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Benfica assume «ajustamentos» se falhar a Champions e esclarece Benfica District

10 abr, 19:34
Nuno Catarino (Francisco Paraíso/Benfica)

CFO das águias aponta ao «equilíbrio económico-financeiro e desportivo» e faz um ponto de situação do projeto

Apesar do terceiro lugar na Liga, o Benfica ainda tenta garantir uma vaga na Liga dos Campeões da próxima época, mas, caso não o consiga, os responsáveis das águias admitem que será preciso «fazer os ajustamentos necessários» para equilibrar as contas.

«Não é a primeira vez que isso acontece na história. Para já, o cenário, obviamente, é de chegarmos à Liga dos Campeões. Esse é o cenário central e é sempre para isso que trabalhamos. Nalguma eventualidade, eu acredito, muito remota, de ser algo diferente – também já aconteceu no Benfica no passado, e acontece em muitos outros clubes –, tem de se fazer os ajustamentos necessários para garantir o equilíbrio económico-financeiro e desportivo do Benfica. Mas estaremos cá para fazer esse trabalho», garantiu Nuno Catarino, CFO do Benfica, em entrevista à BTV.

Sobre o empréstimo obrigacionista de 40 milhões de euros, Nuno Catarino garantiu que se enquadra na estratégia de financiamento da SAD.

«Até há bem pouco tempo, a SAD tinha feito recorrentemente empréstimos anuais de três anos, ou seja, três linhas que renovavam todos os anos, porque o prazo é de três anos. Nós alterámos a estratégia no ano passado, fizemos aqui um alongamento de prazos. No ano passado, fizemos uma emissão de quatro anos, neste ano estamos a fazer uma emissão de cinco anos», afirmou, justificando esta estratégia com a redução de custos.

O dirigente encarnado também salientou que «os empréstimos obrigacionistas não servem» para atacar o mercado de transferências.

«De facto, o mercado analisa-se, o mercado de entradas com o mercado de saídas, o ajustamento da equipa faz-se aí. Isto tem muito que ver com a estratégia de longo prazo de financiamento da sociedade, que é igual à de muitas outras sociedades. Se alguém for consultar, quase todas as empresas têm empréstimos obrigacionistas de todas as formas e feitios, e as que não têm, têm outros formatos de financiamento que se equivalem aos empréstimos obrigacionistas. Isto tem que ver com a atividade de uma empresa que tem 650 milhões no consolidado, de balanço, tem toda a sua atividade, e tem obviamente necessidades de financiamento, que se faz, no caso do Benfica, com uma parcela importante via empréstimos obrigacionistas», disse.

Nuno Catarino afirmou que o Benfica tem um plano para crescer a receita total do clube para 500 milhões, «para reduzir o peso, o volume e as necessidades de vendas dos jogadores».

«É essa a estratégia desde há um ano, pelo menos. O desenvolvimento de uma empresa a cinco anos, que é do que estamos a falar, faz-se também de saltos. Há momentos em que há saltos. Quando for feito o Benfica District, haverá um salto. Quando se faz uma renovação de um grande contrato, faz-se outro salto. Não é um processo linear, digamos assim, de crescimento da atividade, mas temos as várias iniciativas bastante bem elencadas. Sabemos quando podemos esperá-las e acontecerá esta evolução a médio prazo.»

«Benfica District? Estamos numa fase ainda de licenciamento»

Ora, em relação precisamente ao Benfica District, Nuno Catarino não quis dar previsões sobre quando podem arrancar as obras.

«Não são previsíveis obras de monta, ou de alguma forma, no prazo de um ano. Estamos sempre a falar a um ano de distância para haver obras, tanto que a próxima época desportiva e as seguintes dentro do estádio ocorrerão com toda a normalidade. A partir do próximo ano, haverá algumas disrupções na envolvente do estádio, porque isso decorre das obras. Mas, obras, obras, daqui a um ano estará a perguntar-me em que mês é que vão começar as obras, mas não é previsível», garantiu.

«Estamos numa fase ainda de licenciamento. Houve a aprovação do projeto no nível de abstração que foi apresentado aos sócios, ou seja, o projeto macro. Estamos em conversações com a Câmara, que é a entidade licenciadora em várias dimensões. Neste momento estamos a falar com quase todos os departamentos, empresas municipais, e está-se a fazer esse trabalho de campo. Esperamos ter uma resposta para o licenciamento nos próximos meses. A partir daí, talharemos ainda mais os projetos, traremos a bordo potenciais operadores que explorem alguns dos diferentes espaços, também no modelo que procurámos explicar nas assembleias explicativas e na Assembleia Geral. E, depois, talvez daqui a nove meses, teremos o project finance, digamos assim, aí, sim, bastante bem definido. O projeto concreto, que está aprovado, terá sempre variações versus o que está previsto, e vamos fazendo os ajustamentos, e, aí, seguirá o processo, o projeto, de forma normal. Este é o plano, e não mudou de há quatro meses para agora», frisou.

Mais novidades poderão esperar-se para o primeiro semestre do próximo ano, sem que o estádio seja afetado pela «evolução do projeto».

«Haverá algumas condicionantes de acessos, mas estamos a falar muito disso. No que decorre da exploração, ou das atividades das modalidades, e de algumas atividades que ocorrem na parte de fora, haverá, obviamente, mudanças. Estamos a procurar espaços para que as nossas equipas possam jogar, estamos a arranjar alternativas, e vai haver duas épocas com alguma convulsão, que é a parte em que se está a reconstruir, para melhor, toda a parte desportiva. Aí, sim, haverá impacto, como também já explicámos. Mas tem sido um bocadinho isto: o Benfica vai sempre jogar no seu estádio, as pessoas vão poder sempre vir ver o seu jogo do futebol masculino, vamos também voltar a ter jogos do futebol feminino – e teremos seguramente cada vez mais. Isso decorre normalmente, a atividade dentro do estádio. Cá fora, teremos condicionantes», admitiu.

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