Rui Costa: «Fiquei perplexo com a detenção de Luís Filipe Vieira, foi dramático»

29 jul 2021, 21:14

Novo presidente do Benfica deu a primeira entrevista à TVI

20 dias após ter sucedido a Luís Filipe Vieira, Rui Costa deu a primeira como presidente do Benfica. O dirigente dos encarnados recordou a última vez que falou com o ex-presidente e relatou como reagiu à sua detenção. 

«Infelizmente para mim, a última vez que falei com Luís Filipe Vieira foi na terça-feira, na véspera de ele ser detido. Nessa quarta-feira, quando cheguei ao Seixal, já não consegui estar com o presidente nem vê-lo. Esse foi o último momento. Tivemos uma conversa normal sobre o dia a dia no Seixal», começou por dizer Rui Costa em entrevista à TVI, que sobre as suspeitas e a detenção acrescentou:  «Fiquei perplexo assim como qualquer pessoa que lidasse com ele ou benfiquista. Jamais poderia adivinhar ou sonhar que naquele dia em que acordei para trabalhar no Seixal que o dia acabasse como acabou e que o presidente acabasse detido. Foi, como compreende, uma emoção dramática naquele momento quando soubemos o que se estava a passar.»

«Desejei que tudo passasse de um equivoco. Temos tido várias buscas e processos, mas nenhum deles até hoje originou o que quer que fosse. Na altura, a nossa perplexidade de mais uma busca, pensamos que fosse mais uma relativamente aos processos em curso. Quando soubemos da detenção do presidente, jogadores e funcionários, foi um abalado no que estava  a acontecer no dia a dia da equipa de futebol», declarou ainda no Jornal das 8.

Sobre a inocência ou não de Vieira, Rui Costa referiu que «até hoje não é acusado»: «Quer para ele, quer para o Benfica, temos esperança que o processo não passe disto. Naquele próprio dia foi um choque e um dia dramático para todos. Jamais poderíamos pensar acabar o dia como acabámos. Envolvia Luís Filipe Vieira enquanto pessoa e o Benfica. É normal que a perplexidade e desagrado fossem enormes. Custou até a aceitar a todos que ali trabalham o sucedido. Demorámos algum tempo a reagir ao que aconteceu. Parecia irreal, um filme que vemos à distância e que não queríamos assistir. Ainda não há acusados e a minha esperança pessoal para o cidadão e presidente, que o processo não passe disto.»

O novo líder das águias aproveitou ainda para justificar por que razão não fez qualquer menção a Vieira no dia em se assumiu como novo presidente.

«Luís Filipe nunca será apagado do Benfica. Ninguém está acima do Benfica e o meu discurso pretendia defender o clube de forma intransigente. Estava a decorrer um empréstimo obriacionista, negociações com vários jogadores e clubes. O facto de não ter referido Luís Filipe Vieira não foi para o apagar da história do Benfica, mas para pensar no presente e no futuro e para mostrar que não havia um vazio entre presidências. Não vou vou esquecer, até pela relação humana. A prioridade era, de facto, defender os interesses do Benfica e a causa de Luís Filipe Vieira», justificou. 

Rui Costa confidenciou o que diria ao antigo presidência do Benfica se o encontrasse.

«Dava-lhe um abraço de muita força e de coragem. Além do aspeto pessoal, não tenho dúvidas do quanto está a sofrer em termos de Benfica. Não sou ingrato, não estou com esse trauma. Tenho a consciência tranquila. Ele conhece-me desde que eu era um garoto. Dava-lhe um abraço de coragem de força, não vou renegar a amizade que tenho com ele. Inicialmente ele foi como um tutor. Passei de jogador a dirigente pela mão dele. Deu-me um voto de confiança quase de tutor. Foi uma relação próxima, às vezes de pai e filho, outras vezes de colegas de trabalho. Zangámo-nos várias vezes ao longo do caminho. Foi, acima de tudo, uma relação de grande amizade e de respeito», concluiu.



 

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