José Mourinho assume que qualquer resultado que não a vitória no dérbi complica os objetivos do Benfica
José Mourinho, treinador do Benfica, em declarações na conferência de imprensa de antevisão ao dérbi com o Sporting, em Alvalade, na 30.ª jornada da Liga (domingo, 18h00). O técnico dos encarnados assume que «enquanto for matematicamente possível», a equipa irá lutar pelos dois primeiros lugares da Liga. No entanto, reconhece que um empate ou derrota no dérbi praticamente hipotecará as hipóteses das águias.
Não é comum ver uma equipa sem derrotas fora do primeiro ou segundo lugares
«Há muitas maneiras de olhar para essa situação. Um bocadinho como a filosofia. Há empates que tivemos que não enobrecem, que não fazem do Benfica maior do que é, que não nos fazem melhores profissionais. E há empates que, pelo contrário, foram sentidos como derrotas. Aqueles em que desperdiçámos as vitórias nos últimos minutos, em que, como no Casa Pia, não fizemos um bom jogo. Temos outros empates em que nos sentimos prejudicados e que teriam sido vitórias se não tivéssemos sido prejudicados. Há muitas maneiras de olhar para estes empates. De uma maneira muito objetiva diria que uma equipa que não está nem nunca esteve à frente do campeonato precisa de ser resiliente, séria, honesta, respeitadora dos valores do clube e dos sentimentos dos adeptos. E isso esta equipa representou sempre até agora, lutando sempre. Lá está, se não ganho, não perco, mas vamos com tudo até ao fim. Este é o sentido positivo. O lado negativo da coisa é olharmos para alguns jogos, tipo Santa Clara e Rio Ave em casa, Casa Pia fora… há alguns jogos em que olhamos e dizemos “isto são derrotas, não são pontos ganhos, são pontos perdidos”. E pontos perdidos que depois têm significado na tabela.»
«Há um aspeto que esconde um bocadinho a época com alguns contornos positivos que estamos a fazer, que é o facto de termos os mesmos pontos que o Benfica tinha na época passada exatamente à mesma jornada e que permitiram ao Benfica lutar pelo campeonato praticamente até ao último minuto do último jogo e que, este ano, em função do número de pontos que o FC Porto tem feito, deixam o Benfica a sete pontos do primeiro classificado. As classificações dizem muito sobre o teu mérito ou demérito, mas dizem também muito do mérito ou demérito dos teus adversários diretos. O FC Porto tem 17 pontos a mais do que na época passada, o Sporting também tem alguns a mais. Ou seja, nós, tendo feito uma época até agora que não é boa – porque no Benfica nas épocas boas ganham-se campeonatos –, em condições normais, estaríamos numa situação diferente. Se me perguntam se me dá muito prazer não ter derrotas até agora, não me dá muito, preferia ter um par de derrotas, menos empates e mais pontos. Mas diz qualquer coisa de positivo sobre esta equipa.»
Clássicos têm sido fechados, mas nestes as equipas têm de ganhar
«Se calhar não estou assim tanto de acordo. O jogo em casa com o FC Porto foi um jogo com quatro golos, em que uma equipa foi dominadora, diria quase arrasadora nos primeiros 20/30 minutos de jogo. Depois, teve outra equipa que foi dominadora e quase arrasadora nos últimos 20/30 minutos. Acho que foi um jogo forte de duas equipas fortes. O jogo com o Sporting na Luz é um bom começo do Sporting, em que se superioriza no marcador e no jogo. A partir dos 25 minutos, o Sporting não voltou a rematar à baliza do Benfica. O Benfica dominou, dominou e dominou, apesar de não ter ganho. O jogo de Braga, porque o pessoal gosta muito de se esquecer do Sp. Braga, apesar de não estar obviamente perto dos três primeiros lugares, é uma equipa de grande nível… foi um jogo com quatro golos, eu diria cinco, porque fizemos um golo que nos daria a vitória. Outro jogo ultra animado. O jogo no Porto é o único que termina 0-0 e esse jogo sim, numa altura em que as duas equipas estavam no primeiro terço do campeonato, foi mais tático, mais calculista de parte a parte. É o único jogo em que estou de acordo com o seu comentário.»
Se Benfica não ganhar, fica afastado do segundo lugar?
«É a velha história da matemática. A faltarem quatro jogos e a estarem 12 pontos em pontos em disputa, matematicamente ainda será possível, mas, apesar de me terem trucidado pela minha honestidade e pragmatismo, continuo a repetir que uma coisa é matemática pura e outra coisa é o pragmatismo dos números. Acho que, se não ganharmos o jogo, vamos dar tudo até ao final. Enquanto for matematicamente possível vamos atrás, se deixar de ser continuaremos a ir atrás da natureza e história do clube. Mas ficaria, obviamente, muito mais difícil. Prefiro ser otimista e pensar que amanhã podemos ganhar.»
Que diferenças espera face ao dérbi da primeira volta
«Podemos tentar contextualizar o dérbi no sentido em que o Sporting e o Benfica precisam de ganhar, o empate dará ao Sporting maior segurança em relação ao segundo lugar, mas, se calhar é uma coisa que não lhes interessa. O verdadeiro foco do Sporting é ganhar o título, mas, independentemente de todas estas variantes, dérbi é dérbi. Não consigo imaginar o que vai acontecer. O que posso fazer é tentar reduzir ao máximo a imprevisibilidade do jogo. Durante a semana tentámos trabalhar diferentes conceitos e cenários para estarmos preparados para o jogo.»