Marco Silva: «Não gosto de ouvir que empatámos mas jogámos bem»

12 ago, 20:28

«Académico? Criámos muitas oportunidades, mas não queremos vitórias morais»

«Mercado? Não vou falar de jogadores que não são nossos...»

«Queremos deixar uma resposta diferente daquilo que foi o jogo contra o St. Gallen»

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Treinador do Benfica encara jogo com o Hearts como uma possibilidade de a equipa crescer

Marco Silva, treinador do Benfica, antevê a visita a Edimburgo para defrontar o Hearts na segunda mão da terceira pré-eliminatória de acesso à Liga Europa:

Acredita num jogo diferente do da primeira mão?

«Não há jogos iguais, mas queremos que tenha o mesmo tipo de resultado para nós, a vitória. É com esse objetivo que aqui estamos. Estamos com um resultado que nos dá a estabilidade e a confiança para encarar de uma forma muito positiva, mas não nos pode dar facilitismos, porque esse será o primeiro passo para errar, e nós não queremos errar. O objetivo é estar no play-off, mas é diferente consegui-lo com dois resultados bons do que só com um. Amanhã queremos fazer tudo para ganhar e continuar a progredir. Estamos já a competir, mas com jogadores que chegaram mais tarde e ainda têm de perceber melhor as dinâmicas e o que queremos. Temos percebido isso quando há algumas alterações durante os jogos. Em alguns momentos a equipa consegue manter os níveis ou até melhorar, noutros há jogadores que ainda têm de se adaptar ao que pretendemos, faz parte. O jogo de amanhã é bom para isso. Alguns jogadores vão ter, possivelmente, a oportunidade de começar um jogo oficial. É importante vê-los e conhecê-los no treino, mais muito mais importante é perceber como reagem no jogo. Amanhã, acredito que o jogo terá intensidade. Normalmente, o ambiente aqui leva a que o jogo atinja níveis de intensidade que queremos ser obrigados a jogar.»

Vai haver mudanças na equipa?

«Não vou estar a fazer referência sobre quem pode ou não começar (como titular). Como não vou dar nomes de jogadores de campo, não vou falar também da baliza. Amanhã vão ver quem vai começar o jogo, mas sim, é uma oportunidade. Não porque o resultado (da primeira mão) foi muito positivo, mas porque sinto essa necessidade. É importante ver jogadores em competição, e também dar-lhes competição. Não querendo dizer que vão ser muitas ou poucas alterações, vão existir algumas. Há jogadores que merecem essa oportunidade e amanhã vão tê-la.»

Como se motiva a equipa depois do 6-1 da primeira mão?

«Quando vestimos a camisola do Benfica, quando estamos a este nível de responsabilidade, a motivação tem de ser algo natural. Não só no jogo, porque isso vem muito do treino. Sou daqueles que acredita muito que quem treina bem acaba por jogar bem, quem se foca no trabalho fica mais perto de lhe acontecer coisas boas durante o jogo. Percebo que o resultado é bem dilatado, sinal de que fizemos as coisas muito bem no primeiro jogo. Temos capacidade de o fazer novamente, num ambiente diferente. Vai ser o nosso segundo jogo oficial fora de casa. O primeiro não correu como queríamos, o desafio amanhã é retificar isso. Não tanto olhando para o que é o Hearts, mas olhando para nós mesmos, para aquilo que é o Benfica e começarmos a dar passos em frente.»

Equipa mais ansiosa depois do empate com o Académico de Viseu?

«A frustração era enorme. Muitas as vezes, a nossa cara, a nossa expressão fala por nós. Sou um bocado assim. Não andamos aqui para ter vitórias morais. Jogar bem e não conseguir o que queremos não faz parte do nosso ADN. Queremos, se possível, ganhar a jogar bem, mas não andamos aqui para ter vitórias morais, porque elas não vão ser suficientes no final da época. Não gosto de ouvir que ‘empatámos mas jogámos bem’. Se empatarmos com o adversário a nivelar o jogo e a ser até superior a nós temos de o reconhecer, mas esse não foi o caso (frente ao Académico de Viseu). Fizemos tudo e devíamos ter ganho aquele jogo. Fomos uma equipa capaz de criar muitas e boas ocasiões de golo, com uma ideia clara do que queríamos quando tínhamos a bola. Depois temos de manter o foco. Em dois ou três momentos em que não fomos tão fortes como deveríamos, o adversário acabou por nos penalizar. No futebol é preciso manter níveis de concentração e agressividade durante os 95 minutos. Esse é o nosso objetivo.»

 

Bom teste para solidificar ideias ou testar novos cenários?

«Temos de continuar a crescer e de sermos capazes de nos assumir como a equipa que somos não só no Estádio da Luz, onde temos aquela grande força que nos leva a atingir qualidade e intensidade altíssimas no nosso jogo, mas temos de transportar isso para fora de casa. Quero ver isso amanhã na nossa equipa.»

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