Treinador aceita repto de Rui Costa e promete lutar até ao fim, mas diz que acreditar no primeiro lugar é pouco realista
José Mourinho ficou muito incomodado e agastado com as perguntas relacionadas com o seu futuro no Benfica e também relacionadas com s objetivos do Benfica na presente temporada, depois do presidente Rui Costa ter dito que a equipa teria de lutar até ao fim, enquanto fosse matematicamente possível. Dois temas que dominaram boa parte da conferência de antevisão à receção ao Nacional, marcada para este domingo, com o treinador dar respostas longas a cada um dos temas.
Já disse que quer continuar no Benfica. Sente que a vontade do clube é recíproca?
«Epah, as pessoas que falam de futebol, as pessoas que comentam, as pessoas que vivem dessa área paralela ao futebol, podem mudar de opinião a cada dia, a cada hora ou do minuto 89 ao minuto 91. Acho que fazerem a mesma pergunta duas, quatro ou cinco vezes, acho que não vale a pena. E acho que fazerem a mesma pergunta a Rui Costa acho que também não vale a pena. Vocês já perguntaram várias vezes ao presidente Rui Costa o que vai acontecer na próxima época relativamente ao treinador. Ele já vos respondeu. Perguntaram-me a mim duas, três, quatro vezes. Eu disse que sim, quero continuar. Perguntaram sobre as declarações do meu agente e disse não, sou eu que decido. Perguntaram há uma ou duas semanas e eu disse que se me metessem um contrato de dez anos para eu assinar, eu assinava. Perguntaram a seguir ao Casa Pia se eu queria continuar e eu disse que sim. Amanhã vai-me perguntar outra vez se eu quero continuar? Vai perguntar outra vez ao presidente Rui Costa o que é que vai acontecer? Epah, eu não sei. Não sei se nos temos de apresentar perante vós e responder sempre à mesma pergunta, acho um bocadinho estranho. Mas relativamente ao presidente Rui Costa, se lhe quiserem fazer a pergunta pela milésima vez, façam que é um problema vosso e um problema do presidente, a mim, não me façam mais a pergunta. Eu quero ficar no Benfica na próxima época».
Disse que o objetivo do Benfica, depois do empate com o Casa Pia, era o segundo lugar. Mas o presidente Rui Costa diz que o objetivo ainda é o título
«Lá vou ser insultado outra vez… se a minha carreira reflete alguma coisa é perseverança, trabalho, resiliência… isso é o que a minha carreira reflete, portanto, qualquer palavra que teu tenha proferido e que parece que passou a ser lei universal, não me revejo nisso. Uma das coisas que faço como treinador depois dos jogos que é não falar aos jogadores, tem qualquer coisa por trás. É que depois dos jogos, se falares aos jogadores, arrisca-te a dizer coisas que não queres dizer. Arrisca-te a não expressar verdadeiramente aquilo que tu pensa, aquilo que tu sentes, aquilo que é a tua essência. no dia seguinte, sim, só que há uma coisa da qual toda a gente pode fugir, menos o treinador que é, depois do jogo, ir à conferência de imprensa. Toda a gente pode fugir, toda a gente pode esconder-se, mas há um que não pode, senão paga 1.200 ou 2.500 euros de multa. Não só pela multa, mas pela própria circunstância. Eu não sou pessoa que, depois de uma derrota, neste caso um empate, para dizer, ok, pago os mil e tal euros e não vou à conferência. Eu tenho que ir. Toda a gente pode fugir, o treinador não pode. Faz parte do nosso trabalho, ok, é por isso que nós vamos e arriscamos a dizer coisas que sentimos e a dizer coisas que não se sentem».
«Mas outra coisa que representa a minha carreira é o sentido de realidade, tentar sempre ser muito realista. Coisa que me estimula sempre muito, é o matematicamente possível, principalmente quando depende de ti próprio. Outra coisa é o matematicamente possível quando depende dos outros e quando começas a estar na mão dos outros a coisa fica mais complicada. A nossa qualificação na Champions League este ano acho que reflete muito bem aquilo que o Benfica é e aquilo que eu sou e eu tive muita responsabilidade nessa qualificação. Se calhar muito mais do que as pessoas possam eventualmente pensar. Quando jogo após jogo havia muita gente morta, muita gente quase enterrada, havia sempre alguém que agarrava, havia sempre alguém que puxava, havia sempre alguém que dizia que ainda é possível. Era possível e foi possível e a maneira como nos qualificámos tem a cabeça de alguém que meteu a bola lá dentro, mas também tem o dedo de alguém que acreditou, que arriscou e que disse vamos lá».
«Relativamente ao campeonato, obviamente que matematicamente ainda é possível. Não preciso que ninguém me diga que no Benfica – porque eu sou o primeiro a dizer – independentemente se os objetivos foram atingidos ou não, nem nos jogos amigáveis se brinca ao futebol no Benfica. É sempre a sério. Mas, realisticamente, vejo difícil que o FC Porto perca sete pontos. Agora, é nossa missão, é nossa obrigação. Uma coisa são as minhas palavras a dizer “acabou”. Outra coisa é o meu trabalho aqui, a semana toda desde o primeiro dia, a dizer vamos e vamos e vamos e a treinar sempre mais e mais e melhor. São coisas diferentes, portanto, nós temos de lutar por estes seis jogos, 18 pontos, e temos de ficar à espera que o FC Porto empate ali, perca acolá. Os dois pontos que desperdiçámos no Casa Pia empurraram-me a ter esse tipo de declaração. O presidente falou e quando o presidente fala eu calo-me, mas temos um tipo de relação que me permite dizer, sem que ele se chateie, porque ele conhece-me bem, porque passa muito tempo comigo e sabe que não me revejo em nada na ideia que agra desistimos porque já não temos hipóteses. Não importa se temos hipóteses ou não. Importa que o Benfica tem que entrar e ser mais forte do que foi com o Casa Pia. Tem de ser mais forte a todos os níveis».