de Ferreira, com o objetivo de manutenção na Liga, foi um choque?
PG: A primeira época foi mais tranquila, conseguimos uma margem confortável para alcançar a manutenção. A segunda temporada foi complicada, começou mal e tive várias lesões. Foi um ano de crescimento e de aprendizagem, é importante lidar com os momentos menos bons. Foi muito diferente daquilo que estava habituado no Benfica. Acabou por ser muito importante, mesmo descendo à II Liga.
MF: Antes de emigrar, teve a possibilidade de regressar à Liga?
PG: Nada de concreto. Por isso, decidi abraçar o projeto do Silkeborg.
MF: E na Dinamarca reencontrou um colega do Benfica, o extremo Serginho Andrade (Viborg).
PG: Já cá estava na última época. É sempre bom reencontrar amigos. Ele está a construir bem o seu percurso e é bom sinal o reencontro acontecer neste patamar.
MF: O Serginho jogou no Estoril e na Oliveirense. É um adversário complicado?
PG: É um extremo diferenciado, de muita qualidade técnica. É capaz de desequilibrar, muito bom no um para um, sem medos. Reconheço-lhe muito potencial.
