«Sempre que estive suspenso, nunca fui a uma conferência de imprensa»

1 mar, 10:59

A explicação de José Mourinho, treinador do Benfica, ao facto de não ter encarado os jornalistas em Madrid

Ainda sobre Madrid, José Mourinho explica por que falhou a conferência de imprensa e conta como foi acompanhar o jogo à distância:

Por que falhou a conferência de imprensa em Madrid?

«Por que é que não estive (na conferência de imprensa) em todas as vezes que estive castigado para um jogo? É um princípio que é meu, que podem respeitar, ou não. Estás impedido de trabalhar, de ir ao balneário, de comunicar diretamente com os teus jogadores. Por que razão deves ir à conferência de imprensa? Não vejo razão para isso. O João Tralhão é um treinador como eu, com formação, experiência, muito representativo daquilo que é o Benfica. Cada palavra sua é uma palavra minha. Não tive motivo nenhum para não me fizesse representar pelo João, da mesma maneira que o seu chefe de redação não vê nenhum problema que seja você a vir aqui à conferência de imprensa do Benfica. É porque confia em si. Se tivesse sido uma coisa que eu tivesse feito pela primeira vez na vida, aceitaria que pudessem relacionar com a tentativa de fugir a alguma pergunta menos simpática, mas quem conhece a minha história sabe perfeitamente que em todas as situações em que estive suspenso nunca fui a uma conferência de imprensa.»

 

Sensações no final do jogo em Madrid?

«Há coisas que não sabem nem têm de saber. O Sudakov não jogou com o AVS e foi lesionado para Madrid, porque nas competições europeias podemos ter 12 jogadores no banco, mas tinha muito poucas possibilidades de jogar. Também parece que espantou muita gente o facto de o Lukebákio não ter jogado, mas está numa situação (física) que não é fácil e amanhã volta a não jogar de início. (Estava no banco para) No caso de estarmos a um golo de podermos prosseguir a nossa luta, e mesmo assim deixava a dúvida na equipa técnica de, se fôssemos a prolongamento, como poderia ele jogar mais 30 minutos. O Ivanovic entrou, como poderia ter entrado outro jogador, mas queríamos dar mais velocidade no lado esquerdo e ter um jogador que pudesse atacar mais os espaços e ser uma presença na área. E podíamos estar aqui a falar muito tempo, mas o Benfica não me paga para vos dar explicações.»

 

Como foi ver o jogo de fora?

«Foi uma coisa que me entristeceu, é frustrante, mas o trabalho foi feito. O facto de ter ficado no autocarro é minha prática comum quase sempre que sou suspenso. Tinha quatro monitores com quatro ângulos diferentes que me permitiram dizer, no final do jogo, que a única coisa da qual senti falta foi do contacto direto, a emoção, a empatia e a adrenalina. Porque, se calhar, o futuro e as modernices empurrarão o treinador principal, como já se faz em alguns desportos, ficar numa posição privilegiada de controlo sobre tudo.»

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