Lage: «Há coisas que têm de mudar, umas de forma radical»

David Marques , Enviado-especial aos Estados Unidos
29 jun 2025, 02:57

«Há coisas que têm de mudar, umas de forma radical»

«Temos de dar, no mínimo, 15 dias aos jogadores para recuperarem»

«Carreras não jogou porque entendo que o Dahl está melhor»

«Não é por vencer um jogo que saio mais fortalecido»

«Não há qualquer problema com Renato Sanches, não iria colocar ninguém em risco»

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Treinador do Benfica considera que um dos objetivos da equipa no Mundial foi cumprido e já pensa na próxima época

Bruno Lage, treinador do Benfica, em declarações aos jornalistas após o jogo com o Chelsea para os oitavos de final do Mundial de Clubes:

[Balanço da prestação do Benfica neste Mundial]

«Chegámos aos oitavos de final do Mundial, com uma boa prestação. Acho que cumprimos o nosso objetivo na primeira parte, que era seguir em frente. Hoje tínhamos um adversário muito difícil. O quarto classificado da Premier League, um adversário que ganhou uma competição europeia e que tem jogadores muito fortes e com uma enorme qualidade. Tentámos lutar com as nossas armas.

Olho para este Mundial e olho também para o que fizemos ao longo da época. Oitavos de final do Mundial, da Liga dos Campeões, perdemos a Taça de Portugal da forma como todos sabem, disputámos o campeonato até à última jornada e vencemos a Taça da Liga. Em termos monetários também é algo que enquanto equipa técnica e estrutura temos de repensar, porque é realmente um valor muito grande para o clube. Em 95 por cento dos clubes era um trabalho razoável, mas para o Benfica faltou claramente aquele que é o objetivo principal, que é vencer o campeonato.

Mas nem tudo o que foi feito está errado. E, projetando já a próxima época, há coisas que têm de mudar. Umas de forma radical, outras para melhorar a nossa qualidade de jogo.

[O que considera que tem de mudar radicalmente?]

«Isso é algo nosso. Mas uma coisa que já partilhei e ainda hoje foi notório, é que há uma agressividade da nossa parte que não é natural da nossa parte e que temos de colocar mais nos nossos jogos. Sermos agressivos, parar transições com faltas e ter mais o lado de experiência. Houve um jogador adversário que fez quatro ou cinco faltas, não levou cartão amarelo e conseguiu por várias razões meter o Prestianni na rua.»

[Acha que sai fortalecido com estes oitavos?]

A minha posição não é importante. É com enorme prazer que sirvo o Benfica. Se por vencer um jogo sair mais ou menos fortalecido, não é dessa forma que analiso o meu trabalho. O que conta é a forma como eu preparo, analiso os jogos e preparo a equipa.»

[Esta é uma derrota que dói tanto com as mais dolorosas ou dói um bocadinho menos porque por outro lado permite que a preparação da próxima época seja feita de forma um pouco mais normal?]

Não, não. A parte do normal já está posta de parte. Um bocadinho? Não há bocadinho nenhum, porque no mínimo temos de dar 15 dias a estes jogadores para conseguirem recuperar e depois vamos ter duas semanas e meia para preparar a Supertaça. O normal é fazer no mínimo quatro a cinco semanas [de pré-época] e isto já não é normal. Temos de ter capacidade para nos reinventarmos e perceber que este é um momento da época que é muito importante com a Supertaça, as eliminatórias da Liga dos Campeões e o início do campeonato. O Benfica tem de entrar a todo o gás nesse sentido.

Se dói um bocadinho menos? Não, não! Dói muito porque nós viemos com a mentalidade de fazer uma boa prestação. Passámos a primeira fase, perdemos com o Chelsea, uma equipa que venceu uma competição europeia e que terminou a Premier League no quarto lugar, mas não há derrotas fáceis de aceitar.

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