Treinador fala sobre os nove empates consentidos pelo Benfica na Liga, mas também aborda a atitude dos jogadores e refuta algumas críticas que lhe têm sido dirigidas
O Benfica continua invicto na Liga, mas, com nove empates acumulados, está também no terceiro lugar da classificação, já longe da luta pelo título. Numa longa dissertação sobre os resultados da equipa, o treinador diz que os jogadores vão ter de entrar em campo com uma mentalidade diferente para vencerem mais vezes. Mourinho faz ainda autocrítica, mas não aceita apontamento externos de qualquer um.
O Benfica está invicto, mas soma nove empates. Com explica estes pontos perdidos?
«Sim, são nove empates, dos quais alguns foram conseguidos in extremis e com mérito por termos conseguido esses empates. Houve também empates em que fomos espoliados da vitória, para utilizar uma palavra simpática. E houve outros empates que tivemos por culpa própria e quando falo em culpa própria, obviamente que me incluo nisto. Este jogo com o Casa Pia é o jogo que me fere mais, enquanto treinador de uma equipa, enquanto individualidade, porque é aquele que me surpreende mais pela atitude que nós tivemos, mas fazendo autocrítica e fazendo análise como fizemos em conjunto».
«Há coisas em que temos de melhorar neste tipo de jogo que é um jogo que aparentemente é o jogo mais fácil. Nos jogos mais fáceis tem de haver uma abordagem diferente. Num jogo de cinquenta minutos, achava que era uma coisa só da Turquia, mas em Portugal é igual ou pior. Em jogos de 50 minutos tu não podes desperdiçar nem um, porque vais jogar contra uma equipa que vai defender, que te vai criar dificuldades, em que tens de martelar, tens que acabar com o jogo o mais rapidamente possível. Para acabares tens de começar cedo também. Não podes permitir uma abordagem que permita ao adversário estar num jogo de 50 minutos tranquilamente instalado. Depois quando fazes um golo em que finalmente saltas o muro, não podes depois sofrer um golo da maneira que nós sofremos. Não podemos sofrer o golo que sofremos frente ao Rio Ave no Estádio da Luz no último minuto. Apesar de termos sido espoliados com o Casa Pia em casa, não podemos sofrer o golo do empate como sofremos. Não podes sofrer o golo como sofreste frente ao Santa Clara em casa também».
«Depois também há vetores que vão sob o ponto de vista da atitude, daquela urgência, daquele quase pânico, entre aspas, de não perder pontos. Utilizei no outro dia uma expressão com os jogadores que se calhar é uma expressão triste, mas se alguém te telefonar a dizer que estão a assaltar a tua casa com a tua família lá dentro, quanto tempo é que demoras daqui a até casa? Voas e és apanhado em mil controlos de velocidade. Crias perigo às pessoas inocentes que vão na rua, mas tu vais. No futebol é um bocadinho isso. As equipas que jogam para objetivos importantes têm de ter esse tipo de urgência. É urgente, o jogo tem de acabar. Se estou a ganhar 1-0, o jogo vai acabar 1-0, não vou sofrer um golo como sofremos.»
O golo consentido diante do Casa Pia
«O golo que sofremos tem contornos ridículos. É uma equipa que não passa do meio-campo o jogo todo, é uma equipa que não faz um único remate à baliza com exceção de uma bola parada no último minuto da primeira parte. Na segunda parte o guarda-redes manda uma bola longa e depois temos três possibilidades de a ganhar. Perdemos a primeira, perdemos a segunda, perdemos a terceira. Amigo, põe a bola na bancada. É lançamento lateral, tu defendes e ganhas 1-0. Foi um jogo em que foste pobre, foste pobre, mas ganhaste. As equipas que jogam para objetivos grandes têm de ganhar os jogos mesmo quando são pobres. Revejo-me na autocrítica que tenho de ser mais eloquente com eles. Apesar de ter sido muito criticado, se calhar é mais trucidado, relativamente ao meu estilo de liderança e à minha maneira de comunicar, se houver algum com 27 títulos que me queira criticar, eu aceito. Com menos de 26, acho que eu é estou certo.»