Questionado sobre a falta de informação dada aos benfiquistas sobre o seu futuro, José Mourinho diz que é a ele que lhe cabe dar uma resposta, mas acrescenta que não está em condições de fazê-lo
José Mourinho, treinador do Benfica, em declarações aos jornalistas após o empate dos encarnados com o Sp. Braga. O técnico voltou a ser questionado sobre o futuro no clube da Luz e a possível saída para o Real Madrid no fim da época:
Disse que se divertiu com os jogadores que treinou esta época numa resposta que pareceu soar muito a despedida. Não acha que os adeptos do Benfica mereciam já uma resposta bastante clara da sua parte sobre o seu futuro, ou considera que não lhe cabe a si dar essa resposta?
«Claro que cabe a mim dar essa resposta. Já me viu esconder-me alguma vez das minhas decisões, das minhas responsabilidades? Mas que ninguém me obrigue a decidir ou a comunicar as minhas decisões, porque sou eu que decido os momentos. Eu não estou em condições de lhe responder. Não estou em condições.
Na minha cabeça, desde que se começou a falar de hipóteses, só havia uma coisa: trabalhar e fazer o meu melhor e não vou acabar até ao jogo com o Estoril. É o respeito que o Benfica me merece e o respeito que a minha profissão me merece. E que ninguém toque aí! A não ser que seja algum idiota que o faça, mas na minha dignidade profissional e na minha honestidade e respeito para com um clube como o Benfica é, que ninguém toque por aí.
Tenho o direito de me ter isolado. Eu continuo a dizer que não falei com ninguém de outro clube. Agora fala-se do Real Madrid, mas podia estar a falar-se de outro clube qualquer. Não falei com ninguém. A partir do momento em que entrámos nesta fase terminal da época, acho que não fazia sentido nenhum não fazer outra coisa que não fosse concentrar-me naquilo que é o meu trabalho. A partir de domingo terei a oportunidade.
Quando diz que soou a despedida, não soa a despedida. Soa ao respeito que tenho por eles [jogadores]. E soa a uma defesa antecipada, porque o futebol tem estas coisas. O futebol é muito ingrato muitas vezes e serem criticados hoje parece-me de uma injustiça muito grande. Quando os critiquei a seguir ao Casa Pia, saiu-me da alma, do coração. Mas é a minha natureza: tentar ser sempre justo com os meus jogadores.
E hoje, que é o dia em que se pensa que o Benfica não terminará em segundo lugar, é o dia em que eu tenho de os defender porque acho que eles merecem. E fico-me por aqui porque não quero começar a próxima época castigado. Só falta um jogo e oito dias. Normalmente as suspensões são de 20, 30, 40 dias, quatro jogos, cinco jogos.»
Mas o castigo só se aplicaria à Liga portuguesa…
«Hmm… e mesmo que seja a Liga portuguesa, já me sucedeu em Roma começar uma época com um castigo de uma época anterior e confesso-lhe que é uma situação estranha e que não é boa. Aconteceu-me na terceira época depois da final da Europa League. E não é bom. Não só por mim, mas também pelo meu clube, calma: só falta uma semana.»
