«Opção por Jorge Jesus era na lógica de um resultado rápido e falhou»

12 mai, 22:05
Domingos Soares de Oliveira (Benfica)

Domingos Soares Oliveira admite erro na contratação do técnico e plantel «desequilibrado». O co-CEO dos encarnados explicou ainda a escolha de Schmidt e a nega a John Textor

O co-CEO da SAD do Benfica, Domingos Soares Oliveira, admitiu o fracasso das duas últimas temporadas dos encarnados e aponta culpas à escolha de Jorge Jesus e à movimentação nas janelas de transferências.

«Falharam várias coisas, falharam opções de mercado garantidamente, tínhamos um plantel que não era suficientemente equilibrado. Admitimos que tenham falhado também opções de ordem tática, técnica. O que presidiu à contratação deste treinador [Jesus] era uma lógica de um resultado rápido, há que reconhecê-lo. Não fomos à procura de um treinador que pudesse inserir-se numa estratégia seguida ao longo de vários anos, relativamente a uma aposta equilibrada entre jogadores experientes e jogadores de formação, portanto, a opção foi assumida de forma consciente», disse em entrevista ao jornal ECO.

O dirigente encarnado assume que a estrutura já prepara a próxima época com a intenção de não errar novamente.

«Há uma série de falhanços em termos externos, [mas] mais do que tudo o resto, importa corrigir aquilo que podemos corrigir internamente e, depois, preocuparmo-nos com os fatores externos. É isso que temos tentado fazer esta época. Não nos limitamos apenas a constatar os resultados, mas em tudo o que já estamos a fazer de preparação da nova época, há claramente uma intenção de não repetir erros passados», vincou.

Esta ideia ficou bem patente na escolha do próximo treinador, Roger Schmidt, que beneficiou das diferenças que existem na gestão do clube desde a saída de Vieira, pois foi criada a Comissão Executiva, onde «estão quatro pessoas que tratam de todos os temas relacionados com o futebol».

«A escolha do novo treinador foi um processo que demorou o seu tempo, que colocou um conjunto de treinadores que poderiam ser uma opção, quer a nível nacional, quer a nível internacional», começou por explicar.

«Foi um processo em que se definiu quais eram os critérios em função de um documento designado de “Casa Estratégica”. Esse processo nunca foi utilizado internamente, é um processo muito mais sustentado. E a mesma coisa se aplica em relação aos jogadores. Não quer dizer que não haja, como sempre houve, empresários que nos vêm bater à porta a dizer que têm um jogador ótimo e ótimas oportunidades, mas o que estamos a tentar fazer, e temos feito, é ser mais cautelosos e não ir imediatamente atrás da primeira oportunidade que aparece», acrescentou.

O co-CEO da SAD entende que «a figura do presidente é totalmente insubstituível, mas isso não significa que o presidente tenha de decidir sozinho». O dirigente salientou ainda a «vontade» de Rui Costa em «se envolver com uma equipa relativamente curta que o ajude a tomar uma decisão».

Soares Oliveira explicou também os fatores que conduziram à escolha de Schmidt. «Ainda não há nenhuma contratação de treinador, apenas dissemos que tínhamos um acordo de princípio. [Mas], se olharmos para o seu currículo, é alguém que se encaixa bem na estratégia do Benfica, que há muito tempo se centra no equilíbrio entre jogadores que vêm das camadas mais jovens e jogadores mais experientes.»

O dirigente debruçou-se ainda sobre a tentativa de John Textor em entrar na SAD encarnada e considerou que o investidor norte-americano tinha um projeto «interessante», quando «entendeu levar adiante um acordo com um ou vários acionistas com o objetivo de reunir uma participação de cerca de 25%».

«Aquilo que era efetivamente o seu projeto é interessante. O seu objetivo era colocar o Benfica na Bolsa de Nova Iorque e, fazendo isso, as ações que estava aqui a comprar a um determinado valor iriam valer em Nova Iorque um montante mais elevado. Esta era a sua lógica de investidor, totalmente compreensível», sublinhou.

Depois de estabelecer contactos para entender os contornos de uma eventual listagem em Wall Street, Soares de Oliveira diz que a direção chegou «à conclusão, que independentemente dos ganhos que poderiam daí derivar para o Sr. Textor, e eventualmente para o Benfica, se o clube quisesse pegar numa pequena participação e colocar também em Nova Iorque, o custo que isso teria para sociedade era absolutamente insuportável».

O dirigente encarnado não viu nada que o «assustasse» em John Textor e garantiu que o clube «não vai diminuir a sua posição» como principal acionista da SAD.

«Até achei que era uma pessoa interessante do ponto vista de uma série de ideias em termos tecnológicos e de direitos televisivos. Mas digamos que o projeto que estava subjacente assustava-nos mais», rematou.

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