Diogo Jota no Estádio da Luz: uma história de amor ainda por cumprir

5 abr, 09:33
Diogo Jota (AP)

Avançado já esteve três vezes perto de se mudar para o Benfica, mas alguma coisa acabou sempre por falhar. Esta terça-feira os destinos de ambos voltam a cruzar-se em jogo da Liga dos Campeões.

O Liverpool visita esta terça-feira o Estádio da Luz e traz com ele aquele que é provavelmente o jogador português em melhor momento: Diogo Jota soma vinte golos na época, mais duas assistências, afirmando-se como um valor fundamental na formação de Jurgen Klopp.

Curiosamente os destinos do Benfica e de Jota já estiveram três vezes muito perto de se cruzar, mas acabaram por nunca o fazer.  É uma história de amor ainda por cumprir, portanto.

Natural de São Cosme, em Gondomar, o avançado nasceu provavelmente com a bola colada ao pé. O avô e o pai tinham jogado no Sousense, de Foz de Sousa, pelo que o amor ao futebol veio com ele do berço. Aos seis anos, quase a fazer sete, começou a jogar no Gondomar.

Filho de dois operários fabris, o pai numa numa empresa de gruas e a mãe numa fábrica de componentes para automóveis, não foi sem algum sacrifício que o mais velho de dois irmãos começou a jogar no clube da terra: mais tarde, de resto, o mano André seguiria os mesmos passos. Mesmo ali, no Gondomar, os pais tinham de pagar os equipamentos, as mensalidades e todos os extras que eram exigidos.

Joaquim Silva e a esposa Isabel, porém, nunca deixaram que nada faltasse. Só queriam que o filho andasse com um sorriso nos lábios e crescesse saudável física e mentalmente.

«A gente pelos filhos faz tudo. Foram sacrifícios atrás de sacrifícios. Tive mais do que um trabalho para ele pode fazer o que gosta. Gostamos de ver os filhos felizes», conta o pai.

«Eu levava-o aos treinos e aos jogos todos os dias e sabia onde ele estava. Nem que não desse um jogador de topo, mas estava controlado e a desenvolver-se física e mentalmente.»

O miúdo foi jogando Gondomar, onde encontrou uma geração de rapazes com quem formou um grupo de grandes amigos, e cinco anos depois chegou o primeiro cruzamento de destinos com o Benfica: o clube convidou-o para participar nos treinos de captações.

Diogo Jota tinha 11 anos e foi então levado pelo pai a três tardes de treinos com a camisola encarnada. O primeiro na Casa do Benfica de Póvoa de Lanhoso, perto de Braga, os últimos dois no Estádio da Luz, no sintético para uso da formação que fica mesmo ao lado do recinto.

Milhares de quilómetros e três treinos depois, o veredicto não foi favorável. Os responsáveis do Benfica consideravam que Jota era demasiado franzino e não quiseram ficar com ele. Isto foi nos infantis e curiosamente uns anos depois, já como iniciado, o adolescente esteve também uma semana a treinar com o FC Porto e acabou por ouvir a mesma sentença.

A rejeição podia ter deixado marcas, mas Jota nunca foi rapaz de se permitir desistir. Voltou a Gondomar e continuou a fazer de cada jogo uma nova oportunidade de mostrar valor.

Por isso, e antes de ter idade de júnior, houve outros clubes a mostrar interesse no jogador.

O Paços foi o que mais quis e por isso levou-o. Diogo Jota mudou-se para a Capital do Móvel, foi viver para uma casa do clube com mais jovens da formação, terminou o 12º ano, tirou a carta de condução e estreou-se na Liga, pela mão de Paulo Fonseca.

Após um ano e meio no Paços Ferreira, voltou a bater à porta o Benfica.

Diogo Jota tinha feito 18 golos e sete assistências em 47 jogos, Luís Filipe Vieira foi rápido a agir e chegou a acordo com o Paços Ferreira ainda durante o mês de janeiro. No entanto, Diogo Jota nunca chegou a entendimento com o Benfica e assinou em março pelo At. Madrid.

«Quando dois clubes chegam a entendimento, cabe depois ao clube comprador falar com o jogador e com o seu empresário para se entenderem. A verdade é que isso não aconteceu. O Paços não podia obrigar o jogador a assinar por este ou aquele clube», disse na altura o presidente Rui Seabra.

«A plataforma de entendimento com o Paços existiu, como disse, mas depois surgem outros interesses, o tempo passou e o jogador preferiu outro clube.»

Aos 19 anos, Diogo Jota assinou então por cinco épocas com o At. Madrid, mas só cumpriu um mês de pré-temporada no plantel de Diego Simeone. Quase no fim do mercado de verão, o jovem foi anunciado pelo FC Porto, tendo assinado por uma época de empréstimo.

Foi nessa altura, quando saiu do Atlético, que o Benfica se voltou a cruzar no caminho de Diogo Jota.

A SAD encarnada, tal como o Leganés, em Espanha, e o FC Porto, em Portugal, mostrou interesse no empréstimo, mas mais uma vez não foi suficientemente persuasivo. O FC Porto foi mais convincente e acabou por garantir o jogador, que optou pela enorme vantagem que era ter a família por perto. Nessa época fez nove golos e quatro assistências.

Há quem recorde que na infância Diogo Jota apoiava o Benfica, mas a verdade é que nunca foi um sentimento forte o suficiente para influenciar o futuro do avançado.

Jota sempre tomou as opções de acordo com o que sentia que era melhor para o futuro, ele que sempre gostou mais de seguir jogadores do que propriamente clubes.

Sobretudo apreciava Cristiano Ronaldo, um exemplo de trabalho, seriedade e dedicação que sempre foi uma inspiração para Diogo Jota.

Por isso, e apesar de o FC Porto não ter conseguido contratá-lo em definitivo, Diogo Jota voltou ainda mais forte. Seguiu para Inglaterra, onde brilhou a grande altura no Wolverhampton, levando o Liverpool a pagar 40 milhões de euros pela contratação dele.

Em Anfield Road tornou-se cada vez mais e mais forte, afirmando-se como um dos melhores avançados do mundo.

Esta terça-feira à noite vai entrar no Estádio da Luz, onde já marcou duas vezes em quatro jogos, e reencontrar um amor antigo. Ainda à espera de ser cumprido.

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