Treinador do Benfica desvalorizou ainda o que disse em Rio Maior sobre o rendimento de alguns jogadores
José Mourinho, treinador do Benfica, em declarações aos jornalistas na conferência de imprensa de antevisão ao jogo dos encarnados com o Nacional na Luz. O técnico reiterou a intenção de ficar no clube e procurou justificar o teor das declarações em Rio Maior após o jogo com o Casa Pia, no qual disse que tinha vontade de não pôr a jogar mais alguns jogadores, mas que «valores mais altos» se levantavam:
«Eu disse muita coisa e parece que afinal não disse tanta coisa. (...) Parece que eu não fui claro e objetivo a dizer que quero ficar no Benfica. Segundo os feedbacks que me chegavam do Gonçalo [n.d.r.: Guimarães, assessor de imprensa do futebol profissional], tem havido durante a semana mil e uma dúvidas em relação a isso. Penso que fui objetivo e explícito a dizer que queria ficar no Benfica na próxima época. Penso que não é preciso agarrar num papel e numa caneta para fazer um desenho.»
Relativamente ao que eu disse. Frustração. Obviamente, sim. Jogadores que eu não utilizaria mais... uma coisa é o que dizes e outra é o que acontece na prática. Mas penso que também frisei que uma coisa poderia ser uma declaração de intenções.
Os valores mais altos são muito óbvios. E quando parece também que houve quase um tsunami relativamente a essas declarações eu muito honestamente estive a pensar se seria eu o único treinador no mundo que mudaria alguma coisa no seu plantel. acho que no mundo só há cinco treinadores que não mudariam nada no seu plantel. Porque a natureza de qualquer plantel ou clube é a de nunca ter um plantel considerado perfeito (...)
Acho que é normalíssimo que qualquer treinador mudaria qualquer coisa no seu plantel, principalmente depois de um resultado e de uma exibição frustrante e difícil de aceitar. Na prática, também deixei claramente no ar, mas na prática há valores mais altos que se levantam, que é ter os plantéis que idealizamos num determinado momento.»
A que jogadores é que se estava a referir?
«É claro que não vou referir, não posso referir, como disse anteriormente, mas você [jornalista], apesar de ser jovem, se calhar também já é teimoso, por querer insistir na mesma tecla. Já lhe disse, há cinco treinadores no futebol europeu que não querem mudar nada na sua equipa, mas, se calhar, se perguntar a algum deles, depois de um mau resultado, mesmo um desses cinco vai-lhe dizer que mudava alguma coisa. Mesmo um desses cinco vai-lhe dizer que se calhar no próximo não devia meter este e não o vou meter mais. Estou a falar dos cinco que treinam as cinco equipas mais poderosas, com maior dimensão no mercado, com maior autonomia no mercado e que estão-se completamente nas tintas para tudo aquilo que são contas e financial fair-play e por aí fora. Eu obviamente não o posso fazer, se o disse e disse e fui levado pelas minhas emoções e pelas minhas frustrações, é possível».
«Acho que já devemos estar em sessenta e tal conferências de imprensa (64), acho que é normal que diga coisas que não deva dizer ou acho que é normal que diga coisas que alguns não queiram entender. Inclusive aceito o tipo de críticas que diz que o resultado é mau, critica os outros e não se autocrítica. Também aceito essa crítica porque acho que, se tenho esse defeito, aceito, mas é um defeito com consequência de quem eu sou. E eu sou aquele que ganhou tudo, que ganhou tudo muitas vezes e que repetiu muitas vezes as vitórias e, talvez por isso, tenha crescido de um modo em que muitas das vezes sinto que nunca falho, nunca me engano, nunca erro. Admito que tenho essa deficiência ao nível da minha personalidade enquanto treinador, mas é consequência daquilo que eu sou, do que construí. Depois tenho uma qualidade positiva que eu penso que construí relativamente ao grupo que compensa muito esse defeito, que é o facto de depois ser um grande autocrítico e na cara do grupo ser muito autocrítico. Ir avaliar tudo aquilo que uns e outros poderiam ter feito de mais e de melhor. Aí também estou perfeitamente consciente que também tenho uma qualidade ótima que é ser muito exigente comigo próprio, que é ser muito exigente com os outros e quando digo outros digo fora os jogadores. Digo staff, digo pessoas que trabalham nas estruturas e também tenho essa capacidade que, ao nível interno, compensa totalmente esse defeito que eu possa ter».