Peter Kenyon: «Acho que José Mourinho é ótimo para o Benfica»

13 nov, 15:19
Liga dos Campeões: José Mourinho no Benfica-Bayer Leverkusen (MIGUEL A. LOPES/LUSA)

Antigo dirigente do Chelsea diz que o treinador «lançou as bases do sucesso» do clube londrino

Peter Kenyon, talvez o grande responsável pela contratação de José Mourinho pelo Chelsea, em 2004, elogiou o treinador português e também falou sobre o seu mais recente desafio - o Benfica. E ainda falou sobre Ruben Amorim.

Em declarações feitas em Lisboa, na Web Summit, Kenyon disse que o treinador «sempre teve um desempeno acima da média» de Portugal. 

«Eu quero que o José [Mourinho] tenha sucesso e quero que seja no Benfica. Acho que ele é ótimo para o Benfica e espero que o clube seja bom para ele. O futebol português sempre foi. Acho que ele sempre teve um desempenho acima da média do país. Se olharmos para os jogadores portugueses pela Europa e pelo mundo, penso que ele se encaixa perfeitamente», começou por dizer.

«Eu sou um grande fã dele e um grande amigo. Acho que ele é distinto e, genuinamente, acredito que pode vir a ter muito sucesso no Benfica e no futebol português», salientou.

Atualmente, Kenyon assume funções diretivas na escuderia da Fórmula 1 Williams, além de ser consultor do Al Qadisiah. Instado por um jornalista a escolher um agente do futebol num monolugar de Fórmula 1, Kenyon voltou a destacar o atual treinador do Benfica.

«O Mourinho é de outra categoria. Quando chegou a Inglaterra, foi o primeiro da nova geração e eu acreditei nisso. Não foi fácil, a envolvência nunca foi favorável, mas acabou por correr bem por ter sido feito pelos motivos certos. Ele mudou o rumo e lançou as bases para os 15 anos de sucesso do Chelsea e não apenas para os dois anos e meio que lá esteve. De certeza. Ele mudou a cultura», vincou.

«Ele sabia o que era ganhar e incutiu isso em alguns bons jogadores que nunca tinham ganhado e mudou a dinâmica. Mas ele teve um impacto maior no futebol inglês e, sinceramente, espero que ele consiga reerguer o Benfica», completou. 

Antes de ter rumado ao Chelsea, Kenyon desempenhou funções idênticas no Manchester United, atualmente orientado pelo português Ruben Amorim. Peter Kenyon também falou sobre o jovem técnico luso. 

«Acho que as pessoas não compreendem o quão difícil e o quão grande é o Manchester United. É uma envolvência muito diferente e penso que chegou o momento de reconstruir a sua cultura. Não se trata apenas de contratar um futebolista, mas sim descobrir o que vai fazer com que esta equipa volte a ser grandiosa», referiu.

O britânico encontrou «sinais de que as coisas estão a melhorar» nos Red Devils, apontando o treinador português como «elemento-chave» nesta transformação.

«A exigência dos adeptos do United é enorme, ainda somos um dos maiores clubes do mundo e as expectativas são sempre gigantes. Mas, sem ver como adepto, estas coisas levam tempo. Não é um jogador ou um treinador que fazem a diferença, é todo o ambiente. Sei que todos estão a trabalhar nesse sentido, mas o futebol é julgado pelos resultados ao domingo e à quarta-feira. É difícil, mas tenho gostado da honestidade dele. Não foge à responsabilidade e espero que, entretanto, as coisas comecem a resultar», explicou.

Apenas um ano após a chegada de Amorim a Old Trafford, Kenyon não hesitaria a manter a confiança no português.

«Não se pode fazer sem tempo. Não se pode dar um tempo infinito às pessoas. É preciso ver os resultados a começar a avançar na direção certa e acho encorajador que isso esteja a começar a acontecer. Mas é um ambiente difícil, a Premier League não é uma liga fácil e o tempo, no futebol, é brutal e raramente se tem», concluiu.

 

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