Rakip recorda drama no Benfica: «Tentavam quebrar-te, é uma forma de jogo sujo»

28 dez 2025, 00:06
Erdal Rakip no Malmo em 2016 (FOTO: Lars Dareberg/GETTY)
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Internacional pela Macedónia teve uma passagem «invisível» pelos encarnados em 2017

Erdal Rakip, internacional pela Macedónia, quebrou o silêncio sobre a passagem «invisível» pelo Benfica. O médio, que reforçou os encarnados em 2017 vindo do Malmo, divulgou toda a polémica envolvida na passagem pela Luz. 

«Quando cheguei ao Benfica percebi logo que as coisas não eram como eu tinha imaginado. Fui contratado como jogador livre após terminar época no Malmö, mas senti que não havia um plano desportivo para mim. Mal tive tempo de conhecer as instalações e já se falava em emprestar-me. O Benfica decidiu que eu devia ir para o Crystal Palace para ganhar experiência. Eu aceitei porque queria jogar, mas a verdade é que o Benfica apenas me enviou para lá porque queriam 'colocar-me' em algum lado. Quando o empréstimo em Inglaterra terminou e eu não joguei, o meu regresso ao Benfica foi um pesadelo», começou por referir numa entrevista ao podcast «Lundh».

Rakip acabou mesmo por ser emprestado ao Crystal Palace, de Inglaterra. No regresso, a ambição era de finalmente afirmar-se na Luz. Porém, rapidamente viu esse sonho ser cortado pela raiz. 

«Quando voltei de Londres, fui completamente colocado de parte. O clube simplesmente 'congelou-me'. Eu não treinava com a equipa principal, mandavam-me treinar sozinho ou com jogadores que eles também queriam despachar. Foi uma situação muito difícil. Tu sentes-te um prisioneiro, estás num grande clube, numa cidade fantástica, mas não te deixam ser aquilo que queres: um jogador de futebol. Foi trágico. Eu e mais uns cinco ou seis jogadores fomos colocados à parte. Não podíamos treinar com a equipa principal, nem com a equipa B. Treinávamos em horários diferentes, às vezes sozinhos ou com um treinador que nem sequer era do clube. Não podíamos usar o balneário principal nem comer no refeitório ao mesmo tempo que os outros. Queriam que nos sentíssemos mal para forçar uma saída», atirou. 

O sueco, de dupla nacionalidade (também macedónio) apontou a postura do Benfica como «jogo sujo». O jogador, que não teve sequer contacto nenhum com Rui Vitória (treinador na altura), admitiu que o Benfica pressionava os jogadores a aceitarem as ofertas. Quem não cedesse, era castigado... da forma mais dura possível. 

«Tentavam quebrar-te psicologicamente. Diziam: 'Tens esta oferta deste clube, tens de aceitar'. Se eu dizia que não era um bom passo para a minha carreira, a resposta era: 'Então vais continuar a treinar à parte'. É uma forma de jogo sujo. No Benfica, se não estás nos planos, passas de estrela a ninguém num segundo», começou por referir. 

«Ninguém falava comigo. Não havia uma explicação do treinador ou dos diretores. Eu estava lá, cumpria o meu horário, mas era como se eu fosse invisível. Eles queriam que eu abrisse mão do dinheiro para me deixarem sair. É um lado muito frio do futebol profissional que as pessoas não vêem. Nunca tive uma oportunidade real de mostrar o que valia nos treinos com o grupo. O treinador [Rui Vitória] nem sequer falava connosco. Estávamos ali apenas para cumprir o contrato até que alguém cedesse. É um clube enorme, com uma estrutura fantástica, mas a forma como tratam os jogadores que não querem é muito dura», acrescentou.  

Erdal Rakip está atualmente sem clube. Depois da polémica, lá deixou o Benfica, com dinheiro por receber, sem ter a oportunidade de se estrear. Regressou ao Malmo onde fez mais quatro épocas pelos suecos. Nas últimas três temporadas representou o Antalyaspor, da Turquia. 

Ainda assim, no final de tudo, o internacional pela Macedónia do Norte não está totalmente arrependido de ter rumado a Lisboa em 2017.

«Para finalmente conseguir sair daquela situação no Benfica, tive de abdicar de uma parte considerável do que tinha a receber por contrato. Foi o preço a pagar pela minha liberdade e para poder voltar a jogar e ser feliz no Malmö. Foi uma lição cara, mas necessária. Se me arrependo? É difícil dizer. O Benfica é um dos maiores clubes do mundo, era um sonho. Mas vendo como as coisas correram e a forma como fui tratado, claro que gostaria que tivesse sido diferente. Aprendi muito sobre o lado obscuro do futebol», concluiu. 

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