Vice-presidente Nuno Catarino garante que os 65 milhões de euros arrecadados esta segunda-feira não vão ser gastos no mercado
O Benfica garantiu esta segunda-feira um encaixe de 65 milhões de euros com o empréstimo obrigacionista 2026-2031, mas, segundo o vice-presidente Nuno Catarino, este valor não vai servir para reforçar a equipa de futebol, já que o objetivo delineado é «gerir a dívida», mesmo que a equipa comandada por José Mourinho não consiga a qualificação para a Liga dos Campeões da próxima época.
«O objetivo deste empréstimo é o que está descrito no prospeto. Não tem a ver com nada que se passe no final da época. Não podemos colocar sequer essa questão. Comprar e vender jogadores é uma realidade. Nós faremos num cenário e noutro cenário. É assim com todos os clubes na Europa. Há sempre dois planos. E assim faremos quando a questão se colocar», explicou o responsável pelas finanças do clube, depois de apresentar os resultados do empréstimo obrigacionista na Euronext Lisboa.
Segundo Nuno Catarino, o sucesso da operação traduz a «boa saúde financeira» da SAD. «Isto é o reflexo de uma boa saúde financeira. Temos estabilidade e capacidade de nos adaptarmos ao contexto», referiu.
Um empréstimo que, inicialmente, seria apenas de 40 milhões, mas que foi aumentado para 65, face à elevada procura que foi 1,36 vezes superior à oferta. «O montante final que fomos buscar estava no nosso plano. Esta operação não impacta a dívida líquida, mas impacta a gestão entre a dívida de curto prazo e de médio prazo. É uma operação que reflete a elevada confiança que existe», sublinhou o dirigente.
A operação «Benfica SAD 2026-2031», lançada a 8 de abril, oferece juros de 4,65 por cento e maturidade de cinco anos. «O Benfica é um clube invejado lá fora. Não há muitos clubes que consigam fazer emissões no retalho como nós conseguimos fazer. Há um respeito pelo que se faz no Benfica que nem sempre é refletido nas notícias da espuma dos dias. Há muito interesse», assinalou.
No total, participaram na oferta 4.831 investidores e cerca de metade aplicou entre 2.500 e 5.000 euros. «Este instrumento faz sentido. A nível de retalho, é um dos melhores [para captar capital]. O mercado institucional é interessante, e que nós monitoramos constantemente. Mas, as condições que temos no retalho, achamos que são boas condições», destacou também Nuno Catarino, acrescentando que, pela primeira vez, o Benfica consegue pagar um prémio de risco abaixo de 2 por cento (na ordem de 1,8 por cento e 1,9 por cento).
O vice-presidente do Benfica adiantou ainda que a SAD benfiquista pretende, a partir de agora, fazer emissões de dívida apenas de dois em dois anos, em vez de anualmente, como acontecia até agora. «Queremos passar a lançar emissões de dois em dois anos. A próxima que vence é em 2027, depois é em 2029 e esta em 2031. Dá-nos mais estabilidade. Muitos investidores trocam, e esta é uma perspetiva mais estável. Além disso, em 2028 não temos que emitir, e esse é o ano [da centralização] dos direitos televisivos, o que nos tira pressão», revelou.
Quanto à questão direitos televisivos, o administrador financeiro referiu que o clube da Luz tem «várias preocupações» sobre o processo e que vai defender os seus interesses enquanto o «maior clube» português. «Neste momento, não esperamos nenhum impacto em particular. Sabemos quanto temos, na ordem dos 57 ME por época [contrato fechado em janeiro com a NOS para as próximas duas temporadas], o que é um aumento face ao contrato anterior», referiu ainda.
